segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

IRLANDA DO NORTE-CONFLITO RELIGIOSO - (IN) TOLERÂNCIA RELIGIOSA.....UMA REFLEXÃO PARA A PAZ E O ECUMENISMO - 03


Irlanda do Norte ainda separa crianças católicas e protestantes nas escolas


Apesar das escolas mistas terem sido criadas em 1989 na Irlanda do Norte as crianças protestantes ainda preferem frequentar escolas de suas comunidades e as famílias católicas optam pelo mesmo. A separação entre os cristãos daquele país já gerou muitas guerras e muitas mortes, talvez por isso a convivência ainda não foi estabelecida por completo.
Na escola primária católica da cidade de Derry “Star of the Sea”,  voltada para meninas, há 286 crianças entre 8 e 9 anos, nenhuma delas é protestante, o que confirma essa tese de que a separação histórica ainda não acabou.
O primeiro-ministro, Peter Robinson, diz que é difícil construir um país tendo que educar as crianças separadamente. “Dadas nossas divisões históricas, penso que será difícil construir um país unido se continuarmos a educar nossas jovens crianças separadamente”, afirmou ele em abril de 2011.
De acordo com estudos locais 94% das crianças protestantes ainda frequentam escolas de suas comunidades, contra 92% no caso dos jovens católicos. Para a diretora do “Star of the Sea”, Vonnie Hunter, o motivo desses números seria a tradição. “Os pais ainda dão preferência às escolas associadas a suas comunidades por tradição, mas também porque ainda existe na mentalidade norte-irlandesa a ideia de que sua religião traz os melhores valores para educar as crianças”, afirmou.
Todos os professores precisaram obter “certificado de educação religiosa” para poder lecionar nas escolas. “Uma prova de seriedade para muitos pais, uma vez que eles não conhecem as referências dos professores nas escolas mistas”, disse Hunter.
Mas apesar disso a diferença entre os alunos que estudam em escolas separatistas e os que estudam em colégios mistos podem ser percebidos na forma como esses alunos passam a enxergar a história e o futuro do país. “Certas coisas mudaram em como vejo as comunidades, aprendi muitas coisas desde que fiz verdadeiros amigos católicos”, diz Paul, um adolescente de 14 anos que estuda na “Royal Belfast Academic Institution”.
Um estudo realizado pela socióloga Bernadette Hayes mostra que  65%% dos protestantes que passaram por uma escola mista se dizem a favor de uma união com a Grã-Bretanha, contra 80% entre o resto da população protestante. Entre os católicos, 35% dos alunos ou ex-alunos de escolas mistas são a favor de uma República Unida da Irlanda, contra 51% no geral
Dilemas sobre escolas mistas
Mesmo depois de mais de 20 anos de implantação as escolas mistas são pouco frequentadas na Irlanda do Norte, mas alguns pais já possuem a consciência de que é importante educar seus filhos com crianças de outras comunidades. Quem pensa assim é William Fague, católico, pai de dois garotos de 6 e 12 anos. “Do ponto de vista simbólico, era um comprometimento forte para mim, pensar que meus filhos iam jogar bolinha de gude com crianças protestantes”, disse.
Mas ao contrário de William, outros pais são temerosos em relação ao ensino religioso que será oferecido aos seus filhos e como saída para essa situação o diretor da escola protestante “Belfast Model”, Johnny Gragam, sugere escolas neutras.
“Seriam necessárias escolas neutras do ponto de vista religioso, mas que lugar na Irlanda do Norte é neutro? Enquanto os próprios bairros não forem mistos, os pais não poderão ser forçados a mandar seus filhos para escolas mistas”.
Além de dividir a sociedade da Irlanda do Norte entre católicos e protestante também acontece uma segregação social. “De alguns anos para cá, estamos tendo um número crescente de crianças que precisam ser acompanhadas por assistentes sociais, ou de pais que se encontram em situações econômicas terríveis e têm dificuldades para cuidar de seus filhos”, conta Vonnie Hunter, diretora da escola “Star of the Sea”.
Com informações Le Monde
http://intoleranciareligiosadossie.blogspot.com.br/2012/02/irlanda-do-norte-ainda-separa-criancas.html

