Convictos de que o Espírito escolhe as provações que experimentará na Terra, quando se mostre na posição moral de resolver quanto ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a reencarnação, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças que se lhe incorporam às preocupações.Não precisamos lembrar, nesse capítulo, as grandes calamidades particulares, quais sejam o homicídio, de que o autor arrasta as conseqüências na forma de extrema perturbação espiritual, ou o suicídio frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e aflitivos remanescentes.Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das decisões lamentáveis, que assumimos quando enleados no carro físico, se saber que lhe martelamos ou desagregamos as peças. Sempre que já tenhamos deixado as constrições do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples dever e que a prática do bem é o único antídoto eficiente contra o império do mal em nós próprios.Entretanto, rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do mal, criando em nós não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações fluídicas aptas a funcionarem como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-nos a vida.Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas, que nos rodeiam.Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou pesando nas estruturas nervosas que conduzem a dor.Mantidas tais conexões, surgem freqüentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão, nos mantêm no domínio das enfermidades – fantasmas que nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência.Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o equilíbrio e compreendendo no bem – expressando bondade e educação – a mais alta fórmula para a solução de nossos problemas.E ainda mesmo em nos sentindo enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos ajudando aos outros, na certeza de que, servindo ao próximo, serviremos a nós mesmos, esquecendo, por fim, o mercado da invigilância onde cada um adquire as doenças que deseja para tormento próprio.
Embarque em uma jornada de autodescoberta e transformação espiritual com nosso blog. Aqui, buscamos a meditação, a paz interior e a cura emocional como ferramentas para a busca de si mesmo. Nossos conteúdos abrangem temas que fazem bem a nosso espírito,histórias inspiradoras que iluminam o nosso caminho para a espiritualização. Celebramos a rica tapeçaria do conhecimento da vida,sem distinções.Apreciamos o belo,as trocas significativa, um espaço seguro para compartilhar, aprender e crescer.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Doenças Escolhidas
Convictos de que o Espírito escolhe as provações que experimentará na Terra, quando se mostre na posição moral de resolver quanto ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a reencarnação, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças que se lhe incorporam às preocupações.Não precisamos lembrar, nesse capítulo, as grandes calamidades particulares, quais sejam o homicídio, de que o autor arrasta as conseqüências na forma de extrema perturbação espiritual, ou o suicídio frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e aflitivos remanescentes.Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das decisões lamentáveis, que assumimos quando enleados no carro físico, se saber que lhe martelamos ou desagregamos as peças. Sempre que já tenhamos deixado as constrições do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples dever e que a prática do bem é o único antídoto eficiente contra o império do mal em nós próprios.Entretanto, rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do mal, criando em nós não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações fluídicas aptas a funcionarem como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-nos a vida.Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas, que nos rodeiam.Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou pesando nas estruturas nervosas que conduzem a dor.Mantidas tais conexões, surgem freqüentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão, nos mantêm no domínio das enfermidades – fantasmas que nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência.Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o equilíbrio e compreendendo no bem – expressando bondade e educação – a mais alta fórmula para a solução de nossos problemas.E ainda mesmo em nos sentindo enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos ajudando aos outros, na certeza de que, servindo ao próximo, serviremos a nós mesmos, esquecendo, por fim, o mercado da invigilância onde cada um adquire as doenças que deseja para tormento próprio.
domingo, 14 de outubro de 2012
“O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso”
Esta frase foi dita em novembro de 1868, na Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, por Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo.Circula
pela internet, e também em alguns periódicos espíritas, absurdas críticas à
literatura de Emmanuel. Trata-se, sem dúvida, de improfícua tentativa de
desmerecer a extraordinária obra do excelso médium Chico Xavier e de
entronizar-se a hegemonia ideológica desses agentes da perturbação.Não é
preciso fazer um grande esforço para identificar nesses irmãos a carência de
sensatez, pelo fato de se encontrarem inteiramente distanciados da Doutrina dos
Espíritos, engolfados nas malhas do fascínio obsessivo. Melancólicos críticos
de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, tais confrades permanecem no torpor
hipnótico, delirando no interior de uma composição descarrilada que culminou na
tolice apontada como "emmanuelismo", patrocinada por “espíritas” que não
têm mais o que fazer de útil. Essa ojeriza a Emmanuel há muito existe no
movimento Espírita, da mesma forma a aversão a André Luiz, desde a publicação
do livro Nosso Lar. Recentemente, deliberamos assistir a uma apresentação em
vídeo sobre o que apelidam de “Emmanuelismo”. Vimos; contudo, não suportamos a
mutilada pseudopesquisa e paramos de assistir para não obliterar nosso mundo
cerebral.Entre as “preciosidades” do conteúdo, afirma-se que até para os
próprios “espíritas” Emmanuel é um “pseudossábio”. Não sabemos em qual fonte
bebericaram para afirmação tão incoerente.
