Desencarnação:
Processo de
Transição
EM http://www.ieja.org/portugues/Estudos/Artigos/p_desencarnacao.htm
Morte é a
cessação da vida orgânica; desencarnação é a libertação do Espírito imortal,
período de transição, na sua mudança de plano. "A morte é hereditária" (1) e quando o corpo
morre, o Espírito está pronto para delivrar-se, porque "não é a partida do Espírito que causa a morte do
corpo; esta é que determina a partida do Espírito;"(2) mas este, nem
sempre está em condições de fazê-lo. Neste caso, a morte biológica acontece mas,
o Espírito não se desprende, não se liberta, fica preso ao corpo físico, isto é,
continua encarnado, porque "nem todos os que
morrem desencarnam." (3)
"Disse-nos,
certa vez, um suicida: ‘Não estou morto.’ E acrescentava: ‘No entanto sinto os
vermes a me roerem.’ Ora indubitavelmente, os vermes não lhe roíam o perispírito
e ainda menos o Espírito; roíam-lhe apenas o corpo. (...) Era antes a visão do
que se passava com o corpo, ao qual ainda o conservava ligado o perispírito, o
que lhe causava a ilusão, que ele tomava por realidade." (4)
A
reencarnação não é um processo punitivo, mas educativo, pois aqui "é escola, é prisão, é hospital"; para atingir
a perfeição, a felicidade e a plenitude, é necessário renovar-se na experiência
da matéria densa.. Tendo escolhido o caminho do progresso, evoluído, e assim
realizado a sua reforma íntima, ou, ao contrário estagnado, com a ressalva que,
por mínimo que seja, sempre se evolui alguma cousa, inexoravelmente sobrevém a
morte (Fig. 1) , que é a fatalidade do corpo físico, assim como "a evolução é a fatalidade do Espírito"(5), um
dos objetivos da reencarnação.(4); o outro é "
trabalhar para o Universo, como o Universo trabalha para nós, tal é o segredo do
destino" (6), "é por o Espírito em
condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação (...) e
concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta." (4) (FIG. 1);
este último é atingido consciente ou inconscientemente pelo Espírito. A
reestruturação ou não de seu perispírito, vai depender em ter atingido ambos os
objetivos, com influências importantes no seqüênciamento do processo
desencarnatório. Quanto mais depurado esteja mais fácil se torna o seu
desligamento gradual, porque "os laços se
desatam, não se quebram." .(4)
Dois
fatores são seqüenciais à morte (Fig. 1), ocorrendo paralelamente e vinculados
às suas circunstâncias e ao grau evolutivo do Espírito desencarnante:
o desprendimento do corpo
físico
a perturbação do Espírito.
Léon Denis assinala que
deveríamos chorar na hora da reencarnação, que é um momento de intenso
sofrimento para o Espírito, e rirmos na hora da morte, quando o Espírito se
liberta, já que encarnação é seu encarceramento fluídico e a desencarnação a sua
libertação; isto, é importante frisar, se o Espírito cumpriu os objetivos da
encarnação, porque se não o fez, serão dois choros, um ao encarnar e o outro ao
desencarnar, tal a influência que esta sua conduta projetará na
desencarnação.
O
desprendimento.
Ao
reencarnar o Espírito se liga ao corpo, através de seu perispírito, que a ele se
une, molécula a molécula, átomo a átomo e ao desencarnar, inversamente se
desprende, também, átomo a átomo, molécula a molécula.
O
princípio vital e´ "o interruptor da
vida",(7) enquanto que o fluido vital é a eletricidade que carrega nossas
baterias, o fluido cósmico animalizado; ao ser desligado aquele, a vida se
esvai, cessa e sobrevem a morte (morte natural), que se dá por esgotamento do
fluido vital ou embora com sua presença, por falência orgânica súbita (morte
violenta), ficando ele impotente para transmitir o movimento da vida. (8) Esta
fuga energética do corpo físico e do perispírito, que se encontravam dela
impregnados, desde o primeiro instante da concepção, realiza-se de forma suave
ou abrupta,(Fig. 1) de acordo com a sua distribuição, que é peculiar a cada ser,
a cada órgão, a cada célula; há nos centros vitais ou de força, maior atividade
vital e pontos de ligação com maior densidade entre o Espírito-perispírito e o
corpo físico; destes o que tem mais forte esta união com o Espírito, via
perispírito, é o centro coronário ou regente que, pelo fato mesmo, é o último
que se desliga, desfazendo-se as conexões Espírito-perispírito-glândula pineal,
a "glândula da vida espiritual". O
rompimento destes laços fluídico-magnéticos que compõe o cordão fluídico ou de
prata, representa o selo da desencarnação, iniciando-se pelas extremidades e
terminando, como dissemos, no cérebro.
