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sexta-feira, 5 de abril de 2013

RIVALIDADE ENTRE OS ESPÍRITAS: REFLEXÕES KARDEQUIANAS – I



(Pedro Camilo)

Estava aqui refletindo sobre as muitas rivalidades que surpreendemos no Movimento Espírita e lembrei de voltar a Allan Kardec, em O LIVRO DOS MÉDIUNS, quando trata, com sua incomum lucidez, da “Rivalidade entre as Sociedades”. Dito nas palavras de hoje, “Rivalidade entre os Grupos Espíritas”. 

Na sua época, uma divisão singular se estabelecia: os grupos que cuidavam, de preferência, das manifestações inteligentes, e os que se detinham nas manifestações físicas. O curioso é que cada um pretendia estar com a verdade, como se a sua opção excluísse a outra e, mesmo, deslegitimasse o interesse dos outros grupos.
Dadas as discórdias e os ataques lançados por uns sobre os outros, Kardec pondera:

(OLM, p. 519)*

Atualmente, vemos tais conflitos materializados em outros aspectos, tais como: reuniões mediúnicas abertas ou fechadas, ter ou não ter desobsessão, fazer ou não fazer reuniões de cura, promover ou não promover pintura mediúnica... Os pontos de divergências mudaram, haja vista que quase ninguém mais se ocupa com as manifestações físicas – materializações, mesas girantes e outros –, mas a nossa pequenez se conserva exatamente a mesma: queremos destruir o outro que, embora abrace a nossa mesma causa, pensa, sente e vive seus postulados de forma diferente.

E porque “nossos olhos não são bons”, tendemos a olhar o outro com as mazelas que impregnam o nosso olhar, desprezando-o por ser, simplesmente, diferente. E porque nossas mãos permanecem sendo “motivos de escândalo”, ao invés de as arrancarmos, lançando-as fora, permanecemos atirando pedras nesse mesmo outro, não compreendendo que ser humano é ser diferente, e que todos somos iguais nessa fatalidade. E porque não conseguimos – às vezes não queremos – agir de modo “diferente”, continuamos provando, “por esses simples fatos”, que somos verdadeiramente dominados por uma péssima influência: nossa visão tacanha e medíocre da proposta espírita e cristã.

Enquanto brigamos e acusamos, na tentativa de destruir o outro sob o manto da “defesa da verdade”, Kardec permanece nos advertindo, lembrando aquilo com que nos devemos verdadeiramente ocupar:

(OLM, p. 519-520)*

E aí temos um diagnóstico perfeito: no fundo e no raso, nossos antagonismos tão somente revelam a superexcitação do nosso orgulho, da tola pretensão de superioridade, da doce ilusão de sermos “donos da verdade”. Perdemos o “objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade”, para municiar os detratores com as nossas disputas de ego, na tentativa vã e tola de estabelecer, aqui ou ali, o templo do “verdadeiro Espiritismo”.

A quem estaremos servindo, a Deus o a Mamom?

* Trechos retirados da 49º edição de O livro dos médiuns, publicada pela FEB.

Pedro Camilo (Salvador/BA)
Advogado. Mestrando em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia. Professor Auxiliar de Direito Penal e Processual Penal da Universidade do Estado do Bahia. Escritor e expositor espírita. Trabalhador do Núcleo Espírita Telles de Menezes, de Salvador, Bahia.
Escreveu os livros "Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa" e "Devassando a mediunidade"; organizou o livro "Pelos caminhso da mediunidade serena"; mediunicamente, o Espírito Bento José escreveu, por seu intermédio, "Mente Aberta.  



domingo, 3 de março de 2013

[ÁUDIO LIVRO] DIÁLOGO COM AS SOMBRAS


 
Áudio Livro - Diálogo com as Sombras


DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
TEORIA E PRÁTICA DA DOUTRINAçãO

 
Hermínio C. Miranda
 
É um livro que retrata o conhecimento e a competência do autor, um repositório de orientações e diretrizes para a organização de grupos de trabalhos práticos, no trato com a mediunidade.
Desenvolve, minuciosamente, explicações sobre técnicas, recursos, desenvolvimento dos diálogos, preces, passes, médiuns, assistentes, bem como sobre os desencarnados que necessitam de ajuda e os que comparecem espiritualmente para ajudar.

