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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Como você pode superar a mágoa?





A Vida, realmente, é dura e profunda. Muitas vezes, embora as pessoas não dêem importância, as coisas acontecem e isso não tem relação com você estar preparado ou não. Infelizmente... A vida é como um teste que ignora se você está preparado! As coisas acontecem e você tem que lidar com isso! Você não estará preparado para lidar, por exemplo, com a morte de sua mãe em tempo algum, mas é provável que isso aconteça... Essa é a lei da Vida. Coisas ruins podem acontecem! Então, Como você pode superar as mágoas, os momentos de lamúrias, de machucados e as feridas que você vem passando? (...) Essa é uma questão central da Vida! A Vida nos coloca frente à problemas para que possamos lidar e aprender algo realmente relevante com isso! As coisas acontecem e nós temos que aprender como superar e aproveitar das situações, para então crescermos e principalmente, ajudar os outros! Tudo que acontece com você tem um sentido! Nossas vidas não são sem sentido, embora algumas vezes nossos sentimentos digam que isso não é verdade! A vida é bem maior do que nossos sentimentos, nossas habilidades para lidar e aceitar a dura realidade da dor... A dor é uma dádiva! Sim... Isso mesmo que eu acabo de dizer: A dor é uma benção!!! A dor nos mostra que estamos indo na direção errada. Ela nos diz que algo está fora do lugar, e diz: “EI, você está indo muito longe de onde gostaria, deseja e quer estar. Acorde!!!” Respondendo a pergunta, o primeiro passo para superar a dor e a mágoa, é estar consciente de que você foi ferido. O próximo passo é compreender que embora você esteja ferido, você não tem o direito de permanecer assim o resto de sua vida! Alguma vez você já soube que você tem o poder de escolher os caminhos de sua vida? As pessoas te machucaram... e você? O que vêm fazendo com você mesmo? O que vem fazendo com as feridas da vida? Você TEM o poder de escolher o que você quer ser, para além das feridas!!! E então o que vai escolher? Ser ferido ou ser curado? Você quer viver ferido ou livre? Você precisa liberar perdão!!! Para seu próprio bem!!! Você realmente não precisa viver o resto da vida ferido! Eu te encorajo a deixar as mágoas, as dores e perdoar! O perdão nos faz ser livres da dor e dos sentimentos ruins! O perdão é uma escolha que nos deixa completamente abertos para a Vida! E finalmente, se você perdoar, você certamente estará em paz, feliz e livre do passado, para viver o presente e o futuro sem estar repetindo sua história familiar! Muitos me chegam ao consultório sem saberem que seus maiores “fantasmas” de hoje são “fantasmas” de sua família também! Então... O que você está esperando para perdoar? Você se lembrou de alguém enquanto estava lendo? Perdoe ele ou ela e VOCÊ viverá livre do poder da dor, e por consequência, das mágoas. Recomendo carinhosamente Exerça perdão hoje mesmo! Por Raphael dos Anjos
ww.raphaeldosanjospsicologo.com/blog_psicologo_itaguai_rj/perfil_materia.asp?id=18

quinta-feira, 14 de março de 2013

ATIVIDADES ESPÍRITAS - PERNAMBUCO 01





As inscrição para o EJEPE 2013 foram encerradas!

Aqueles que ainda não confirmaram suas inscrições terão até o dia 20/03/2013 para irem até o DIJ da Federação Espírita Pernambucana. Caso a confirmação não seja realizada até essa data, as inscrições não confirmadas serão reabertas para novos participantes. Qualquer dúvida entre em contato com a gente, pelos endereços e telefones abaixo.
(..)
Você deve levar a ficha de confirmação e o comprovante de pagamento da inscrição ao DIJ da FEP para efetivar sua inscrição no EJEPE.
Os horários de atendimento do DIJ-FEP são: quartas-feiras (das 19h às 21h) e aos domingos (das 14h30 às 17h30)
Endereço: Av. João de Barros, 1629 - Espinheiro - Recife - PE
E-mails: dijfep@gmail.com ou dij@fepernambucana.org - Telefones: (81) 3241-2157 ou 3427-6904
Um ótimo EJEPE pra você!

