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sábado, 30 de março de 2013

PERDÃO - Perguntas e respostas com Richard Simonetti



1 – Um dos temas preferidos de Jesus é o perdão. Em inúmeras passagensevangélicas o recomenda. Onde fica a justiça?
A justiça é assunto de Deus. O perdão é necessidade nossa. Não fazemos nenhumfavor ao perdoar o ofensor.  A mágoa, o ressentimento, o rancor, o ódio, corroem nossas entranhas. Se perdoamos, ficamos livres.
2 – Deus perdoa?

Está superado o Jeová, o Deus implacável da tradição mosaica, disposto a vingar-se até a quarta geração daqueles que o aborreciam. Jesus nos mostra o Deus Pai, de infinito amor e misericórdia, sempre pronto a relevar nossas impertinências. Ocorre que o Senhor nos programou para o Bem, de tal forma que quando nos comprometemos com o mal é como se nos agredíssemos, colhendo desajustes e dores que reajustam nossas emoções e corrigem nossos rumos.
3  – Por isso Jesus diz, na cruz, que seus ofensores não sabiam o que estavam fazendo?
O envolvimento com o mal, quando levamos prejuízos ao semelhante, tem consequências danosas para nós. Se as pudéssemos avaliar em toda sua extensão haveríamos de cortar a própria mão antes de agredir alguém, ou a própria língua,antes de nos comprometermos na injúria.
4 – Considerando que o ofendido é uma vítima, não tem o direito de sentir-se magoado e ressentido?
Sem dúvida, mas não é conveniente. Mágoas, rancores, ressentimentos, são desajustantes. Perturbam os mecanismos imunológicos e favorecem a evolução de doenças graves, como o câncer.
5 – E quando a pessoa diz: “perdoo, mas nunca mais lhe dirigirei a palavra?”
Não perdoou. Apenas emitiu uma sentença condenatória. O desafeto pode até gostar, mas não é conveniente, principalmente quando essa situação surge no relacionamento familiar. Quando pais e filhos, marido e mulher, castigam-se mutuamente com o mutismo, a afetividade, a alegria e o bem-estar vão embora.
6  – Perdoar talvez não seja difícil; o problema é esquecer… esquecer, apenas cultiva a volúpia da mágoa. E cada vez que lembra o mal que lhe fizeram, exercitando a vocação para vítima, sofre tudo outra vez. É como jogar ácido num ferimento, ao invés de curá-lo com cicatrizante.
7 – Isso significa que esquecer os prejuízos que nos causaram é o mínimo que podemos fazer em favor de nossa própria estabilidade?
Exatamente. Se os ofensores não sabem o que fazem, algo semelhante ocorre com os que não perdoam. Não têm idéia dos desajustes e sofrimentos a que se submetem, não pelo mal que lhes fizeram, mas pelo mal que estão fazendo a si mesmos.
8 – Qual a atitude mais razoável, diante das ofensas?
Não ter que perdoar. Basta que cultivemos a compreensão. Quem compreende jamais se sente ofendido. Com ela aprendemos que cada pessoa está numa faixa de evolução, de entendimento. Não podemos exigir que  mais do que tem. E ninguém é intrinsecamente mau. Somos todos filhos de Deus



quinta-feira, 14 de março de 2013

Espiritismo e o novo papa, Francisco


Espiritismo e o novo papa, Francisco
Francisco é o maior líder cristão do mundo. No Brasil temos o privilégio de conviver com as mais variadas denominações religiosas, a grande maioria cristãs. Às vezes nos esquecemos de que todos somos cristãos, mesmo que com visões bem diferentes. E dentre os cristãos, foi escolhido hoje o representante do catolicismo, que conta, entre seus adeptos, com uma em cada seis pessoas no mundo. Não é pouca coisa.
Por isso a importância de refletirmos sobre o que representa e, acima de tudo, o que pode representar para o mundo, ou para o Brasil, que nos toca mais de perto (que os meus leitores de Portugal e Angola me perdoem o bairrismo).
Há fatores que chamam a atenção em relação ao novo papa. É um latino-americano, jesuíta, conservador e com posições políticas bem definidas. A escolha de um papa argentino pode contar com a antipatia de brasileiros menos esclarecidos, que se deixam influenciar pela grande mídia, principalmente esportiva, e acreditam que exista uma rivalidade entre Brasil e Argentina. Bobagem. 
A espiritualidade superior certamente acompanha com grande interesse a missão cósmica do papa Francisco. A missão de guiar espiritualmente mais de um bilhão de espíritos encarnados na Terra neste período de transição. É a oportunidade que a América Latina recebe para propor inovações ao Velho Mundo.
A exemplo de João Paulo II, há uma tentativa, por parte de Francisco, de aproximação com outras denominações cristãs. Em 2006, num evento com a presença de evangélicos pentecostais e católicos carismáticos, o então cardeal Bergoglio, hoje papa Francisco, pediu e recebeu, de joelhos, uma oração dos pastores presentes. Dificilmente os espíritas irão contar com a boa vontade do novo papa, mas uma harmonia em nome do cristianismo já está de bom tamanho. 
Muito se tem falado em crise na Igreja Católica, e é verdade que ela vem perdendo fiéis. Mas a crise que nós percebemos não é no catolicismo, é uma crise instalada nos costumes da população mundial, é uma crise cultural global. Francisco terá muito trabalho. Se lembrarmos, sem preconceito e sem ranços históricos, que o principal objetivo da Igreja Católica é a evangelização (e nisso a Companhia de Jesus é tradicional na América do Sul), perceberemos que sua missão é nobre, é o preparo dos espíritos encarnados, neste despontar do terceiro milênio, para as mudanças planejadas para o planeta. No meio espírita este assunto é comum – transição planetária, mudanças na Terra – mas seria ridículo pensar que as mudanças em curso serão protagonizadas exclusivamente por espíritas. Esperamos que Francisco tenha forças para encetar essas mudanças.
O novo papa é um homem de costumes simples. Talvez dê ênfase ao combate ao materialismo consumista e destruidor que viceja hoje. Há um grande planejamento espiritual em curso, é fácil perceber que a escolha do novo papa faz parte disso.
Muito se critica o conservadorismo católico. Mas os conservadores são necessários em qualquer corrente de pensamento. Sem o conservadorismo não há base, não há linha-mestra. Pessoalmente acho que o catolicismo vai perder muito mais fieis do que vem perdendo, principalmente no Brasil. As pessoas buscam resultados diretos e palpáveis para as suas vidas, um envolvimento espiritual mais humano e menos formal. Encontram isso nas diversas igrejas evangélicas e no espiritismo. Os que restarem no catolicismo serão religiosos de fato, não apenas seguidores tradicionais. Então ressurgirá uma nova Igreja, muito mais dinâmica e ativa, com um papel destacado na sociedade. Uma Igreja evangelizadora e tolerante, ativa nas questões ambientais e sociais e ciosa da integridade moral de seus representantes.
A escolha de um papa latino-americano é significativa. É prenúncio de mudanças profundas, que podem não se concretizar no papado de Francisco, mas que começarão agora. É forte a possibilidade de que o diálogo religioso e cultural se consolide no mundo. Parabéns aos católicos. Parabéns aos argentinos. Parabéns aos cristãos. Estejamos unidos em objetivos superiores.
http://www.espiritoimortal.com.br/espiritismo-e-o-novo-papa-francisco/