Emmanuel: um pseudossábio?
A fundamental descrição de Emmanuel que fazemos é: ele nem enaltece, nem
recrimina. Demonstra, conscientiza. É veemente, faz notar que os que se recuperam são incólumes aos horrores do
amanhã. Por isso exorta-nos à reforma íntima. Nós que o interpretamos, e
consentimos em admirá-lo, deixamos escapar um grito de conforto: "Sim, nós
somos capazes!” Isso é meio poético, mas é assim que sentimos o benfeitor
Emmanuel. É evidente que para um
espírita consciente o assunto cheira a discussão estéril, sem lógica. Retrucá-lo
pode ser perda de tempo, mas, mesmo assim, vamos utilizar um tempinho para
escrever sobre essa doideira, lembrando que teremos o cuidado para não
esbarrarmos na mesma faixa de sintonia. É risível o esforço dos confrades
(reencarnações tupiniquins dos ex-científicos do século XIX) que consideram
Emmanuel um pseudossábio. Quem consideram sábio? Afonso Angeli Torteroli? Ou
eles mesmos? irrisão!! Escrevemos com o propósito de alertar os leitores, pois
“conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um
dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos sejam enganados e se
tornem suas vítimas". (1)
Esses irmãos, sob o guante de fértil imaginação e
desnorteados no raciocínio, reverberam que o jovem “católico” Chico Xavier, quando
teve a visão mediúnica daquele que teria sido o padre Manoel da Nóbrega em
pretérita encarnação, e que passou a ser identificado como Emmanuel,
certificou-se de que este seria o seu mentor espiritual. Com isso, todo o
processo mediúnico do extraordinário médium mineiro teria sido plasmado por um
“misticismo católico”. (!?...)
Espiritismo: uma academia de expoente es do “saber”?Destarte,
os atuais idólatras de Torteroli (aquele “científico” que abusava da resignação
do “místico” Bezerra de Menezes, no século XIX) andam dizendo que, por ter sido
jesuíta, Emmanuel impôs um viés catoliquizante ao Movimento Espírita. Ora, se
esses companheiros estudassem com inteligência os princípios espíritas,
identificariam que o Espiritismo não precisou se catoliquizar com as sublimes
mensagens do grande arquiteto do catolicismo, o Doctor Gratia, Aurélio
Agostinho, ex-bispo de Hipona, que ditou dezenas mensagens insertas no
Pentateuco Kardeciano. O importante é a essência de suas orientações, que em
nada ferem a Terceira Revelação; ao contrário, contribuem para clareá-la ao
fulgor do Evangelho. "O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os
sentimentos religiosos em geral, e se aplica a todas as religiões; é de todas,
e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha ninguém que mude
de religião.” (2)
A rigor, o que está escamoteada na retórica desses
aventureiros da ilusão, sob o tema “Emmanuelismo”, é, nada mais nada menos, uma
restrição velada ao aspecto religioso da Doutrina Espírita sustentado dignamente
no Brasil pela FEB e abrilhantado por Chico Xavier na prática mediúnica. Esses
kardequeólogos “PhD’s de coisa nenhuma”, longe do uso do bom senso, insistem em
divulgar a “progressista” tese de que se é preciso fugir do “Cristo Católico”,
do religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de
expoentes do “saber”, sob a batuta deles, obviamente! Isso só pode ser chacota!
Jesus: o tipo mais perfeito, nosso guia e modelo Sob o império dessa compulsiva tendência
filosófica, vão para a internet, redigem livros, artigos, promovem palestras
inócuas, aguilhoados às diretivas telepáticas das “inteligências” sombrias do
Umbral. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o Cristo é o modelo de virtudes
para todos os homens, e não foi Emmanuel que o disse, mas os imortais que
participaram da codificação do Espiritismo e o próprio Kardec. Não nos custa
lembrar aqui o que lemos na questão 625 d´O Livro dos Espíritos: “Qual o tipo
mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e
modelo?” Resposta: “Jesus”.