sexta-feira, 1 de março de 2013

DISKARDEC - UMA INICIATIVA DE AMOR

diskardec_logo


“Coloco em primeira instância o consolo que é preciso oferecer aos que sofrem, erguer a coragem dos caídos,
arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime”.
 (Allan Kardec)

Essa filosofia do Codificador, é o princípio primeiro que movimenta e inspira os trabalhadores do DISKARDEC.
O DISKARDEC é a ferramenta de que toda a comunidade, Espírita ou não Espírita pode dispor. É uma associação civil, religiosa, filantrópica, cultural e sem fins lucrativos, mantida pelos seus voluntários.
Importante ainda frisar que o DISKARDEC é um órgão de utilidade pública, devidamente registrado e patenteado diante os órgãos federais.
Presta serviço na área espírita, serviço esse privativo, de atendimento fraterno por telefone, carta ou pessoalmente, totalmente independente das casas espíritas, muito embora seja um grande aliado delas, pois está 24h à disposição dos necessitados que buscam expor livremente seus sentimentos, suas angústias, suas dificuldades. Um verdadeiro “pronto-socorro da alma”, que têm como objetivo o apoio emocional, dado por voluntários preparados através de seleção, cursos, treinamentos periódicos, reciclagens, estudos evangélicos e doutrinários.
Como podemos ver, o DISKARDEC é um serviço espírita com peculiaridades próprias, assim sendo, talvez seja o único no Brasil ou até mesmo no mundo, visto que o movimento espírita cresceu e desenvolveu-se mais em nosso país.
Ao contrário do que muitos possam pensar, esse trabalho não se constitui em algo complicado ou dificultoso; delicado sim, mas como todo trabalho no Bem, traz como resultados um enorme bem para aqueles que o executam. Apenas exige de seus voluntários, que estes sejam espíritas, maiores de 18 anos, boa vontade para trabalhar na Seara de amor e apenas “2 horinhas” por semana para servir com Jesus.
O DISKARDEC, conta hoje com 26 pessoas representantes de várias casas espíritas e todas são unânimes em relatar suas experiências, casos estes que demonstram nitidamente a satisfação, o bem verdadeiro que esse trabalho opera em cada um. Ainda por contingência, acaba sendo importante veículo de integração para o próprio movimento espírita, pois reúne vários pensamentos, agrega diversos trabalhadores de centros diferentes, no propósito único de amor ao próximo.
A história do DISKARDEC começou no ano de 1984, idealizado pelo confrade Allan Kardec Gonzales, que já havia trazido para Ribeirão Preto o CVV (Centro de Valorização da Vida). Assim sendo, o Sr. Gonzales aproveitou a estrutura já conhecida e colocou-a sobre as bases da Doutrina Espírita. É claro que toda boa obra necessita de vários trabalhadores, e estes foram: Maria Helena Gonzales, Eupídio Campos, Edson Massato, Alice Teno Castilho, Maria Lúcia B. Soares, José Alexandre Machado, Dirce Machado, José Marcos Montaldi, Maria Izildinha C. Spanghero, Walter Perucchi, Wagner Perucchi e Diva Campos Paulo. Todos jovens espíritas da época que se alternavam nos plantões diários das 14 às 16n que já contavam com mensagens consoladoras, gravadas na voz de Luiz Schiavone.
Funcionou em fase experimental, quando em 20 de maio de 1989 torna-se entidade jurídica, formando então seu corpo executivo. Em 1991 filia-se à USE Intermunicipal de Ribeirão Preto, em 1992 registrou sua logomarca e no ano de 2000 foi reconhecida como de utilidade pública municipal. O nome ainda foi inspirado pelo Sr. Valentin Lorenzetti, jornalista já desencarnado.
Importante destacar que, muito embora o DISKARDEC tenha seu nome patenteado e registrado, ele disponibiliza-se a instruir os interessados de outras cidades que desejarem implantar este serviço na região, desta forma, dispõe-se a fornecer todas as informações, condições e instruções para tal viabilização.
Aqueles que assim o desejarem, ou ainda os interessados em engrossar essa legião de amor, basta entrar em contato com o telefone (16) 630-3232.
O DISKARDEC lembra ainda: “(…) Escutar é simplesmente manter um diálogo convencional, passageiro e corriqueiro; ouvir, porém, é embrenhar-se na troca de alma para alma, em que a essência realmente age com sintonia e inspiração”. (Batuíra)
Wagner Antônio Chiaratto


