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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A mudança de hábitos não está nas palavras e nem nos atos

por André Ariovaldo em  http://www.andreariovaldo.com.br/artigo/53/a-mudanca-de-habitos-nao-esta-nas-palavras-e-nem-nos-atos.html

"A mudança de hábitos não está nas palavras e nem nos atos, mas na tomada de consciência e quando isto ocorre, a tela da nossa vida se modifica imediatamente."


Não somos um cisco, mas centelhas divinas cheias de recursos e com um horizonte que nos reserva uma felicidade inalterável e indizível.

Levanta-te e anda, eis a proposta do Evangelho.

Assumir a si mesmo e seguir em frente, sem medo de experimentar as provas que Deus põe em nosso caminho, nos faz avançar rapidamente na senda do progresso. Tudo o que temos na vida é um retorno do que damos a ela e se nos movimentarmos de forma diferente, obteremos resultados novos que nos remeterão à paz e à felicidade, ainda na Terra.

Nossas forças são ilimitadas e só esmorecemos quando a ignorância se torna maior que a confiança que depositamos em Deus. Se a visão que temos da vida tende ao materialismo, por consequência teremos uma vida difícil e sofrida, pesada e que sufoca, mesmo que financeiramente sejamos capazes de comprar nossa lista de desejos. A paz e a tranquilidade não estão na matéria e se nos mantemos aliados à vida física, mais que à espiritual, faremos prevalecer em nós uma visão deturpada e confusa sobre os nossos verdadeiros compromissos no mundo e perante Deus e nos estimularemos a não respeitar o próximo nem a nós mesmos, pois em falta de perspectiva de futuro, valorizaremos o presente, o aqui e o agora. Tal observação não é indicada somente aos materialistas, mas também a espiritualistas e mesmo a espíritas que, embora dotados de uma visão que se expanda além da matéria, insiste em adotar atos que indicam mais o materialismo imediato do que o espiritualismo imortal.

Observa ao teu redor o quanto você possui de recursos e oportunidades e verá que não utiliza nem 10% de todas as ferramentas que Deus lhe deu para a conquista da sua paz, esta mesma paz que você constantemente reivindica a Deus, como se Ele houvesse lhe privado disto.

Nossa intolerância e desonestidade com nós mesmos faz com que o mundo ao nosso redor se torne mesquinho e desonesto, pois é um reflexo do que carregamos no peito.

A mudança de hábitos não está nas palavras e nem nos atos, mas na tomada de consciência e quando isto ocorre, a tela da nossa vida se modifica imediatamente e naturalmente nos comportamos diferente e falamos coisas diferentes.

Que o nosso esforço nos impulsione a compreendermos e a nos conscientizarmos dos nossos deveres e do nosso poder pessoal; a valorizarmos a nós 
mesmos como os deuses que somos; a tomarmos consciência dos motivos que nos fazem sofrer. Nossa vida só possui sofrimentos porque a nossa dificuldade de escolha gera resultados insatisfatórios, mas somos nós mesmos os responsáveis pela história de dor ou felicidade que experimentamos, esteja a causa disto na vida atual ou mesmo em vidas passadas. 

Levanta-te e anda!

Só depende de nós a nossa felicidade e só o fato de compreendermos isto já é motivo de felicidade, pois indica que para sermos felizes não dependemos de ninguém, senão de nós mesmos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MEDICINA NÃO RECONHECE OBSESSÃO