 



sexta-feira, 1 de março de 2013

DISKARDEC - UMA INICIATIVA DE AMOR

diskardec_logo


“Coloco em primeira instância o consolo que é preciso oferecer aos que sofrem, erguer a coragem dos caídos,
arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime”.
 (Allan Kardec)

Essa filosofia do Codificador, é o princípio primeiro que movimenta e inspira os trabalhadores do DISKARDEC.
O DISKARDEC é a ferramenta de que toda a comunidade, Espírita ou não Espírita pode dispor. É uma associação civil, religiosa, filantrópica, cultural e sem fins lucrativos, mantida pelos seus voluntários.
Importante ainda frisar que o DISKARDEC é um órgão de utilidade pública, devidamente registrado e patenteado diante os órgãos federais.
Presta serviço na área espírita, serviço esse privativo, de atendimento fraterno por telefone, carta ou pessoalmente, totalmente independente das casas espíritas, muito embora seja um grande aliado delas, pois está 24h à disposição dos necessitados que buscam expor livremente seus sentimentos, suas angústias, suas dificuldades. Um verdadeiro “pronto-socorro da alma”, que têm como objetivo o apoio emocional, dado por voluntários preparados através de seleção, cursos, treinamentos periódicos, reciclagens, estudos evangélicos e doutrinários.
Como podemos ver, o DISKARDEC é um serviço espírita com peculiaridades próprias, assim sendo, talvez seja o único no Brasil ou até mesmo no mundo, visto que o movimento espírita cresceu e desenvolveu-se mais em nosso país.
Ao contrário do que muitos possam pensar, esse trabalho não se constitui em algo complicado ou dificultoso; delicado sim, mas como todo trabalho no Bem, traz como resultados um enorme bem para aqueles que o executam. Apenas exige de seus voluntários, que estes sejam espíritas, maiores de 18 anos, boa vontade para trabalhar na Seara de amor e apenas “2 horinhas” por semana para servir com Jesus.
O DISKARDEC, conta hoje com 26 pessoas representantes de várias casas espíritas e todas são unânimes em relatar suas experiências, casos estes que demonstram nitidamente a satisfação, o bem verdadeiro que esse trabalho opera em cada um. Ainda por contingência, acaba sendo importante veículo de integração para o próprio movimento espírita, pois reúne vários pensamentos, agrega diversos trabalhadores de centros diferentes, no propósito único de amor ao próximo.
A história do DISKARDEC começou no ano de 1984, idealizado pelo confrade Allan Kardec Gonzales, que já havia trazido para Ribeirão Preto o CVV (Centro de Valorização da Vida). Assim sendo, o Sr. Gonzales aproveitou a estrutura já conhecida e colocou-a sobre as bases da Doutrina Espírita. É claro que toda boa obra necessita de vários trabalhadores, e estes foram: Maria Helena Gonzales, Eupídio Campos, Edson Massato, Alice Teno Castilho, Maria Lúcia B. Soares, José Alexandre Machado, Dirce Machado, José Marcos Montaldi, Maria Izildinha C. Spanghero, Walter Perucchi, Wagner Perucchi e Diva Campos Paulo. Todos jovens espíritas da época que se alternavam nos plantões diários das 14 às 16n que já contavam com mensagens consoladoras, gravadas na voz de Luiz Schiavone.
Funcionou em fase experimental, quando em 20 de maio de 1989 torna-se entidade jurídica, formando então seu corpo executivo. Em 1991 filia-se à USE Intermunicipal de Ribeirão Preto, em 1992 registrou sua logomarca e no ano de 2000 foi reconhecida como de utilidade pública municipal. O nome ainda foi inspirado pelo Sr. Valentin Lorenzetti, jornalista já desencarnado.
Importante destacar que, muito embora o DISKARDEC tenha seu nome patenteado e registrado, ele disponibiliza-se a instruir os interessados de outras cidades que desejarem implantar este serviço na região, desta forma, dispõe-se a fornecer todas as informações, condições e instruções para tal viabilização.
Aqueles que assim o desejarem, ou ainda os interessados em engrossar essa legião de amor, basta entrar em contato com o telefone (16) 630-3232.
O DISKARDEC lembra ainda: “(…) Escutar é simplesmente manter um diálogo convencional, passageiro e corriqueiro; ouvir, porém, é embrenhar-se na troca de alma para alma, em que a essência realmente age com sintonia e inspiração”. (Batuíra)
Wagner Antônio Chiaratto