O que é DISKARDEC?
É um serviço de utilidade pública, filantrópico e religioso, objetivando:
·         Atendimento fraterno por telefone, carta ou pessoalmente
·         Esclarecimentos doutrinários
·         Informações sobre a localização dos Centros Espíritas de Ribeirão Preto
·         Serviço de mensagens
·         Criação de postos de atendimento fraterno em outras cidades. Informe-se (16) 630-3232
O DISKARDEC é um "pronto-socorro da alma", está desde 1984 prestando serviços à sociedade e está sempre à sua disposição.
Os atendentes do DISKARDEC são remunerados?
Não. Trata-se de um trabalho voluntário. Seja você também um voluntário. Informe-se (16) 630-3232

INSTRUÇÕES PARA A IMPLANTAÇÃO DO DISKARDEC
I - OBJETIVO DAS INSTRUÇÕES:
a) Esclarecer as condições para a criação de novos postos do DISKARDEC.
b) Preservar as características singulares do apoio compreensivo e fraterno.
c) Ser um facilitador para a implantação deste serviço.
II – COMO FAZER PARA INSTALAR UMA UNIDADE DO DISKARDEC?
1) - Um Centro Espírita pode pleitear autorização para instalar um posto do DISKARDEC?
R) – Não, por dois motivos:
a) O trabalho desenvolvido pelo DISKARDEC, se reveste de características próprias, por isso não reúne condições de ser um agregado ou uma extensão do "Auxilio Fraterno" oferecido pelas Casas Espíritas.
b) O DISKARDEC é pessoa jurídica, com diretoria constituída, e é mantido pelos seus voluntários.
2) – Quem pode pleitear a autorização para instalar um posto do DISKARDEC?
R)- Um grupo, de no mínimo 10 (dez) pessoas, espíritas, de boa vontade, independentes de filiação a qualquer Centro Espírita e que possam constituir uma diretoria executiva.
III - CONDIÇÕES PARA IMPLANTAÇÃO
O DISKARDEC de Ribeirão Preto, detentor da patente da logomarca, será o centralizador ou o posto líder, competindo exclusivamente a ele autorizar a instalação e implantação de novos postos, para a qual serão levados em conta os seguintes requisitos:
1) - Posto de atendimento.
a) somente um posto de atendimento será autorizado em cada cidade.
b) nas capitais e cidades com mais de 700 mil habitantes, poderá ser autorizada à instalação de mais de um posto, respeitando-se a distância de mais de 30 (trinta) quilômetros entre eles.
2) – Local.
O local de atendimento é privativo, com um terminal telefônico, cujo número seja de fácil memorização.
O DISKARDEC não é Centro Espírita. Não depende e não precisa de uma estrutura de um Centro Espírita, por isso, poderá ser instalado em qualquer imóvel, devidamente adequado para este fim.
A importância da escolha do local está em preservar a pessoa que nos procura (sigilo), o voluntário (segurança) e o caráter religioso do trabalho.
3) – Funcionamento:
a) número de telefone de fácil memorização e se possível com o sufixo 3232.
b) estar de acordo com o nosso estatuto e regimento interno.
c) ter personalidade jurídica, com diretoria constituída.
d) ter autorização para o uso da marca e do logotipo.
IV - DOS VOLUNTÁRIOS
MEIOS DE CAPTAÇÃO:
São convidados, através da divulgação do trabalho, para participarem do Curso de Treinamento e Seleção pela imprensa escrita e falada; reuniões da USE; visitas aos Centros Espíritas e ainda eventos como: Feira do Livro, bazares, palestras, etc..
O objetivo é a participação da comunidade espírita.
CARACTERÍSTICAS DO VOLUNTÁRIO:
Ser maior de 18 anos;
Ter idoneidade moral;
Ter bom conhecimento da Doutrina Espírita;
Ter disponibilidade de 02 (duas) horas semanais, para o plantão e mais 02 (duas) horas mensais, para as reuniões de grupo, nas quais acontecem os treinamentos, reciclagens e estudos doutrinários.
Ter boa vontade.
CAPACITAÇÃO:
O voluntário deverá participar dos Cursos de Treinamento e Seleção.
V– O DISKARDEC DE RIBEIRÃO PRETO
Sendo o posto líder competirá a ele:
a) Autorizar o uso da marca e do logotipo, desde que preenchidas as disposições mínimas para o início do trabalho.
b) Dar todo o subsídio necessário para o conhecimento da forma de atendimento, através de:
·         bibliografia;
·         roteiro do curso;
·         treinamento inicial, se necessário for;
·         fornecimento de modelos de material administrativo utilizado no trabalho;
·         fornecimento de modelos de material de divulgação.
c) Avaliar Relatórios trimestrais, que deverão ser enviados até o décimo dia do encerramento do trimestre. 