MEDICINA NÃO RECONHECE OBSESSÃO
Medicina não reconhece obsessão
Em termos históricos sabe-se que a Medicina Ocidental como um todo e a Psiquiatria, em particular, têm apresentado posturas de negligência ou oposição em relação à religiosidade e à espiritualidade. A negligência se evidencia por desconsiderar a importância desses dois aspectos em termos de saúde ou por se encontrarem à margem do interesse principal. Por outro lado a oposição ocorre por se acreditar que as diversas experiências ditas religiosas eram características marcantes de psicopatologias das mais variadas. No entanto, diversos estudos têm surgido apresentando associação positiva entre religiosidade/espiritualidade e saúde. O destaque maior se direciona para os transtornos mentais e de conduta, indicando que a religiosidade é fator protetor para o suicídio, abuso de drogas e álcool, comportamento delinqüente, sofrimento psicológico e alguns diagnósticos de psicoses funcionais. Também se sabe que pacientes deprimidos os quais mantém algum vínculo religioso permanecem menos tempo internados comparados aos não religiosos.
Atenta a esses estudos a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem discutido, desde 1983 na Assembléia Mundial de Saúde, a inclusão da dimensão “espiritual” no seu clássico conceito de saúde. Dessa forma, saúde seria considerada “um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social e não meramente a ausência de doença”. No entanto, o assunto permanece em discussão e a OMS tem rejeitado a modificação do conceito já conhecido nas mais diversas Assembléias que tem realizado desde então. Por outro lado, devido à importância crescente a qual tem obtido a qualidade de vida como medida de avaliação de resultados de tratamento médico a OMS desenvolveu o World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-100). Através de tal instrumento buscou-se, em primeiro lugar, conceituar-se qualidade de vida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
O WHOQOL-100 consiste em 100 perguntas referentes a seis domínios, entre os quais o domínio “espiritualidade/religiosidade/crenças pessoais”. A elaboração deste domínio conta com a base conceitual de qualidade de vida transcrito acima e é descrita como sendo a faceta a qual “examina as crenças da pessoa e como estas afetam a qualidade de vida”. É importante salientar a ênfase dada aos termos “contexto da cultura”, “sistema de valores” e “crenças da pessoa”. O construto espiritualidade para a OMS apresenta o valor intrínseco para avaliação em saúde e o quanto essa dimensão oferece ao indivíduo um referencial de significados para enfrentar as suas dificuldades de doença. Com isso, conclui-se que a espiritualidade não é considerada no seu valor ontológico com a aceitação de uma realidade espiritual “imaterial”. Isso, diferente do que é indicado pela Doutrina Espírita a qual considera o Espírito com um Ser real e admite o intercâmbio com inteligências extracorpóreas, além da pluralidade das existências.
Outro ponto a ser considerado são os fenômenos psíquicos caracterizados, sobretudo por experiências psicóticas e anômalas as quais são frequentes na população geral sem indicar, necessariamente, transtornos psicóticos ou dissociativos de caráter patológico. O diagnóstico diferencial entre tais experiências, em especial as de conteúdo espiritual e religioso, e os transtornos mentais citados é essencial para se evitar diagnósticos errôneos e iatrogenia. Nesse ponto a OMS através da Classificação Internacional de Doenças (CID 10), assim como da 4° Edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, busca direcionar a atenção clínica com o objetivo de justificar a avaliação de experiências religiosas e espirituais vivenciadas em fenômenos de “transe e possessão” como parte constituinte da investigação psiquiátrica sem, no entanto, caracterizá-las como psicopatológicas. No entanto, tais manuais não tratam de etiologia e, portanto, em hipótese alguma, cogitam a ação de seres extracorpóreos sobre seres que sofrem tais experiências. Mais uma vez, a visão, nesse sentido, obedece ao “contexto da cultura”, o “sistema de valores” e a “crença da pessoa”. A Medicina, dessa forma, não reconhece a obsessão.
É inegável que a Ciência dita oficial deve, sem dúvida alguma, abrir-se a novas hipóteses se isentando de todo e qualquer preconceito. Aliás, são os preconceitos os quais tem levado à idéia equivocada do materialismo como fato científico. Pode-se, no máximo, afirmar que o materialismo é crença e é nela que têm se baseado teorias reducionistas que por hora não tem encerrado o debate, por exemplo, da relação mente-corpo. Porém, ainda existe uma enorme distância entre a compreensão do que é a dimensão espiritual para a comunidade científica vigente e a maneira com a qual é descortinada pela Doutrina Espírita. A “pobreza da linguagem humana”, tal qual colocado de forma constante pelos Espíritos em “O Livro dos Espíritos”, leva os indivíduos a se utilizarem de termos iguais para definirem idéias diferentes. Haja vista os termos “espiritualidade”, “transe” e “possessão” conforme transcrito acima. Kardec, em a Introdução do “Livro dos Espíritos”, “Ao Estudo da Doutrina Espírita”, já alerta para a “confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras”. Tal confusão ocorre nos mais diversos segmentos da sociedade e nas mais distintas culturas. No meio científico não é diferente.
Mas, além disso tudo, o Espiritualismo no seu sentido geral, caso não se baseie em sólidas bases filosóficas e científicas também será visto como crença. Cabe aos ditos espiritualistas sedimentar seus estudos através de pesquisas sérias e conceitos os quais não sugiram confusão. Daí a necessidade de homogeneizar a linguagem e somar conhecimentos para criar uma sólida integração entre Ciência e Espiritualidade/Espiritismo. Isso, pois, ainda como colocado por Kardec no texto supracitado, o fato dos espiritualistas se oporem ao materialismo não significa que creiam na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o chamado mundo invisível.


Referências bibliográficas
Kardec A 1857. Ao Estudo da Doutrina Espírita – Introdução. O Livro dos Espíritos, 91° edição, pg.15-16. FEB editora.
Fleck MPA 2000. O instrumento de avaliação de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-100): características e perspectivas. Ciência & Saúde Coletiva, 5(1):33-38.
Fleck MPA et al. 2003. Desenvolvimento do WHOQOL, módulo espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais. Rev Saúde Pública, 37(4): 446-55.
Moreira-Almeida A, Cardeña E. 2011. Diagnóstico diferencial entre experiências espirituais e psicóticas não patológicas e transtornos mentais: uma contribuição de estudos latino-americanos para o CID-11. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol 33, Supl I.

http://www.amebrasil.org.br/2011/node/348