Comentando a resposta, Kardec anotou, em seguida: “Para o
homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode
aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina
que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais
puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”. (L.E.,
item 625.)
Tais confrades têm-se colocado como vítimas da pecha de
afugentadores do Mestre Jesus das hostes doutrinárias. Trôpegos, cavalgam sem
norte, suspirando a falácia de que peregrinam o calvário do xenofobismo contra
eles. Talvez porque, numa entrevista cedida a confrades de Uberaba, Chico
advertiu: "Se tirarem Jesus do Espiritismo, vira comédia. Se tirarem
Religião do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência,
filosofia e religião. Se tirarem a religião, o que é que fica? Jesus está na
nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro
nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é
Jesus". (3)
Jesus: Messias divino, o enviado de Deus
Atacam, com o mesmo propósito, até a figura do pioneiríssimo
Olympio Teles de Menezes, alcunhando-o de espiritólico. As hordas das regiões
densas são poderosas e se "organizam", uma vez que têm, como meta, a
proscrição de Jesus dos estudos espíritas. Confrades esses, aprisionados por
astutos cavaleiros das brumas umbralinas, atestam que Kardec escreveu o
Evangelho para apaziguar os teólogos, tentando uma aproximação com a Igreja
(pasme, leitor, e acredite se quiser!).Ficam rubros de fúria quando leem
Kardec, que afirmou: "O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos
disso". (4) Além disso, o Espírito São Luís adverte que "os Espíritos
não vêm subverter a religião, como alguns o pretendem. Vêm, ao contrário,
confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis. Daqui a algum tempo, muito
maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e
crentes".(5) O mestre lionês assevera com todas as letras que o
"Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião e respeita
todas as crenças; um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que
os não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes". (6)
Para os arautos da antirreligião que afirmam ser "Jesus
somente o emergir de um arquétipo plasmado no inconsciente coletivo",
lembramos que o Mestre da Galileia foi a manifestação do amor de Deus, a
personificação de sua bondade. E para Kardec, o célebre pedagogo e gênio de
Lyon, o Cristo foi um Espírito superior, dos de ordem mais elevada e colocado,
por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre: “Pelos imensos
resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter
sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos
confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o
próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos
homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino”. (7)
Referências bibliográficas:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, RJ:
Ed. FEB, 2000, cap. X, 20:21
(2) Kardec,
Allan. Revista Espírita, fevereiro de 1862 - Resposta dirigida aos
Espíritas Lionenses por ocasião do Ano-Novo, Brasília: Edicel, 2001
(3) Entrevistas com Chico Xavier disponíveis em
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/espiritismo-sem-jesus.html
e http://www.meumundo.americaonline.com.br/eespirita/espiritismo_sem_jesus.htm
(4) Kardec, Allan.
Revista Espírita, dezembro de 1868, discurso de Kardec em reunião pública
realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas,
Brasília: Edicel, 2001
(5) Kardec, Allan. O
Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB,
2002, perg. 1.010 (a)
(6) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns RJ:
Ed. FEB, 2000, Capítulo III, Do Método, Item 24,
(7) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB,
1998, XV, item 2.
http://www.oconsolador.com.br/ano6/282/especial.html
terça-feira, 9 de outubro de 2012
INUMAR OU CREMAR, EIS A QUESTÃO
A despeito de ser
praticada desde a mais remota antigüidade, a cremação (incineração de um
cadáver até reduzi-lo a cinzas) é assunto controverso na opinião da sociedade
contemporânea ocidental. Em eras recuadas, a prática da cremação provinha de
duas razões diferentes: a necessidade de trazer de volta os guerreiros mortos,
para receberem sepultura em sua pátria, como sói ocorrer entre os gregos; ou de
fundamentos religiosos, como entre os nórdicos, que criam assim libertar o
Espírito de seu arcabouço físico e evitar que o desencarnado pudesse causar
danos aos encarnados.
Em Roma, quiçá,
devido ao ritual adotado para queimar os corpos dos soldados mortos, a cremação
se transformou em símbolo de prestígio social, de tal forma que a construção de
columbários([1]) tornou-se negócio rentável. De longa data, os indianos e
outros povos reencarnacionistas sabem que o corpo físico, uma vez extinto, não
mais pode ser habitado por um Espírito, pois isso contraria a Lei Natural;
portanto, o cadáver poderá ser cremado, transformado em cinzas, sem qualquer
processo traumático.