http://www.userp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=173

Sedentarismo Espiritual



A compreensão da vida é tarefa difícil para os empreendedores da sensibilidade. As pessoas são vulneráveis, falta entendimento em todos os sentidos, uns com os outros. Tudo é transição neste pequeno tempo em que somos submetidos a provação terrena. Procuramos com o sopro divino a busca de dias melhores, porém, por prazeres transitórios que tornam nosso espírito sedentário a coleta planetária. Virtudes são desperdiçadas pela inflexão de valores. Nada é verdadeiro, só a própria verdade. De todas as conseqüências mundanas a pior é falta de consciência que assola o cotidiano e acarreta grande prejuízo a evolução do espírito. Homens destruindo, arrancando, desmatando, violência proliferando em todos os níveis. Porém, ainda há tempo para se adotar o amor como meio de se restabelecer o equilíbrio dos desencantos. Esta poderosa arma é a melhor solução para os conflitos do mundo moderno. Vive-se na esperança de realizações pequenas, indultas, em desprezo ao volume das informações salutares. Tudo corre a revelia do próprio homem. Degeneram-se o conteúdo sensorial que prescinde o crescimento. Na grande viagem a destinos ignorados somos meros passageiros obstinados pela torrente do egoísmo a preencher espaços inadequados do pretérito então desconhecido. Quanto maior a vontade e o desejo na mesma densidade é a proporção que a inteligência opera para a resolução da interpretação dos anseios. Corre-se pela busca incansável de aparências exíguas, indeterminantes, fulminadas pela pequenez da inteligência emocional. O mundo opera pela ausência de conhecimento, pois conhecer é a capacidade de aprender para o exercício da vida social. Todos somos responsáveis na interação da capacidade de amar, com o saber e com a disponibilidade razoável para o trabalho que induz a soluções criativas na seqüência da reflexão e análise critica da sensibilidade e postura de cada um. De nada adiante – como se mostra a experiência – transmissão de artifícios ausentes para fomentar a libertação do ser humano. O maior poder do homem é a sabedoria e não a inteligência, pois há divergência entre o ser e o saber. Relativamente é temerário pensar que nada prescinde sem a devida necessidade, porque a razão é elemento indispensável para a definição da verdade. Enfim, há meios, contornos e no processo evolutivo insubstituível de cada um há reserva de decisão superior para compreensão dos mistérios desconhecidos que impera na avaliação da conduta do ser. Seja como for, nada é obtido sem resultado. A celeuma da construção existencial é interpretado na proporção de nossos adimplementos pretéritos através do diálogo e transposição aperfeiçoável da elaboração conjugada mediante aplicação do sistema maior que liberta e condiciona o homem a compreensão de si mesmo. Com a arte e a criatividade amparadas pela égide do saber e paixão o trabalho se encerra capacitando, via de conseqüência, a dinâmica do viver com a valoração que antecede o ensaio gratificado pela tarefa recepcionada pelo caminho almejado. Por tudo isto, exercite agora mesmo a oportunidade por estar neste caminho, pois certamente, verá adiante, o resultado que a vida lhe proporcionou e você mereceu.

Umberto Vettori – 29 de novembro de 2007.

domingo, 14 de outubro de 2012

Dia da Caridade


Lei nº 5.063, de 4 de julho de 1966
Institui o “Dia da Caridade”
                O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
                Art. 1º É instituído o “Dia da Caridade”, que será comemorado anualmente a 19 de julho, com a finalidade de difundir e incentivar a prática da solidariedade e do bom entendimento entre os homens.
                Art. 2º A organização do plano para as comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde e Educação e Cultura, constando obrigatòriamente, sem prejuízo de outras iniciativas, de visitas a hospitais, casas de misericórdias, asilos, orfanatos, creches e presídios, e a todos os demais lugares onde a pobreza e a dor mais se façam sentir.
                Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
                Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.
                Brasília, 4 de julho de 1966; 145º da Independência e 78º da República.
H.Castello Branco.
Raimundo Moniz de Aragão.
Raymundo de Britto.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Desenho animado é coisa séria: o imaginário infantil e os conceitos espíritas



1 – Uma guerra quase silenciosa
Interessante reportagem publicada em 29 de outubro de 2005 no caderno “Pensar” do jornal Correio Braziliense, do Distrito Federal, falando do lançamento do livro do biólogo Ernst Mayr, grande estudioso no século XX da obra de Charles Darwin, assevera em suas linhas que vivemos uma guerra silenciosa no mundo atual, onde o criacionismo e a teoria do “Design inteligente” se confrontam às ideias evolucionistas originadas de Darwin. Apesar desta questão ter figurado em artigos de outros jornais e até em programas televisivos, ela ainda figura com um certo caráter de absurdo, com um ar de comicidade em face da teoria evolucionista. Esse caráter tem-se apresentado de outras formas. O palco dessa luta é o livro, a sala de aula, a conversa entre os amigos durante o filme, e não está restrita apenas à nação estadunidense. Já sabemos de casos aqui no Brasil de alunos que se recusam a estudar e tiram zero nas questões sobre esse tema na disciplina de biologia, por contrariar a sua crença. São ideias “andando” por aí, contrapondo-se em provocações e debates acirrados, em tempos de exacerbado fundamentalismo. 
Essa guerra típica de séculos diferentes revela que as ideias estão imbricadas nas diversas expressões, de uma simples aula a uma música, e se espalham e se contrapõem em fóruns diversos. Outra “revolução” silenciosa dos conceitos teológicos transmitidos está ocorrendo, sem ter alcançado, entretanto, as páginas dos jornais, como a questão de o “homem ter vindo do macaco”. Imagino que isso ainda causa furor nos mais orgulhosos porque vai de encontro a conceitos estabelecidos por séculos pelas religiões dominantes no mundo ocidental.
O objetivo deste artigo é analisar ideias que estão sendo transmitidas para o público infantil nos programas destinados a esse público, mormente no tocante aos conceitos que se coadunam com as ideias espíritas, e mostrar como esse material pode ser utilizado pelo pai e evangelizador na formação conceitual das crianças.
2 – TV criança
Na época do lampião de querosene, a diversão da petizada era correr na rua, brincar de pião, de cabra-cega e uma série de jogos e cantigas, atividade que persiste até hoje em muitas regiões do país e por força de muitos educadores. Na década de 60, televisão era aquele artigo de luxo que apenas um menino de cada rua tinha e, por isso, reunia-se toda a rua para assistir aos programas na casa do menino. Era o início da TV, onde tudo era novidade e nesses quarenta e poucos anos muita coisa mudou. Falamos hoje da TV Digital, da interatividade. Fomos invadidos pela cor, pelos efeitos especiais e pelas várias opções de canais da TV por assinatura. No Brasil, cerca de 14% da população tem acesso a TV por assinatura e 90% tem acesso à TV aberta e estima-se que a criança brasileira passa em média três horas em frente à tela, a maior média do mundo, conforme atestou pesquisa da Universidade de Brasília divulgada na revista VEJA de 18/1/2006.
A TV transformou-se em ferramenta didática e entrou para a escola. Filmes, seriados, novelas e desenhos voltados para o público infantil e produzidos no mundo todo fazem da TV o substituto da babá contadora de histórias. Esses programas que invadem a nossa residência sem pedir licença trazem no seu simbolismo e no seu roteiro conceitos oriundos por vezes da cultura do país produtor ou, por vezes, um mero merchandising cultural de hábitos e valores, inseridos conscientemente para estimular de maneira subliminar o consumo de determinados produtos, a inclusão, o combate ao preconceito, o ódio a um inimigo do país e até valores de conduta.
3 – A influências das histórias e dos personagens
Contudo, como essas histórias e personagens podem traduzir para as crianças conceitos e visões de mundo que podem interferir nos seus próprios conceitos? Os desenhos infantis substituem os antigos contadores, os narradores de outras épocas, que narravam o cotidiano e o maravilhoso. A grande diferença é que a história hoje já vem com texto e imagem, já mastigada, com muita informação e pouco espaço para a interpretação e a imaginação, permitindo reduzido espaço para a discussão. Os contos de fadas apresentados nos desenhos modernos apresentam a raiz de ser um instrumento psicológico para a criança enfrentar um mundo cheio de dificuldades, buscando a identificação com heróis, tendo hoje como diferencial a inserção de relações complexas e longas entre os personagens, com raízes psicanalíticas, onde persiste a “moral da história”, geralmente associada ao pensamento chamado de “politicamente correto”.