DONOS DA RELIGIÃO - (IN) TOLERÂNCIA RELIGIOSA.....UMA REFLEXÃO PARA A PAZ E O ECUMENISMO - 02 -

POR FERNANDO BEN





Cada um tem uma preferência no estudo religioso, tenho conhecido pessoas maravilhosas em inúmeras religiões.
Meu pai é do Islam, minha falecida avó era católica, tenho primos evangélicos, amigos budistas, eu estudo o espiritismo.
Mas, em todas elas vislumbro de soslaio, quando posso. Uma realidade bastante constrangedora.
Existem os "donos da religião", que agem de acordo com a lei religiosa vigente, te oferecem cargos para você inflar o ego, aí você faz o que "eles" desejam e um dia, você questiona algo... algo simples, por dúvida mesmo. E se bater de frente com a idéias dos "donos da religião", simplesmente te afastam das atividades desta casa... não dizem nada... nem falam com você... nada dirão para os seus séquitos... apenas dizem: olha, nem percebi... e quando você vê, você volta a ser um excluído da religião ou da igreja ou casa que frequenta.

Parece-me e quero aprender muito sobre o assunto, que o verdadeiro templo é o corpo, o verdadeiro mestre as pessoas que te rodeiam e o verdadeiro motivo da vida é a mudança de comportamento, pois nos faculta a felicidade da consciência tranquila... o resto, são retalhos para encher o texto de algum livro auto-biográfico de pouco valor existencial.


http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/donos-da-religi-o

(IN) TOLERÂNCIA RELIGIOSA.....UMA REFLEXÃO PARA A PAZ E O ECUMENISMO - 01


ESPIRITISMO - PRECONCEITO E INTOLERANCIA RELIGIOSA - PADRE FABIO DE MELO FALA SOBRE CHICO XAVIER

Trecho editado da memorável entrevista que o Padre Fábio de Melo concedeu em 26.Jun.2010 no programa do SBT "De Frente com Gabi". Marília Gabriela perguntou tudo o que qualquer pessoa gostaria de perguntar (de forma respeitosa) a um padre da Santa Madre Igreja. Fábio a tudo respondeu com a classe e o equilíbrio que o caracteriza, e ao final, após comentar fatos reais que vivenciou com intolerância e preconceito religioso, enalteceu o trabalho que Chico Xavier realizou em favor do Bem Maior.

Uma pérola destilada por Fábio de Melo: "O mundo só vai ter solução no dia que a gente descobrir que, antes das nossas denominações religiosas, nós somos pessoas, com sonhos, esperanças e que o mundo vai ficar mais bonito, na medida em que, mesmo rezando em templos diferentes, depois do templo, a gente possa comer no mesmo restaurante." 

A entrevista completa pode ser vista nos links abaixo.

Padre Fábio de Melo no Programa De Frente com Gabi no SBT
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=dHMFGl...
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=ca8dS3...
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=jaoOjz...
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=NxsQr4...
Parte 5 - http://www.youtube.com/watch?v=XApQ-c...

Fábio de Melo
Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1b...

A Influência do Espiritismo sobre a Condição da Mulher



(Sociedade de Paris, 10 de maio de 1867 – Médium: Sr. Morin, em sonambulismo espontâneo)