As obras da
codificação espírita nada dizem a respeito da cremação. Por isso, cremos que o
problema da incineração do corpo merece mais demorado estudo entre nós. Até
porque, se para uns o processo crematório não repercute no Espírito, para
muitos outros, por trás de um defunto, muitas vezes, esconde-se a alma inquieta
e sofrida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de
angústia. Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata dos
restos mortais será pesadelo terrível e doloroso.
Existem correntes
ideológicas avessas à cremação, quase sempre embaladas por motivo de ordem
médico-legal (nos casos estabelecidos em lei, quando envolva morte violenta,
por interesse público); ou movida por razão de ordem afetiva (porque os
familiares acham uma violência a incineração do corpo e querem preservar os
restos mortais para culto ao morto); ou, ainda impulsionada pela lógica de
ordem religiosa (porque muitas pessoas ainda acreditam na ressurreição do corpo
etc) principalmente, porque a Igreja de Roma era contra o ato e até negava o
sacramento às pessoas cremadas. Poderíamos, ainda, acrescentar mais uma objeção
– talvez a mais séria: o desconhecimento das coisas do Espírito, que persiste,
em grande parte, por medo infundido, preconceito arraigado e falta de
informação.([2])
Além disso, a
questão que envolve a cremação tem implicações sociológicas, jurídicas,
psicológicas, éticas e religiosas. Até porque, o tema diz respeito a todas as
pessoas (lembremos que todos nós, ante a fatalidade biológica, iremos
desencarnar). De acordo com tese de pesquisa sobre o tema, a cada 70
anos o planeta terá o número de enterrados na mesma quantidade de encarnados
atuais, ou seja: daqui a sete décadas terá 6 bilhões de cadáveres sepultados.
Enquanto os
profitentes do enterro tradicional (inumação) o defendem por aguardarem, o
juízo final e a ressurreição do corpo físico, os que defendem a cremação,
afirmam que o enterramento tem conseqüências sanitárias e econômicas, e nesse
raciocínio explicam que os cemitérios estariam causando sérios danos ao meio
ambiente e à qualidade de vida da população em geral. Laudos técnicos atestam
que cemitérios contaminam a água potável que passa por eles e conduz sério
risco de saúde humana às residências das proximidades, além das águas de
nascentes podem também contaminar quem reside longe dos cemitérios.
O planeta tem seus
limites espaciais o que equivale dizer que bilhões e bilhões de corpos enterrados
vão encharcar o solo, invadir as águas com o necrochorume (líquido formado a
partir da decomposição dos corpos que atacam a natureza, as quais provocariam
doenças), disseminando doenças e outros riscos sobre os quais sanitaristas e
pesquisadores têm se preocupado. Por outro lado, o uso da cremação diminuiria
os encargos básicos econômicos, como por exemplo: adquirir terreno para
construir jazigo; a manutenção das tumbas; nas grandes capitais falta de espaço
para construir cemitérios etc. Pelo menos em ralação ao nosso País fiquemos,
por enquanto, sossegados, pois, como lembra Chico Xavier“ ainda existe bastante
solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar
apressadamente costumes em pleno desacordo com a nossa feição espiritual.([3])
Sob o enfoque
espiritual o assunto é mais complexo quando consideramos que muitas vezes “o
Espírito não compreende a sua situação; não acredita estar morto, sente-se
vivo. Esse estado perdura por todo o tempo enquanto existir um liame entre o
corpo e o perispírito. ([4]) O perispírito, desligado do corpo, prova a
sensação; mas como esta não lhe chega através de um canal limitado, torna-se
generalizado. Poderíamos dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em
todo o seu ser, chegando assim ao seu sensorium commune ([5]), que é o próprio
Espírito, mas de uma forma diversa.
Ressalta Kardec,
“Nos primeiros momentos após a morte, a visão do Espírito é sempre turva e
obscura, esclarecendo-se à medida que ele se liberta e podendo adquirir a mesma
clareza que teve quando em vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos
opacos”.[6] Dessa forma, o homem que tivesse vivido sempre sobriamente se
pouparia de muitas tribulações e menos sentirá as sensações penosas. Portanto,
para ele, que vive na Terra tão somente para o cultivo da prática do bem, nas
suas variadas formas e dentro das mais diversas crenças, a desencarnação não
significa perturbações em face de sua consciência elevada e do coração amante
da verdade e do amor.