Imagem - Internet - O Consoslador
Essas histórias então apresentam às nossas crianças soluções de como enfrentar o mundo, heróis, ídolos, fórmulas de conduta e verdades contextuais. Sim, cada desenho tem uma lógica, um conjunto de regras que funcionam como a “verdade” daquele desenho. Por exemplo, no “Tom & Jerry”, apesar de não falar verbalmente, os animais (gato e rato) pensam e se comunicam, o que difere da realidade, mas para aquele desenho é uma realidade contextual. A criança no seu mundo da imaginação importa aquelas verdades contextuais e volta ao nosso mundo, em suas viagens de revivência das histórias.
Essas verdades contextuais influenciam a forma da criança ver o mundo, pois ela vive ali um mundo com novas regras. Ela não poderá voar como o “Peter Pan”, mas a verdade contextual de não querer crescer pode ser para ela uma verdade interior e exterior. A criança aos poucos vai descobrir que ela não pode disparar raios pelas mãos, mas aos poucos também descobre que, se não enfrentar o mundo, não conseguirá superar os obstáculos. Essas lógicas vão se confrontando e construindo as visões de mundo da criança, mediando o seu mundo de fantasia com o mundo real.
A questão é que essa lógica do mundo da fantasia sempre foi monopolizada. Por questões de ideologia dominante e de cultura do produtor, os desenhos mais antigos, como o citado “Tom & Jerry”, “Pica-Pau”, “Popeye, o marinheiro” ou “Mickey”, sempre trataram as questões teológicas mais cruciais, como Deus e a vida após a morte, de forma secular e clássica, representando sempre a oposição entre anjos e demônios, o céu de nuvens e o inferno flamejante, bem ao estilo medieval, com caldeirão e harpas. O contexto geopolítico também era outro… Desse modo, esses paradigmas eram reforçados e naturalizados nas crianças que assistiam àqueles desenhos.
4 – Os conceitos espíritas
Com a década de 80, com a queda do muro de Berlim, o início da globalização, o mundo começou a intercambiar mais as suas culturas. Com a ampliação das comunicações, com a internet e a TV por assinatura, com a entrada de desenhos de outros países, mormente os europeus e os japoneses, o eixo ideológico desses desenhos mudou. As culturas desses países vinham agora imbricadas nesses novos desenhos e a queda de modelos mais tradicionais, o avanço da corrida espacial e da astronomia, tudo isso fez com que as temáticas teológicas tivessem outra abordagem nas verdades contextuais dos desenhos animados. A imaginação necessária à competição precisa alçar voos e toda visão de mundo era importante para construir uma nova história. O público, mais crítico e esclarecido, tornava-se mais exigente e queria mais informações. 
Para ilustrar esse que é o ponto central deste artigo, vamos citar alguns desenhos voltados para o público infantil bem recentes, a maioria em exibição ainda, identificando neles conceitos similares aos conceitos espíritas, descritos na tabela a seguir:
ÍndiceConceito Espírita
AEvolução dos Espíritos
BComunicabilidade dos Espíritos com os encarnados/Imortalidade da alma
CPluralidade dos mundos habitados
DPluralidade das existências (Reencarnação)
Na lista a seguir vão os desenhos e, caso o leitor tenha dificuldade de identificar ou saber mais sobre algum dos títulos, pode perguntar para o seu filho ou sobrinho, que ele certamente saberá. Certamente, a maioria desses desenhos tem uma carga grande de violência, em muitos casos explícita, mas não é nosso propósito avaliar o desenho em si e sim verificar a mudança de conceitos transmitidos. 
INU YASHA - Sucesso japonês, conta a história de uma menina que entra em um poço no fundo do seu quintal e lá retorna no tempo até o Japão feudal, onde vive situações relacionadas à sua encarnação nessa época, como uma sacerdotisa. Conceito: D.
AVATAR - Desenho recente da Nickelodeon, fala de um tempo na China onde as pessoas dominavam os elementos ar, água, terra e fogo e o Avatar que estabeleceria a ordem é aquele que já encarnou nas tribos dos quatro elementos. Conceito: D.
DRAGON BALL – Desenho japonês inspirado em uma lenda chinesa, conta a história de um menino com rabo de macaco e muito forte que na verdade veio de outro planeta e vive aventuras na Terra, em busca das esferas do dragão. Tem vários episódios ocorridos no “mundo espiritual”. Conceitos: B e C.
YU YU HAKUSHO - Desenho japonês onde Yusuke Urameshi é um jovem indisciplinado que perde a vida ao salvar uma criança de um atropelamento. Por recompensa, ele se torna um “detetive” do mundo espiritual, travando neste grandes batalhas. Conceito: B.
OS CAVALEIROS DO ZODÍACO - Outro grande sucesso nipônico, em que jovens de um orfanato são criados por um milionário que os treina para se tornarem cavaleiros com armaduras especiais para salvar a Terra de um perigo iminente e defender a jovem Saori, reencarnação da Deusa Athena. Conceito: D.
A MÚMIA - Desenho norte-americano inspirado na refilmagem de um clássico de 1932 trata de uma família de arqueologistas contra uma múmia que volta a viver. Baseado na mitologia egípcia, trata da reencarnação de personagens com grande naturalidade. Conceito: D.
SHAMAN KING - Desenho japonês que narra a aventura de jovens xamãs (médiuns) que, com a ajuda de Espíritos guerreiros do passado, travam batalhas “incorporados” entre si. Conceito: B.
DISNEY - O megaestúdio Disney tem produções com temáticas interessantes, como Irmão Urso e Mulan, que apresentam contatos ostensivos com entidades já desencarnadas e outros como Little e Stitch e o Galinho Chicken Little, que tratam naturalmente da vida em outros planetas. Conceito: B.
STAR WARS - A saga de seis filmes de George Lucas que resultou em diversos desenhos correlatos, além de considerar a vida em outros planetas, fala da “força”, um tipo de fluido que pode ser manipulado. Apresenta também personagens desencarnados que realizam aparições e se comunicam com os encarnados. Conceitos: B e C.
GHOSTBUSTERS - Desenho inspirado no filme de sucesso que teve na sua continuação a formação de um grupo que resolve montar uma empresa para caçar fantasmas. Conceito: B.
SCOOBY-DOO – O velho cão medroso e o seu amigo ainda fazem muito sucesso, em filme ou nos desenhos. A comunicação com os Espíritos é na maioria das vezes revelada como um embuste com fins comerciais. Entretanto, os episódios nunca negam a existência desses fenômenos. Conceito: B.
MARTIN MYSTERY - Um jovem estudante e a sua irmã acompanhados de um homem das cavernas são membros de uma agência que investiga eventos paranormais em vários planetas, aparecendo nos episódios toda sorte de fenômeno mediúnico. Conceitos: A, B e C.
A TURMA DA MÔNICA - Os nossos queridos personagens brasileiros esbanjam conceitos como o astronauta que visita outros planetas, o dinossauro Horácio e o Piteco na pré-história e a turma do Penadinho, que sempre traz aspectos da reencarnação e da mediunidade. Conceitos: A, B, C e D.
DINOSSAUROS - Diversos desenhos de várias nacionalidades têm como pano de fundo a questão dos dinossauros, caracterizando as ideias de evolução. Conceito: A.
DANNY PHANTOM - Desenho norte-americano que narra as aventuras de um menino filho de caçadores de fantasmas que por um acidente passa a poder se transformar em fantasma e combate os espectros do mal na busca de defender a sua cidade, com diversos fenômenos mediúnicos nos episódios, como incorporação. Conceito: B.
HARRY POTTER - O bruxinho mais famoso do planeta, ratificando sua origem inglesa, apresenta fantasmas do passado passeando pela escola e conversando com os alunos em todos os filmes. Conceito: B.
Como podemos verificar, a lista é extensa e com certeza incompleta. Pergunte a qualquer criança e com certeza ela já viu algum desses desenhos, pois são todos bem recentes. Além disso, a maioria tem a sua versão em livro ou em quadrinhos.
Obviamente, os conceitos apresentados nos desenhos apresentam várias distorções dos conceitos espíritas, mas isso não invalida que foi rompida a hegemonia do paradigma anterior de céu versus inferno. Como era de esperar, a predominância é nas questões da mediunidade e suas facetas e na vida em outros planetas, fruto dos avanços da astronomia e das descobertas da Transcomunicação Instrumental e estudos afins, sendo que os desenhos orientais apresentam mais a questão da reencarnação, que enriquece muito a trama. 
5 – Como potencializar isso?
Como dito, certamente os nossos alunos da evangelização ou filhos assistem ou já assistiram a pelo menos um desses desenhos. É inevitável, pois eles estão na escola, nos produtos licenciados e no jornaleiro. Essa relação que o nosso evangelizando/filho estabelece com um desses programas é uma oportunidade ímpar de explorar os conceitos espíritas e até morais ali contidos e criar uma discussão frutífera sobre o tema. 
Hoje a educação toda gira em torno de trabalhar a partir da realidade do aluno. Se nessa realidade já estamos encontrando conceitos que são afins com os nossos conceitos espíritas, nós temos que trazê-los para a análise crítica. Não nos cabe somente ver o mundo contido na doutrina espírita e sim identificar a doutrina espírita no mundo. Como o apelo e a influência desses desenhos sobre as crianças são enormes, o ponto de convergência deve servir de “fio da meada” para iniciar uma discussão de conteúdo. Se na sala de casa com os amigos, assistindo a um desses desenhos, o nosso evangelizando/filho explicar o que realmente aconteceu à luz da doutrina espírita, o conceito ali se consolidou.
6 – Conclusão
Às vezes tendemos a isolar ou ignorar o material divulgado pela TV por ferir a pureza doutrinária. O fato é que a revolução silenciosa dos conceitos teológicos está aí. Porém, raramente um desses desenhos será integralmente fiel aos conceitos doutrinários, até porque sua finalidade é outra. Certos mecanismos conceituais básicos podem ser ilustrados a partir destes elementos da realidade das crianças, permitindo a elas um melhor discernimento. Fugirmos disso é cairmos em uma redoma, bem próximo dos nossos amigos criacionistas.
Marcus Vinicius de Azevedo Braga é pedagogo, evangelizador infantil e frequenta o Grêmio Espírita Atualpa em Brasília (DF), tendo editado em 2001 o livro “Alegria de servir” pela FEB.
EM Você leitor encontra este artigo também aqui > http://www.oconsolador.com.br/ano3/131/especial.html