Em todos os tempos os homens têm sido orgulhosos; é um vício constitucional, inerente à sua natureza. O homem – falo do sexo – o homem, forte pelo desenvolvimento de seus músculos, pelas concepções um tanto ousadas de seus pensamentos, não levou em conta a fraqueza a que se faz alusão nas santas Escrituras, fraqueza que fez a desgraça de toda a sua descendência. Julgou-se forte e serviu-se da mulher, não como de uma companheira, de uma família, mas dela se servindo do ponto de vista puramente bestial, transformando-a num animal bastante agradável e acostumando-a a manter respeitosa distância do senhor. Mas como Deus não quis que uma metade da Humanidade fosse dependente da outra, não fez duas criações distintas: uma para estar constantemente a serviço da outra. Quis que todas as suas criaturas pudessem participar do banquete da vida e do infinito na mesma proporção.
Nesses cérebros, por tanto tempo mantidos afastados de toda ciência como impróprios a receber os benefícios da instrução, Deus fez nascer, como contrapeso, astúcias que põem em xeque as forças do homem. A mulher é fraca, o homem é forte, concebe-se; mas a mulher é astuciosa e a ciência contra a astúcia nem sempre triunfa. Se fosse a verdadeira ciência, ela a venceria; mas é uma ciência falsa e incompleta, e a mulher facilmente encontra o seu calcanhar de Aquiles. Provocada pela posição que lhe era dada, a mulher desenvolveu o germe que sentia em si; a necessidade de sair do seu aviltamento lhe deu o desejo de romper suas cadeias. Segui sua marcha; tomai-a desde a era cristã e observai-a: vê-la-eis cada vez mais dominante, mas ela não consumiu toda a sua força; conservou-a para tempos mais oportunos e aproxima-se a época em que chegará a sua vez de a exibir. Aliás, a geração que se ergue traz em seus flancos a mudança que nos é anunciada desde muito tempo, e a mulher atual quer ter, na sociedade, um lugar igual ao do homem.
Observai bem; olhai os interiores e vede quanto a mulher tende a libertar-se do jugo; ela reina como senhora, por vezes como déspota. Vós a tivestes vergada por muito tempo; ela se empertiga como uma mola comprimida que se distende, pois começa a compreender que é chegada a sua hora.
Pobres homens! Se refletísseis que os Espíritos não têm sexo; que aquele que hoje é homem pode ser mulher amanhã; que escolhem indiferentemente, e por vezes de preferência, o sexo feminino, antes deveríeis regozijar-vos que vos afligir com a emancipação da mulher, e admiti-la no banquete da inteligência, abrindo-lhe de par em par todas as portas da Ciência, porque ela tem concepções mais finas, mais suaves, toques mais delicados que os do homem. Por que a mulher não poderia ser médica? Não é chamada naturalmente a prodigalizar cuidados aos doentes, e não os daria com mais inteligência se tivesse os conhecimentos necessários? Não há casos em que, quando se trata de pessoas de seu sexo, seria preferível uma médica? Muitas mulheres não têm dado provas de sua aptidão por certas ciências? da finura de seu tato nos negócios? Por que, então, os homens reservariam para si o monopólio, senão por medo de vê-las ganhar em superioridade? Sem falar das profissões especiais, a primeira profissão da mulher não é a de mãe de família? Ora, a mãe instruída é mais apta para dirigir a instrução e a educação de seus filhos; ao mesmo tempo que alimenta o corpo, pode desenvolver o coração e o espírito. Sendo a primeira infância necessariamente confiada aos cuidados da mulher, quando esta for instruída a regeneração social terá dado um passo imenso, e é o que será feito.
A igualdade do homem e da mulher teria ainda outro resultado. Ser senhor, ser forte, é muito bom; mas é, também, assumir grande responsabilidade. Partilhando o fardo dos negócios da família com uma companheira capaz, esclarecida, naturalmente devotada aos interesses comuns, o homem alivia a sua carga e diminui sua responsabilidade, ao passo que a mulher, estando sob tutela e, por isto mesmo, num estado de submissão forçada, não tem voto na matéria senão quando o homem houver por bem condescender em lho dar.
Diz-se que as mulheres são muito tagarelas e muito frívolas; mas, de quem a falta, senão dos homens que não lhes permitem a reflexão? Dai-lhes o alimento do espírito, e elas falarão menos; meditarão e refletirão. Acusai-as de frivolidade? Mas o que é que elas têm a fazer? – falo sobretudo da mulher do mundo – Nada, absolutamente nada. Em que ela pode ocupar-se? Se reflete e transcreve seus pensamentos, tratam-na ironicamente de mulher pedante. Se cultiva as ciências ou as artes, seus trabalhos não são levados em consideração, salvo raríssimas exceções e, contudo, como o homem, ela precisa de emulação. Lisonjear um artista é dar-lhe tom e coragem; mas, para a mulher, isto realmente não vale a pena! Então lhes resta o domínio da frivolidade, no qual elas podem estimular-se entre si. “Que o homem destrua as barreiras que seu amor-próprio opõe à emancipação da mulher e logo a verá alçar o seu vôo, com grande vantagem para a sociedade. Ficai sabendo que a mulher, como todos vós, tem a centelha divina, porque a mulher é vós, como vós sois a mulher.”
 http://sodecristo.org.br