A
natureza das demais ligações dos centros vitais, variam de acordo com cada ser,
dependentes da evolução do Espírito, modulador e estruturador do perispírito e
portanto de suas ligações com a matéria densa, através dos centros vitais
controladores e seus órgãos súditos e que serviço prestou ao comandante de suas
ações_ o Espírito. Assim quem usou desregradamente o sexo, ou praticou aborto,
por exemplo, terá suas ligações com o centro vital genésico difíceis de serem
desligadas; quem foi tabagista inveterado, igualmente terá fortes ligações
fluídico-magnéticas com o centro cardíaco, a retardar o processo
desencarnatório, e daí por diante.
Assim
o desprendimento acontece de forma lenta (envelhecimento natural, doenças
crônicas, etc.) por esgotamento do fluido vital, ou de forma abrupta (morte
violenta: acidentes, desastres, assassinatos, suicídios) por injúria grave,
determinando a incapacidade funcional orgânica definitiva.(FIG. 1); nos
primeiros, o desligamento já vinha se fazendo quando ocorreu a morte e nos
últimos, a morte corresponde ao início do processo desencarnatório; eqüivale a
dizer que o período morte-libertação, genericamente, é maior nestes. Com os
Espíritos evoluídos ocorre que o momento da morte corresponde ao da libertação,
mas, ao contrário, certos Espíritos que têm seu perispírito ainda muito
densificado, ficam presos ainda ao corpo, após a morte.
"O Espiritismo, pelos fatos cuja observação ele
faculta, dá a conhecer os fenômenos que acompanham esta separação, que, às
vezes, é rápida, fácil, suave e insensível, ao passo que doutras é lenta,
laboriosa, horrivelmente penosa, conforme o estado moral do Espírito, e pode
durar meses inteiros", (2) e até anos.
A perturbação.
A
consciência é do Espírito e após a morte corporal, ele passa por um período
variável de perturbação, de acordo com o estado moral da alma, "fruto das suas construções mentais, emocionais e
volitivas" (9) e o gênero ou circunstâncias da morte, para voltar a
readquiri-la.
O Espírito
purificado se desvencilha dos tênues laços que o prendiam ao corpo físico,
tomando então consciência de si mesmo, da sua volta ao mundo espiritual e da
memória do passado, que é também do Espírito e aos poucos vai retornando do
inconsciente, sediado no perispírito (8); este "livro
misterioso, fechado a nossa vista, durante a vida terrena, abre-se no espaço. O
espírito adiantado percorre-lhe à vontade as páginas (...)." (6) Nestes
casos a sensação é de alívio, como quem acordou de uma intervenção cirúrgica e
obteve alta, curado; não é pois, nem penosa, nem duradoura; é um despertamento,
pois a "vida
na carne é o sono da alma; é o sonho triste ou alegre."
(6)
Naqueles
Espíritos que não aproveitaram o retorno à vida corporal, para sua evolução,
estagnados na escala do progresso, o desencarne será um processo extremamente
doloroso, "tétrico, aterrador, ansioso (...)
qual horrendo pesadelo" (10), demorado e a perturbação espiritual que se
seguirá, será muito intensa e prolongada; muitas vezes, mal se lembram até da
última encarnação e muito menos das outras, em mais uma concessão da bondade e
da misericórdia divina, mas um dia o farão, pois terão que "entrar no conhecimento do seu estado, antes de
serem levadas para o meio cósmico adequado ao seu grau de luz e densidade.
"(6)
Na morte
violenta, situação não esperada na maioria das vezes pelo Espírito, sua
conscientização da morte e conseqüente passagem à vida espiritual é difícil e
demorada, tanto mais prolongada quanto menor a evolução espiritual.
Na Espiritualidade.
A
espiritualidade não está parada, nem contemplativa, ao contrário, trabalha
incessantemente e "Espíritos evoluídos, com
fortes vínculos com a caridade", (11) se incumbem da tarefa da
desencarnação, ajudando nos desligamentos dos laços que unem o Espírito ao corpo
físico, sob influxo do pensamento divino. Espíritos amigos e familiares, já
desencarnados, colaboram nesta tarefa. Esta mesma atuação, pode ser prejudicada
por Espíritos inimigos, obsessores até, que têm a finalidade de tornar o
desligamento mais penoso, contribuindo também para maior perturbação do Espírito
desencarnante, seu desafeto.
Destino dos componentes do homem.
Após a morte, o corpo físico desintegra-se, seguindo as leis
físico-químicas, que também são divinas, nunca mais voltando a recompor-se, ou
destinar-se à ressurreição, que seria desprovida de qualquer finalidade.
O
fluido vital volta ao seu lugar de origem _ o fluido cósmico ou universal.
O
perispírito poderá apresentar modificações em relação à sua densidade; não se
segmenta e não se sedimenta; se depura, tornando-se tanto mais sutil quanto
maior for o progresso espiritual.
O
Espírito pode apresentar modificações em relação ao seu estado moral
reencarnatório, porque o "Espírito evolui, tudo
o mais se transforma", por menor que seja esta mesma evolução, às vezes
mínima, o que não pode nunca acontecer, é retrogradar.
Conclusão
Um
dia, depois da morte corporal, nós teremos um decisivo encontro marcado com nós
mesmos, nos recônditos da nossa consciência, apanágio do Espírito, onde foram
impressas por Deus as suas leis morais (4); aí serão julgados por ela, todos os
nossos atos da senda reencarnatória, no uso do nosso livre arbítrio e comparados
com os nossos propósitos ao reencarnar, escolhidos ou impostos pela justiça
divina, sempre de acordo com as aptidões de cada um; depende de nós, e só de
nós, se este será o "dia mais feliz de nossa
existência", momento de puro êxtase ou, "ao contrário, o pior deles", o seu momento
mais fatídico.
"Cremos que a educação para o desencarne implica na
educação para a vida". (9), para que consigamos a morte de que nos fala
Hernani Santanna :(12)
"A
morte (...) é a liberdade !
É o vôo augusto para a luz divina,
sob
as bênçãos da paz da eternidade!
É
bem começo de uma nova idade,
antemanhã
formosa e peregrina,
da
nossa vera e grã felicidade."
BIBLIOGRAFIA
1
_ FORMIGA, Luiz Carlos D. "Dores, Valores, Tabus e Preconceitos", CELD Ed.,
maio/96, pg.89-102.
2
_ KARDEC, Allan. "A Gênese". 22ª ed. Trad. Guillon Ribeiro. 1980, pg. 215.
3
_ RIBEIRO, Gêmison. "Nem todos que morrem desencarnam." Revista Internacional de
Espiritismo, Dez/1999, pg. 504.
4
_ KARDEC, Allan. "O Livro dos Espíritos". 68ª ed.: FEB, 1987. perg. 132, 155,
257, 621.
5
_ SANTOS, Edson Ribeiro dos. Comunicação pessoal.
6
_ DENIS, Léon. "O Problema do Ser, do Destino e da Dor." 4ª ed. 1936: FEB, pg.
167, 261, 323.
7
_ MELO, Jacob. "O Passe". 8ª ed.: FEB,1992, pg 60.
8
_ MOREIRA, Fernando Augusto. "Fisiologia da Alma". Revista Inter-nacional de
Espiritismo, Out/2000, pg.399.
9
_ JERRI, Roberto. "A Fisiologia do Desencarne" A Reencarnação. Nº 414, ano XIII,
1º semestre, 1997, pg. 39 e 42.
10
_ KARDEC, Allan. "O Céu e o Inferno". 37ª ed. Trad. Manuel J. Quintão: FEB,
1991, pg. 169.
11
_ CARNEIRO, Oscar F. "Reflexões". Ozon Editor, 1960, pg. 15.
12
_ SANTANNA, Hernani. "Canção do Alvorecer". 2ª ed,: FEB, 1983, pg. 46.
(Artigo
reproduzido com autorização do autor)