Ao ser indagado se
o recém-desencarnado pode sofrer com a incineração dos despojos cadavéricos,
Emmanuel respondeu: “Na cremação, faz-se mister exercer a caridade com os
cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras
materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade
entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o ‘tônus vital’, nas
primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que
ainda solicitam a alma para as sensações da existência material”.([7])
Chico Xavier, ao
ser questionado no programa “Pinga Fogo”, da extinta TV Tupi, de São Paulo,
pelo jornalista Almir Guimarães, quanto à cremação de corpos que seria
implantada no Brasil, à época, explicou: “Já ouvimos Emmanuel a esse respeito,
e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que
haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em
qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos
humanos em ambiente frio” (.[8]) (grifamos) porém, Richard Simonetti, em seu
livro “Quem tem Medo da Morte” lamenta que “nos fornos crematórios de São
Paulo, espera-se o prazo legal de 24 horas, inobstante o regulamento permitir
que o cadáver permaneça na câmara frigorífica pelo tempo que a família
desejar”.([9]) Nesse caso o prazo poderia ser maior.
O Espiritismo não
recomenda nem condena a cremação. Mas, faz-se necessário exercer a piedade com
os cadáveres, protelando por mais tempo a incineração das vísceras
materiais([10]) pois, existem sempre muitas repercussões de sensibilidade entre
o Espírito desencarnado e o corpo onde se esvaiu o "fluido vital",
nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que
ainda solicitam a alma para as sensações da existência material. A impressão da
desencarnação é percebida, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos.
Destarte, recomenda-se aos adeptos da Doutrina Espírita que desejam optar pelo
processo crematório prolongar a operação por um prazo mínimo de 72 horas após o
desenlace.
Jorge Hessen
FONTES DE
REFERÊNCIAS:
([1]) edifício com
nichos para as urnas funerárias
([2]) A Igreja
romana, por ato do Santo Ofício, desde 1964, resolveu aceitar a cremação,
passando a realizar os sacramentos aos cremados, permitindo as exéquias
eclesiásticas. Aliás, em nota de rodapé de seu “Tratado” (vol. II. P. 534), o
professor Justino Adriano registra o seguinte: “Jésus Hortal, comentando o novo
Código de Direito Canônico diz que a disciplina da Igreja ‘sobre a cremação de
cadáveres, a que, por razões históricas, era totalmente contrária, foi
modificada pela Instrução da Sagrada Congregação do Santo Ofício, de 5 de julho
de 1963 (AAS 56, 1964, p. 882-3). Com as modificações introduzidas pelo novo
Ritual de Exéquias, é possível realizar os ritos exequiais inclusive no próprio
crematório, evitando, porém, o escândalo ou o perigo de indiferentismo
religioso.
([3]) Xavier,
Francisco Cândido. Escultores de Almas, SP: edição CEU, 1987.
([4]) Ensaio
teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI item IV, questão 257 Livro dos
Espíritos).
([5]) Sensorium
commune: expressão latina, significando a sede das sensações, da sensibilidade.
(N. do E.).
([6]) Ensaio
teórico sobre a sensação nos espíritos (cap. VI, item IV, questão 257 Livro dos
Espíritos)
([7]) Xavier,
Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB 11
ª edição, 1985, pg 95.
([8]) As duas
entrevistas históricas realizadas ao saudoso Francisco Cândido Xavier na
extinta TV Tupi/SP canal 4, em 1971 e 1972, respectivamente, enfaixadas nos
livros Pinga Fogo com Chico Xavier (Editora Edicel) e Plantão de Respostas -
Pinga Fogo II (Ed. CEU),
([9]) Simonetti,
Richard.Quem tem Medo da Morte, SP: editora CEAC, 1987.
([10]) Depoimento
de Chico Xavier in Revista de Espiritismo nº. 33 (FEP) Out/dez 1996.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
ESPIRITISMO BY ANDRE LUIZ
"O Espiritismo tem por missão fundamental, entre os homens, a reforma interior de cada um, fornecendo explicações ao porquê dos destinos, razão pela qual muitos conceitos usuais são por ele restaurados ou corrigidos." (ANDRÉ LUIZ, O Espírito da Verdade, FEB, 8)
"Desde a primeira hora da Doutrina Espírita recomendam os Emissários da Esfera Superior uma reforma urgente, inadiável, intransferível: a reforma de cada um de nós, nas bases traçadas pelo Evangelho de Jesus." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 39, CEC)
"O raciocínio descobre a vizinhança entre a fé e o entendimento e a distância entre a fé o fanatismo." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 19, CEC)
"O espírita está informado de que o acaso não existe." (ANDRÉ LUIZ,Conduta Espírita, FEB, 18)
"A Doutrina Espírita está alicerçada na lógica e para ser espírita é impossível fugir dela." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 9)
"O Espiritismo é a doutrina da fé raciocinada." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 26)
"A Doutrina Espírita nos recomenda a fé raciocinada para que, desde a existência terrestre, possamos compreender que é lícito admirar o pensamento alheio e até seguí-lo, quando a isso nos decidamos, mas é preciso pensar por nós, a fim de que não venhamos a cair irrefletidamente no resvaladouro do erro ou no visco da obsessão." (ANDRÉ LUIZ, Sol nas Almas, 17)
"A Doutrina Espírita é o instituto universal de ensino e proteção, instalado por Allan Kardec, sob orientação do Mestre dos Mestres - Jesus Cristo." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 46)
"O Espiritismo abrange com a sua influência regenerativa e edificante não apenas a individualidade, mas também todos os círculos de atividade em que a pessoa respire." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 5)
"Doutrina que restaura o Cristianismo em sua pureza, é a religião natural da consciência na Terra e no Universo." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 55, CEC)
"O Espiritismo não é simples religião igual às demais: é um método de viver." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 58, CEC)
"O Espiritismo é religião de livre exame, sem poderes humanos que lhe domestiquem as manifestações." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 4, CEC)
"O Espiritismo não pactua com interesses puramente terrenos." (ANDRÉ LUIZ, Conduta Espírita, 10, FEB)
"A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana." (ANDRÉ LUIZ, Conduta Espírita, 10, FEB)
"O Espiritismo não tem chefes humanos e nenhum dos seareiros do seu campo de multiformes atividades é imprescindível no cenário de suas realizações." (ANDRÉ LUIZ, Conduta Espírita, 46, FEB)
"A Doutrina Espírita entra no cenário do mundo, precisamente quando a investigação científica arreda para longe todos os resíduos das superstições humanas, a fim de mostrar que religião é sinônimo de vida eterna." (ANDRÉ LUIZ, Sol nas Almas, 22, CEC)
"Doutrina do discernimento, o Espiritismo nos acorda para a valorização das forças da vida, ensinando-nos a preservá-la e a empregá-la com o proveito devido." (ANDRÉ LUIZ, Sol nas Almas, CEC, 3)
"Doutrina Espírita é mensagem de Cristo, anunciando-nos que a felicidade de crer não está unicamente conjugada à responsabilidade de agir, mas também ao júbilo de criar, sentir, continuar e viver." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas,22, CEC)
"Espiritismo é sublime manancial de energia espiritual." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 51, CEC)
"Pode-se caminhar de muitas maneiras, com inúmeros padrões existenciais, porem, para seguir segundo o Espiritismo só existe uma única medida em todas as situações da romagem humana - o metro da caridade sob a luz da consciência." (ANDRÉ LUIZ, Sol Nas Almas, 58, CEC)
"Espiritismo é caridade em movimento." (ANDRÉ LUIZ, O Espírito da Verdade, 2, FEB)
"A Doutrina Espírita, revivescendo o ensino de Jesus, não desconhece que a necessidade humana espera corações, cérebros e braços empenhados em resolver-lhes os trágicos desafios." (ANDRÉ LUIZ, Sol nas Almas, 40, CEC)
"O espírita vive como vivem os outros, mas em todas as manifestações da existência é chamado a servir aos outros, através da atitude." 9ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 3, CEC)
"O amor é o coração do Evangelho e o espírito do Espiritismo chama-se caridade." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 19, CEC)
"O Espiritismo ensinar-te-á como viver proveitosamente, em plenitude de alegria e de paz, ante o determinismo da evolução." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, 35, CEC)
"Justa, dessa forma, a iniciativa de trazer a Doutrina Espírita à concorrência honesta das normas que as religiões e as filosofias apresentam às criaturas, no sentido de lhes facilitar a existência." (ANDRÉ LUIZ, Opinião Espírita, Prefácio)
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Chico Xavier - Coleção Completa
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