O Espiritismo e a Mulher


Léon Denis


Mulher, um ser especial
Encontram-se, em ambos os sexos, excelentes médiuns; é à mulher, entretanto, que parecem outorgadas as mais belas faculdades psíquicas. Daí o eminente papel que lhe está reservado na difusão do novo Espiritualismo.
Malgrado às imperfeições inerentes a toda criatura humana, não pode a mulher, para quem a estuda imparcialmente, deixar de ser objeto de surpresa e algumas vezes de admiração. Não é unicamente em seus traços pessoais que se realizam, em a Natureza e na Arte, os tipos da beleza, da piedade e da caridade; no que se refere aos poderes íntimos, à intuição e adivinhação, sempre foi ela superior ao homem. Entre as filhas de Eva é que obteve a antiguidade as suas célebres videntes e sibilas. Esses maravilhosos poderes, esses dons do Alto, a Igreja entendeu, na Idade Média, aviltar e suprimir, mediante os processos instaurados por feitiçaria. Hoje encontram eles sua aplicação, porque é sobretudo por intermédio da mulher que se afirma a comunhão com a vida invisível.
Mais uma vez se revela a mulher em sua sublime função de mediadora que o é em toda a Natureza. Dela provém a vida; e ela a própria fonte desta, a regeneradora da raça humana, que não subsiste e se renova senão por seu amor e seus ternos cuidados. E essa função preponderante que desempenha no domínio da vida, ainda a vem preencher no domínio da morte. Mas nós sabemos que a morte e a vida são uma, ou antes, são as duas formas alternadas, os dois aspectos contínuos da existência.

Mediadora também é a mulher no domínio das crenças. Sempre serviu de intermediária entre a nova fé que surge e a fé antiga que definha e vai desaparecendo. Foi o seu papel no passado, nos primeiros tempos do Cristianismo, e ainda o é na época presente.
O Catolicismo não compreendeu a mulher, a quem tanto devia. Seus monges e padres, vivendo no celibato, longe da família, não poderiam apreciar o poder e o encanto desse delicado ser, em quem enxergavam antes um perigo.
A antiguidade pagã teve sobre nós a superioridade de conhecer e cultivar a alma feminina. Suas faculdades se expandiam livremente nos mistérios. Sacerdotisa nos tempos védicos, ao altar doméstico, intimamente associada, no Egito, na Grécia, na Gália, às cerimônias do culto, por toda a parte era a mulher objeto de uma iniciação, de um ensino especial, que dela faziam um ser quase divino, a fada protetora, o gênio do lar, a custódia das fontes da vida. A essa compreensão do papel que a mulher desempenha, nela personificando a Natureza, com suas profundas intuições, suas percepções sutis, suas adivinhações misteriosas, é que foi devida a beleza, a força, a grandeza épica das raças grega e céltica.
Porque, tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os