O que é DISKARDEC?
É um serviço de utilidade pública, filantrópico e religioso, objetivando:
·         Atendimento fraterno por telefone, carta ou pessoalmente
·         Esclarecimentos doutrinários
·         Informações sobre a localização dos Centros Espíritas de Ribeirão Preto
·         Serviço de mensagens
·         Criação de postos de atendimento fraterno em outras cidades. Informe-se (16) 630-3232
O DISKARDEC é um "pronto-socorro da alma", está desde 1984 prestando serviços à sociedade e está sempre à sua disposição.
Os atendentes do DISKARDEC são remunerados?
Não. Trata-se de um trabalho voluntário. Seja você também um voluntário. Informe-se (16) 630-3232

INSTRUÇÕES PARA A IMPLANTAÇÃO DO DISKARDEC
I - OBJETIVO DAS INSTRUÇÕES:
a) Esclarecer as condições para a criação de novos postos do DISKARDEC.
b) Preservar as características singulares do apoio compreensivo e fraterno.
c) Ser um facilitador para a implantação deste serviço.
II – COMO FAZER PARA INSTALAR UMA UNIDADE DO DISKARDEC?
1) - Um Centro Espírita pode pleitear autorização para instalar um posto do DISKARDEC?
R) – Não, por dois motivos:
a) O trabalho desenvolvido pelo DISKARDEC, se reveste de características próprias, por isso não reúne condições de ser um agregado ou uma extensão do "Auxilio Fraterno" oferecido pelas Casas Espíritas.
b) O DISKARDEC é pessoa jurídica, com diretoria constituída, e é mantido pelos seus voluntários.
2) – Quem pode pleitear a autorização para instalar um posto do DISKARDEC?
R)- Um grupo, de no mínimo 10 (dez) pessoas, espíritas, de boa vontade, independentes de filiação a qualquer Centro Espírita e que possam constituir uma diretoria executiva.
III - CONDIÇÕES PARA IMPLANTAÇÃO
O DISKARDEC de Ribeirão Preto, detentor da patente da logomarca, será o centralizador ou o posto líder, competindo exclusivamente a ele autorizar a instalação e implantação de novos postos, para a qual serão levados em conta os seguintes requisitos:
1) - Posto de atendimento.
a) somente um posto de atendimento será autorizado em cada cidade.
b) nas capitais e cidades com mais de 700 mil habitantes, poderá ser autorizada à instalação de mais de um posto, respeitando-se a distância de mais de 30 (trinta) quilômetros entre eles.
2) – Local.
O local de atendimento é privativo, com um terminal telefônico, cujo número seja de fácil memorização.
O DISKARDEC não é Centro Espírita. Não depende e não precisa de uma estrutura de um Centro Espírita, por isso, poderá ser instalado em qualquer imóvel, devidamente adequado para este fim.
A importância da escolha do local está em preservar a pessoa que nos procura (sigilo), o voluntário (segurança) e o caráter religioso do trabalho.
3) – Funcionamento:
a) número de telefone de fácil memorização e se possível com o sufixo 3232.
b) estar de acordo com o nosso estatuto e regimento interno.
c) ter personalidade jurídica, com diretoria constituída.
d) ter autorização para o uso da marca e do logotipo.
IV - DOS VOLUNTÁRIOS
MEIOS DE CAPTAÇÃO:
São convidados, através da divulgação do trabalho, para participarem do Curso de Treinamento e Seleção pela imprensa escrita e falada; reuniões da USE; visitas aos Centros Espíritas e ainda eventos como: Feira do Livro, bazares, palestras, etc..
O objetivo é a participação da comunidade espírita.
CARACTERÍSTICAS DO VOLUNTÁRIO:
Ser maior de 18 anos;
Ter idoneidade moral;
Ter bom conhecimento da Doutrina Espírita;
Ter disponibilidade de 02 (duas) horas semanais, para o plantão e mais 02 (duas) horas mensais, para as reuniões de grupo, nas quais acontecem os treinamentos, reciclagens e estudos doutrinários.
Ter boa vontade.
CAPACITAÇÃO:
O voluntário deverá participar dos Cursos de Treinamento e Seleção.
V– O DISKARDEC DE RIBEIRÃO PRETO
Sendo o posto líder competirá a ele:
a) Autorizar o uso da marca e do logotipo, desde que preenchidas as disposições mínimas para o início do trabalho.
b) Dar todo o subsídio necessário para o conhecimento da forma de atendimento, através de:
·         bibliografia;
·         roteiro do curso;
·         treinamento inicial, se necessário for;
·         fornecimento de modelos de material administrativo utilizado no trabalho;
·         fornecimento de modelos de material de divulgação.
c) Avaliar Relatórios trimestrais, que deverão ser enviados até o décimo dia do encerramento do trimestre. 

http://www.userp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=173

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Visão Espírita do Natal



A vida moderna, respondendo ao interesse financeiro, transformou o natal numa festa do comércio. Já o Espiritismo propõe um resgate do sentido mais espiritual do nascimento do Cristo, desvendando os símbolos e significados dessa data.
Por Cláudio Fajardo
Natal, Manjedoura
Embora associemos o Natal ao nascimento de Jesus, a tradição da festividade remonta a milênios. As origens do natal vêm desde dois mil anos antes de Cristo. Tudo começou com um antigo festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de um ano para o outro, oZagmuk. Para os mesopotâmicos, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos enfureciam-se e Marduk, seu principal deus, precisava derrotá-los para preservar a continuidade da vida na Terra. O festival de Ano Novo, que durava 12 dias, era realizado para ajudar Marduk em sua batalha.
A mesopotâmia inspirou a cultura de muitos povos, como a dos gregos, que assimilaram as raízes do festival, celebrando a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde, por intermédio da Grécia, costume alcançou os romanos, sendo absorvido pelo festival chamado Saturnalia, pois era em homenagem a Saturno. A festa começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de janeiro, comemorando o solstício do inverno. De acordo com seus cálculos, o dia 25 era a data em que o Sol se encontrava mais fraco, porém pronto para recomeçar seu crescimento e espalhar vida por toda a Terra.
Durante a data, que acabou conhecida como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, as escolas eram fechadas e ninguém trabalhava. Eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares eram oferecidos aos amigos, e árvores verdes – ornamentados por muitas velas – enfeitavam as salas para espantar os maus espíritos da escuridão. Os mesmos objetos eram usados para presentear uns aos outros.

Depois de Cristo

Nos primeiros anos do Cristianismo, a Páscoa era o feriado principal. O nascimento de Jesus não era celebrado.
No século IV, a Igreja decidiu instituir o nascimento de Jesus com um feriado. Mas havia um problema: a Bíblia não menciona a data de seu nascimento. Então, apesar de algumas evidências sugerirem que o nascimento de Jesus ocorreu na primavera, o Papa Júlio I escolheu 25 de dezembro. Alguns estudiosos acreditam que esta data foi adotada num esforço de absorver as tradições pagãs da Saturnalia.
A maior parte dos historiadores afirma que o primeiro Natal, como conhecemos hoje, foi celebrado no ano 336 d.C. A troca de presentes passou a simbolizar as ofertas feitas pelos três reis magos ao menino Jesus, assim como outros rituais também foram adaptados.
Hoje, as Igrejas Ortodoxas grega e russa, celebram o Natal no dia 6 de janeiro, também referido como o “Dia dos Três Reis”, que seria o dia em que os três magos teriam encontrado Jesus na manjedoura.

Data Provável do Natal

Lemos no Evangelho de Lucas: “E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse. Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino governador da Síria.” César Augusto reinou de 30 a.C a 14 d.C.
Mas o censo ocorreu em 6 d.C., o que permite ver que a determinação da data está historicamente imprecisa. Há, no entanto, uma tradução proposta, segundo a Bíblia de Jerusalém: “Esse recenseamento foi anterior àquele realizado quando Quirino era governador da Síria.”
Jesus nasceu antes da morte de Herodes, morte esta que aconteceu em 4 a.C., provavelmente entre 8 e 6 a.C. A chamada Era Cristã foi estabelecida por Dionísio, o pequeno, apenas no século 6 e é fruto de um erro de cálculo.
Quando Jesus iniciou o seu ministério ele tinha provavelmente 33 anos, ou até 36. E Dionísio, o pequeno, considerou como se ele tivesse 30 anos, embora Lucas (3:23) fale em “mais ou menos 30 anos”.
Neste ponto a revelação espírita pode, como em tantos outros, contribuir com os historiadores.
Humberto de Campos, em mensagem psicografia por Chico Xavier e publicada em Crônicas de Além-túmulo, aponta o ano 749 da era romana como sendo o ano do nascimento de Jesus, o que corresponderia ao ano 5 a.C.
Do mesmo modo, Emmanuel informa-nos em Há 2000 Anos que o ano da crucificação de Jesus foi o 33 a.C. Sendo assim, portanto, Jesus iniciou o seu ministério com 35 anos e desencarnou com 38.

Um Significado Espiritual

Diz, então, a sequência do Evangelho de Lucas: “E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi)”
Belém situa-se a 6 quilômetros de Jerusalém e a 800 metros de altitude, nos montes da Judéia. Por isso a expressão “subiu da Galiléia à Judéia”.
Buscando o sentido espiritual do Evangelho, podemos entender Nazaré como sendo nossas vivências na área da razão. É o racional que hoje, no dia a dia, fala mais alto em nossos procedimentos.
Belém seria assim, a representação de nosso encaminhamento levando em conta o sentimento equilibrado, a intuição, ou o amadurecimento da própria razão pelo equilíbrio desta, através da vivência, com o emocional.
O nascimento de Jesus em Belém significaria, assim, o início de uma nova era em que a justiça se converte em amor, e o racional é espiritualizado através de seu perfeito equilíbrio com o emocional.

Historicamente, não há certeza sobre Jesus ter nascido em Belém ou Nazaré. O que realmente importa, porém, é apropriarmos de seu sentido reeducativo, é saber que, para que o Cristo nasça em nossa intimidade é necessário agir equilibrando sentimento e razão, intelecto e moral, conhecimento e aplicação. Pois, se no plano horizontal necessitamos da ciência em nossas movimentações cotidianas, para verticalizarmos nossas conquistas não podemos prescindir de uma moral elevada consoante os ensinamentos contidos no Evangelho.
Para que o Cristo nascesse, Maria e José tiveram que subir da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém, significando assim a necessidade de subirmos espiritualmente para refletirmos o Cristo em toda sua grandeza.

Prossegue a Narrativa

O Evangelho de Lucas nos conta, então, que “a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos e deitou-se numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.”
Jesus vem à luz por meio de Maria. Assim narra o evangelista: “E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.”
“Virgem” aqui se refere a núbil (mulher em idade para se casar), ou mulher jovem que, em hebraico é almah, Era um termo usado quando se referia a uma donzela ou jovem casada recentemente, não havendo nenhuma referência em particular à virgindade como entendemos hoje.
Gabriel, então, disse: “E eis que em teu ventre conceberás, e dará à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.” Maria estava preparada, por isso pôde conceber Jesus em seu ventre, isto é, dentro de si.
E nós, o que estamos cultivando, o que estamos construindo dentro de nós mesmos? Quando estaremos preparados para trazer à luz o Cristo imanente em nós? Aquele que, segundo o texto evangélico, “será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.”
No entanto, Maria indaga: “Como se fará isso, visto que não conheço varão?” E respondendo o anjo, disse-lhe: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.”
A outra possível tradução para “Espírito Santo” é “sopro sagrado”, dando a entender a presença de Deus em nós quando a Ele estamos ajustados. Àquele tempo a presença de Deus (IHVH) era manifesta por uma nuvem, por isso o uso da expressão “cobrirá com sua sombra”

Nasce a Virtude nos Corações

A descida do “sopro sagrado” representa bem o momento de fecundação da virtude em nós. O valor vem do alto por meio da revelação superior, necessitando ser por nós absorvido e vivenciado para fixação, que se dá com o nascimento do novo ser em que nos transformamos a partir de então. Por isso, o Cristo é sempre fecundado pelo Espírito Santo.
“Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” Perfeitamente justada aos Desígnios Superiores, Maria se entrega totalmente a eles. É aquele momento em que há perfeito entendimento do mecanismo da vida, quando o Espírito sabe que o mais importante é atender a Vontade do Pai e, então cumpre-a fielmente. É a liberdade-obediência. Encontramos assim em Maria as três qualidades básicas para que o Cristo possa nascer: confiança, consciência e obediência sintetizadas na fé.

Mais Lições a Serem Aprendidas

Jesus envolvido em panos nos ensina a lição de simplicidade: enquanto nos preocupamos tanto com os acessórios em nossa vida do dia-a-dia, os Espíritos superiores ocupam-se com o que verdadeiramente é importante para a vida imortal.
A manjedoura é o tabuleiro em que se deposita comida para vacas, cavalos etc. em estábulos. Segundo Emmanuel em A Caminho da Luz, “a manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes.”
Por meio de Jesus colocado em um tabuleiro como alimento para animais, o Evangelho ensina-nos que, se quisermos deixar a condição de animalidade em favor de uma espiritualidade mais autêntica, é preciso que tenhamos o Cristo, ou a Boa Nova, por ele proposta, como alimento definitivo de nossas almas. Condição esta confirmada por ele mesmo quando mais adiante nos afirma: “Eu sou o pão da vida.” Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
Outra lição encontrada é a da resignação, “por que não havia lugar para eles na estalagem“. É muito comum este fato, quando nos ajustamos aos desígnios superiores e agimos em favor do amor e da fraternidade, não há para nós lugar onde se instala o interesse imediatista do mundo material.

A Visita dos Magos

Os Três MagosNarrada no Evangelho de Mateus, a visita dos magos e suas dádivas originaram as tradições de presentes no Natal. No entanto, dádivas seriam doações espontâneas de algo valioso, material ou não, a alguém; presente, oferta, mimo, brinde. Não é o que acontece atualmente no Natal.
Os presentes nem sempre são espontâneos, mas fruto de interesses outros. O que não tem valor material não é bem aceito como presente, mostrando assim a faixa de interesses a que estamos ajustados. A expressão “seus tesouros” que se refere aos presentes ofertados, dá a entender que estes já lhes pertenciam, ou seja, que já tinham sido por eles conquistados. Então deveríamos dar valores que já são nossos, nossas conquistas individuais, de nós mesmos e espontaneamente.
Os presentes também contêm significados. O ouro refere-se à autoridade sobre as coisas materiais; o incenso, à autoridade sobre as questões espirituais. A mirra é uma planta de cuja casca sai uma resina aromática. De aroma agradável e gosto amargo, na Antiguidade, segundo oDicionário Houaiss, ela era usada como incenso e remédio.
Pode revelar, desta forma, dois significados. Foi dado a Jesus o poder sobre as enfermidades: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si…“, diz Isaias, 53:4. E representa também a necessidade do testemunho (“gosto amargo”), testemunho este que dá o poder e autoridade sobre as enfermidades e sobre as questões materiais e espirituais.

O Personagem Principal

Se historicamente não podemos precisar com certeza onde e quando se deu a noite do nascimento de nosso Mestre Maior, é certo que ela aconteceu. Emmanuel assim a descreve em A Caminho da Luz: “Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da Natureza. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a ‘noite silenciosa, noite santa‘”.
Como já dissemos, o nascimento de Jesus representa o início de uma nova era em que a justiça se converte em amor, e a fraternidade pura, através de sua exemplificação, meta a ser alicerçada em nossos corações. Antes era o homem biológico, depois, o homem espiritual.
Na festa que preparamos ao final de cada ano, Jesus deveria ser personagem principal. Assim também, como devemos nos preparar para ela, qual a melhor vestimenta a usar?

Aqui deixamos duas passagens evangélicas para refletirmos sobre estes temas: uma de Mateus: “Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer, tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então, os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
Que façamos em nome do Cristo um Natal diferente. Que saiamos de nós mesmos, de nossos caprichos e desejos pueris, buscando atender as necessidades de nossos semelhantes mais carentes. Reclamamos do “pouco” que temos, mas quão muito é esse pouco se comparado ao enorme percentual da humanidade que muito menos tem, chegando a faltar até o básico necessário? Lembremos destas palavras: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes…”
Na outra passagem de Mateus, lemos: “E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo…” Para que possamos estar vestidos com a “túnica nupcial” é preciso estarmos ajustados ao fluxo da vida que é a Lei Superior, que é Amor. Os lírios “não trabalham e nem fiam”, mas cumprem a sua missão de enfeitar mesmo tendo nascido em condições adversas (brejo, lodo etc.).
Ao dizer que nem mesmo o Rei Salomão em toda a sua exuberância se vestiu como qualquer deles, a beleza que Jesus observa é a que vem de dentro, aquela gerada pela consciência tranquila do dever cumprido e do ajuste aos Propósitos Superiores.
Nada dá mais segurança e firmeza do que o Evangelho vivenciado. Assim, firmemo-nos em seus ensinamentos de moral superior e estaremos preparados para que o Cristo nasça em nós, e pelos frutos de nossas ações também possamos ser chamados de Filhos do Altíssimo ou Filho de Deus, por quem quer que seja.
Texto extraído da Revista Universo Espírita Nº 60.
Cláudio Fajardo é escritor com diversos livros publicados, entre eles a série Jesus Terapeuta. Ele também é autor do blog Espiritismo e Evangelho.
http://duplavista.com/arquivo/visao-espirita-do-natal

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NÃO FOI NO CENTRO ESPÍRITA!



A finalidade essencial do Espiritismo é a melhoria das criaturas
Orson Peter Carrara

     Se você indagar de qualquer pessoa que exerça a função de caixa num supermercado, farmácia, padaria, etc. sobre onde aprendeu o procedimento de registrar a compra do cliente e sua quitação com dinheiro vivo, cartão de crédito ou cheque, cada modalidade com suas características próprias de encaminhamento e processamento, ele não dirá que foi na escola, mas sim na própria rotina de trabalho, através de alguém que lhe repassou o conhecimento.
     O mesmo exemplo pode ser ampliado para outras práticas profissionais, onde o aprendizado ocorre na própria prática da atividade.
     O mesmo raciocínio ocorre na prática espírita nas instituições. Sempre houve alguém que repassou o conhecimento, orientou e encaminhou, com sua experiência, alguém que inicia e começa a trabalhar na seara espírita.
     Essa transmissão de conhecimento, todavia, está sujeita aos condicionamentos, vícios e ponto de vista alcançado na compreensão dos postulados do Espiritismo.
     Assim como a escola deveria possuir estrutura para transmitir a experiência da preparação profissional, ao invés de deterem-se apenas na transmissão do conhecimento (nem sempre devidamente assimilada), as instituições espíritas possuem objetivos definidos e claros de serem construtores e geradores do conhecimento, mas nem sempre esta é a realidade que se apresenta.
     Muitas vezes, limita-se à transmissão de informações com base em pontos de vista pessoais, sempre sujeitos aos equívocos de entendimento, vícios e condicionamentos a que todos, alunos em aprendizado que somos, estamos sujeitos.
     Por esta razão surgem as deturpações e práticas incoerentes, frutos diretos da inexata compreensão do Espiritismo, de seus fundamentos e objetivos, misturando-se misticismos, hábitos estranhos à Doutrina Espírita, disputas, vaidades e seus consequentes desdobramentos.
     Embora pareça paradoxal, referidas crises existentes nas instituições são naturais e benéficas porque elas proporcionam crescimento a aprendizado, levando à busca dos verdadeiros parâmetros.      Mas é fato real que muitas afirmações e práticas não foram transmitidas no centro espírita, embora sua tribuna e estrutura possivelmente tenham sido utilizadas. Foram transmitidas na ausência do conhecimento, através de nossos equívocos de entendimento.
     A construção do conhecimento solicita debates, questionamentos, troca de informações, análise ponderada de conceitos, dispensa de preconceitos, entendimento correto de palavras, parágrafos, gramática e mesmo, é óbvio, a exata compreensão do Espiritismo e seus fundamentos. Referidos conhecimentos, para serem adquiridos e assimilados, e, portanto, construídos interiormente, requerem firmeza e perseverança dos grupos e seus integrantes, pois a mera transmissão de informações assemelha-se a alguém que abrisse o próprio cérebro e colocasse sua massa cerebral para distribuir...
     Vejamos, todavia, com bons olhos, esse conflito e aparente disparate na diversidade de entendimento e práticas. Isso é salutar.
     Faz-nos pensar, convida à reflexão e oferece a multiplicidade das experiências para que igualmente sejam analisadas.
     Mas, há que se ater ao momento aflitivo com que se depara a Humanidade. O instante presente solicita que “menos competição e mais cooperação, deve ser a preocupação de todos espíritas sinceros, a fim de transferir a Doutrina para as futuras gerações, conforme a receberam do Codificador e dos seus iluminados trabalhadores das primeiras horas”, como acentua o Espírito Vianna de Carvalho e outros Espíritos-espíritas, na oportuna mensagem “Campeonato da Insensatez”, publicada pela revista “Reformador”,páginas 8 a 10 da edição de Outubro de 2006, na psicografia de Divaldo Franco.
     É que, acentua o Espírito: “Estais comprometidos, desde antes da reencarnação, com o Espiritismo que agora conheceis e vos fascina a mente e o coração. Tende cuidado! Evitai conspurcá-la com atitudes antagônicas aos seus ensinamentos e imposições não compatíveis com o seu corpo doutrinário.
     Retornar às bases e vivê-las qual o fizeram Allan Kardec e todos aqueles que o seguiram desde o primeiro momento, é dever de todo espírita que travou contato com a  Terceira Revelação judaico-cristã porque o tempo urge e a hora é esta, sem lugar para o campeonato da insensatez”.
Pois (e vale muito transcrever mais este parágrafo), continua o Espírito: “Não se dispõe de tempo (...) para a assistência aos sofredores e necessitados que aportam às casas espíritas, relegados a segundo plano, nem para a convivência com os pobres e desconhecedores da Doutrina, que são encaminhados a cursos, quando necessitam de uma palavra de conforto moral urgente... Os corações enregelam-se e a fraternidade desaparece.”
     Não é, pois, no centro que surgem tais dificuldades. É dentro de nós mesmos, espíritos-espíritas, encarnados mesmo (embora integrantes das instituições), necessitados todos da autêntica compreensão dos autênticos objetivos do Espiritismo, que não são outros senão como indicado no item 292 de O Livro dos Médiuns: “Não esqueçais que o fim essencial, exclusivo, do Espiritismo é a vossa melhora...”
     Tratemos, pois, com a máxima urgência, de nos adequarmos ao Espiritismo e não tentar adequar o Espiritismo ao nosso estreito, limitado e imperfeito ponto de vista pessoal, nem sempre coerente com o autêntico conhecimento à nossa disposição.                                                           


Orson Peter Carrara (Matão/SP)
Escritor e orador espírita. Constultor Editorial residente em Matão/SP, Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas e jornais do país, além de boletins regionais.  Autor dos livros "Causa e Casa Espírita" e "Espíritos - Quem são? O que fazem? Onde estão? Por que nos procuram?", seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.
http://api.ning.com/files/H6I48SW*-ngdv1FhUGeM-hUwl8p066rtg9sbCgykrHrkg2eXxlWi3gVeBmJ70Ps3OOlgJkIzoD5f1WjtAgmQUhBtYcgQwsx1/tituloartigospublicados.gif?width=235
 em http://www.redeamigoespirita.com.br/group/artigosespiritas/forum/topic/show?id=2920723%3ATopic%3A868376&xgs=1&xg_source=msg_share_topic