Mulher, mãe da vida...
heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos. Até aos sete anos o filho permanecia no gineceu sob a direção materna. E sabe-se o que foram as mães gregas, romanas e gaulesas. Para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações; porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora.
Essa benéfica influência da mulher iniciada, que irradiava sobre o mundo antigo como uma doce claridade, foi destruída pela lenda bíblica da queda original.
Segundo as Escrituras, a mulher é responsável pela proscrição do homem; ela perde Adão e, com ele, toda a Humanidade; atraiçoa Sansão. Uma passagem do Eclesiastes a declara “uma coisa mais amarga que a morte”. O casamento mesmo parece um mal: “Que os que têm esposas sejam como se não as tivessem” – exclama Paulo.
Nesse ponto, como em tantos outros, a tradição e o espírito judaico prevaleceram, na Igreja, sobre modo de entender do Cristo, que foi sempre benévolo, compassivo, afetuoso para com a mulher. Em todas as circunstâncias a escuda ele com sua proteção; dirige-lhe suas mais tocantes parábolas. Estende-lhe sempre a mão, mesmo quando decaída. Por isso as mulheres reconhecidas lhe formam uma espécie de cortejo; muitas o acompanharão até a morte.
A situação da mulher, na civilização contemporânea, é difícil, não raro dolorosa. Nem sempre a mulher tem para si os usos e as leis; mil perigos a cercam, se ela fraqueja, se sucumbe, raramente se lhe estende mão amiga. A corrupção dos costumes fez da mulher a vítima do século. A miséria, as lágrimas, a prostituição, o suicídio – tal é a sorte de grande número de pobres criaturas em nossas sociedades opulentas.
Uma reação, porém, já se vai operando. Sob a denominação de feminismo, um certo movimento se acentua legítimo em seu princípio, exagerado, entretanto, em seus intuitos; porque ao lado de justas reivindicações, enuncia propósitos que fariam da mulher, não mais mulher, mas cópia, paródia do homem. O movimento feminista desconhece o verdadeiro papel da mulher e tende a transviá-la do destino que lhe está natural e normalmente traçado. O homem e a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares. No ponto de vista da ação social, são equivalentes e inseparáveis.
O moderno Espiritualismo, graças às suas práticas e doutrinas, todas de ideal, de amor, de equidade, encara a questão de modo diverso e resolve-a sem esforço e sem estardalhaço. Restitui a mulher seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando-lhe a sublime função que lhe cabe desempenhar na educação e no adiantamento da Humanidade. Faz mais, reintegra-a em sua missão de mediadora predestinada, verdadeiro traço de união que liga as sociedades da Terra às do Espaço.
A grande sensibilidade da mulher a constitui o médium por excelência, capaz de exprimir, de traduzir os pensamentos, as emoções, os sofrimentos das almas, os altos ensinos dos Espíritos celestes. Na aplicação de suas faculdades encontra ela profundas alegrias e uma fonte viva de consolações. A feição religiosa do Espiritismo a atrai e lhe satisfaz as aspirações do coração, as necessidades de ternura, que estendem, para além do túmulo, aos entes desaparecidos. O perigo para ela, como para o homem, está no orgulho dos poderes adquiridos, na suscetibilidade exagerada. O ciúme, suscitando rivalidades entre médiuns, torna-se muitas vezes motivo de desagregação para os grupos.
Daí a necessidade de desenvolver na mulher, ao mesmo tempo que os poderes intuitivos, suas admiráveis qualidades morais, o esquecimento de si mesma, o júbilo do sacrifício, numa palavra, o sentimento dos deveres e das responsabilidades inerentes à sua missão mediatriz.
O Materialismo, não ponderando senão o nosso organismo físico, faz da mulher um ser inferior por sua fraqueza e a impele à sensualidade. Ao seu contato, essa flor de poesia verga ao peso das influências degradantes, se deprime e envilece. Privada de sua função mediadora, de sua imaculada auréola, tornada escrava dos sentidos, não é mais um ser instintivo, impulsivo, exposto às sugestões dos apetites mórbidos. O respeito mútuo, as sólidas virtudes domésticas desaparecem; a discórdia e o adultério se introduzem no lar; a família se dissolve, a felicidade se aniquila. Uma nova geração, desiludida e céptica, surge do seio de uma sociedade em decadência.
Com o Espiritualismo, porém, ergue de novo a mulher a inspirada fronte; vem associar-se intimamente à obra de harmonia social, ao movimento geral das idéias. O corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo; a essência da vida é o espírito, e nesse ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual. Assim, o moderno Espiritualismo restabelece o mesmo critério dos Celtas, nossos pais; firma a igualdade dos sexos sobre a identidade da natureza psíquica e o caráter imperecível do ser humano, e a ambos assegura posição idêntica nas agremiações de estudo.
Pelo Espiritismo se subtrai a mulher ao vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Sua alma se ilumina de clarão mais puro; seu coração se torna o foco irradiador de ternos sentimentos e nobilíssimas paixões. Ela reassume no lar a encantadora missão que lhe pertence, feita de dedicação e piedade, seu importante e divino papel de mãe, de irmã e educadora, sua nobre e doce função persuasiva.
Cessa, desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da Humanidade se aliam e equilibram no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência.