sexta-feira, 9 de março de 2012

LESÕES AFETIVAS




Um tipo de conselho raramente lembrado: o respeito que devemos uns aos outros na vida particular.

Caro é o preço que pagamos pelas lesões afetivas que provocamos nos outros.

Nas ocorrências da Terra de hoje, quando se escreve e se fala tanto, em torno de amor livre e de sexo liberado, muitos poucos são os companheiros encarnados que meditam nas consequências amargas dos votos não cumpridos.

Se habitas um corpo masculino, conforme as tarefas que te foram assinaladas, se encontraste essa ou aquela irmã que se te afinou com o modo de ser, não lhe desarticules os sentimentos, a pretexto de amá-la, se não estás em condição de cumprir a própria palavra, no que tange a promessas de amor. E se moras presentemente num corpo feminino, para o desempenho de atividades determinadas, se surpreendeste esse ou aquele irmão que se harmonizou com as tuas preferências, não lhe perturbes a sensibilidade sob a desculpa de desejar-lhe a proteção, caso não estejas na posição de quem desfruta a possibilidade de honorificar os próprios compromissos.

Não comeces um romance de carinho a dois, quando não possas e nem queiras manter-lhe a continuidade.

O amor, sem dúvida, é lei da vida, mas não nos será lícito esquecer os suicídios e homocídios, os abortos e crimes na sombra, as retaliações e as injúrias que dilapidam ou arrasam a existência das vítimas, espoliadas do afeto que Ihes nutria as forças, cujas lágrimas e aflições clamam, perante a Divina Justiça, porque ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro e nem sabe a qualidade das reações que virão daqueles que enlouquecem, na dor da afeição incompreendida, quando isso acontece por nossa causa.

Certamente que muitos desses delitos não estão catalogados nos estatutos da sociedade humana; entretanto, não passam despercebidos nas Leis de Deus que nos exigem, quando na condição de responsáveis, o resgate justo.

Tangendo este assunto, lembramo-nos automaticamente de Jesus, perante a multidão e a mulher sofredora, quanto afirmou, peremptório: "aquele que estiver isento de culpa, atire a primeira pedra".

Todos nós, os espíritos vinculados à evolução da Terra, estamos altamente compromissados em matéria de amor e sexo, e, em matéria de amor e sexo irresponsáveis, não podemos estranhar os estudos respeitáveis nesse sentido, porque, um dia, todos seremos chamados a examinar semelhantes realidades, especialmente as que se relacionem conosco, que podem efetivamente ser muito amargas, mas que devem ser ditas.

Pelo Espírito de Emmanuel. In: Momentos de Ouro

quinta-feira, 8 de março de 2012

O EVANGELHO E A MULHER


Em http://lucianodudu1974.blogspot.com/2010/09/o-evangelho-e-mulher.html

O EVANGELHO E A MULHER

“Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.” Paulo. (EFÉSIOS, CAPÍTULO 5, VERSÍCULO 28.)

Muita vez, o apóstolo dos gentios tem sido acusado de excessiva severidade para com o elemento feminino. Em alguns trechos das cartas que dirigiu às igrejas, Paulo propôs medidas austeras que, de certo modo, chocaram inúmeros aprendizes. Poucos discípulos repararam, na energia das palavras dele, a mobilização dos recursos do Cristo, para que se fortalecesse a defesa da mulher e dos patrimônios de elevação que lhe dizem respeito.
Com Jesus, começou o legítimo feminismo. Não aquele que enche as mãos de suas expositoras com estandartes coloridos das ideologias políticas do mundo, mas que lhes traça nos corações diretrizes superiores e santificantes.
Nos ambientes mais rigoristas em matéria de fé religiosa, quais o do Judaísmo, antes do Mestre, a mulher não passava de mercadoria condenada ao cativeiro. Vultos eminentes, quais Davi e Salomão, não conseguiram fugir aos abusos de sua época, nesse particular.
O Evangelho, porém, inaugura nova era para as esperanças femininas. Nele vemos a consagração da Mãe Santíssima, a sublime conversão de Madalena, a dedicação das irmãs de Lázaro, o espírito abnegado das senhoras de Jerusalém que acompanham o Senhor até o instante extremo. Desde Jesus, observamos crescente respeito na Terra pela missão feminil. Paulo de Tarso foi o consolidador desse movimento regenerativo. Apesar da energia áspera que lhe assinala as palavras, procurava levantar a mulher da condição de aviltada, confiando-a ao homem, na qualidade de mãe, irmã, esposa ou filha, associada
aos seus destinos e, como criatura de Deus, igual a ele.

Fonte: Extraído do item 93 do livro Pão Nosso - Francisco C. Xavier/ Emmnauel
Imagem : Google

A Presença da Mulher no Espiritismo


Milton B. Piedade
Esta acontecendo no Museu Espírita de São Paulo, sempre às quintas feiras as 20:30hs o Ciclo 2003 de Conferências Públicas que homenageia a mulher. O tema central é A PRESENÇA DA MULHER NO ESPIRITISMO. A última conferência que tivemos esteve a cargo da Prof. Therezinha de Oliveira, reconhecida escritora e palestrante espírita onde falou de biografias de mulheres médiuns e temas que veremos reproduzidos em trechos, abaixo. Como preparação para a palestra se apresentou a cantora espírita Priscila Beira. Estiveram representadas no encontro as seguintes entidades: USE - União das Sociedades Espíritas de São Paulo; FEESP - Federação Espírita do Estado de São Paulo; ADELER - Assoc. de Editoras, Distribuidoras e Divulgadoras do Livro Espírita; IPP - Instituto de Pesquisa Psicobiofísica; EEAK - Editora Espírita Allan Kardec; LIHPE - Liga de Historiadores e Pesquisadores Espíritas; LFU - Lar da Família Universal.
A conferência teve início às 20:00horas onde a prof. Therezinha situou: "Então se nós buscarmos lá pelo passado, vamos encontrar sempre o homem exercendo sobre a mulher o domínio do fisicamente mais forte, restringindo a atividade da mulher ao interior do lar, impedindo-lhe o acesso à cultura e ao poder, ainda hoje não obstante dos progressos verificados, que vão inserindo a mulher melhor na atividade da vida social de hoje, nos continuamos a ainda a encarar o ser humano de modo diferente, quando ele se apresenta como homem e quando se apresenta como mulher, até há uma espécie de rivalidade entre os dois sexos e esta rivalidade em nada beneficia as relações e o desenvolvimento entre ambos."
Conhecendo a conferencista, sabemos que ela não defende aqui o feminismo equivocado. Depois de situar num contexto social, busca na Bíblia algumas referências: "A mulher tem alma? Indagavam os antigos, achando que não, porque na Bíblia, no velho testamento, livro dos gêneses, capítulo 2, versículo 7, está escrito que Deus ao criar o homem do pó da terra, lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente, mas depois ele fez a mulher de uma costela de adão e não soprou absolutamente o fôlego da vida nas narinas de Eva, então ela não teria alma ou quando muito seria de natureza inferior a do homem. Este tema foi até discutido num concilio no ano 585, não apenas discutiam se a mulher teria alma, mas também dizia que a natureza da mulher era má, era culpada de males, porque na bíblia também lemos que ela é que aceitou a sugestão da serpente e desviou adão da obediência a Deus."
O Espiritismo é rico em informações, como vemos a seguir: "O Espiritismo há 146 anos com a publicação do Livro dos Espíritos, já havia retomado o posicionamento de Jesus a respeito de homem e mulher, ambos filhos de Deus. Neste mesmo livro nós aprendemos que os espíritos não tem sexo na forma como entendemos na organização física, são os mesmos espíritos que animam o corpo dos homens ou das mulheres. Os espíritos encarnam como homem ou como mulher conforme seja necessária a experiência dessa encarnação para seu progresso, seu desenvolvimento. Diz ainda Allan kardec no livro A Gênese, que a reencarnação faz desaparecer os preconceitos entre os dois sexos." Gabriel Delane: "No livro o Fenômeno Espírita, ele nos fala, que lá na Grécia nos tempos antigos, a crença nas invocações era geral, todos os templos possuíam mulheres, encarregadas de invocando os deuses, proferir oráculos." Leon Denis: "Ergue de novo a mulher a inspirada fronte, vem associar-se intimamente a obra da harmonia social, ao movimento geral das idéias, o corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo, a essência da vida é o espírito, e neste ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual, assim o moderno espiritualismo restabelece o mesmo critério dos celtas, nossos pais, firma a igualdade dos sexos sobre a identidade da natureza psíquica e o caráter imperecível do ser humano e a ambos assegura posição idêntica nas agremiações de estudos"
Vemos na história que a tarefa da mulher médium não é tão fácil como pode parecer a primeira vista. "Ela realmente vai se sacrificar. Tem que deixar muitas vezes o conforto do lar, e enfrentar hostilidades. Precisam e sentem que devem colaborar para comprovar a imortalidade de todos nós, então a mulher vai a beneficio da ciência entrar nos laboratórios, se submeter aos maiores sacrifícios e humilhações a fim de serem experimentadas por pesquisadores idôneos e competentes. A mulher foi para os laboratórios, prestou-se a ser examinadas na sua mediunidade, por estes homens eminentes, cientistas experientes, era preciso que alguém se prestasse a este exame com coragem, com decisão.
Mas nem todas o fizeram, como a autora constata em Leon Denis: "Quantas jovens de organismos delicados, quantas senhoras que conhecemos, retraídas pelo temor a critica e as más línguas, afogam e perdem bonitas faculdades medianias por não emprega-las bem com uma boa direção, ao longo do tempo, muita mediunidade não pôde oferecer a humanidade os frutos admiráveis do intercambio."
E nos primórdios do Espiritismo, nossa palestrante encontrou biografias dignas de destaque. "Hydesville era um lugarejo no estado de Nova York e para ali havia se mudado no final de 1847 a família Fox, de religião metodista. Viviam o sr. Fox, esposa e duas filhas menores, adolescentes. Margaret e Katherine. Havia outra filha, Leah, mas estava casada, e morava na cidade de Rochester (...) a 28 de março, iniciou-se estranhos ruídos, batidas, pancadas bastante incomodativas que duraram. Em 31 de março de 1848, a família decidiu se recolher mais cedo, para ver se os ruído desapareciam, mas eles voltaram com mais intensidade. Então a menina perdeu o medo, e disse, "Sr. pé rachado (abro parênteses para esclarecer que esta era a expressão como designam a figura hipotética do demônio) faça o mesmo que eu faço". Ela batia nos móveis e as pancadas do espírito se manifestavam, quer dizer que havia ali uma inteligência, correspondendo ao pedido da menina. Em breve a outra irmã, Margaret, entrou na brincadeira e estabeleceu-se uma forma de comunicação.
O acontecimento não poderia deixar de atrair a vizinhança toda. Continua nossa expositora: "Organizaram uma comissão para estudar o fenômeno e criaram um alfabeto. Descobriram que o fantasma que se comunicava era de um caixeiro viajante chamado Charles B. Rosma que foi morto para ser roubado(...) Os Espíritos que se comunicavam com as irmãs Fox, a partir dali, incentivavam-nas a fazer demonstrações públicas das manifestações, mas as jovens e a sua família não queriam, elas estavam vivendo aquele acontecimento, mas não queriam subir ao palco, mas parece que os espíritos queriam que elas fizessem demonstrações, porque em protesto eles não se manifestaram por várias semanas. Ai família e as jovens cederam a esta insistência dos invisíveis."
O acontecimento foi além das fronteiras da cidade, conforme relata a prof. Therezinha. "No ano 1850, em Rochester, que era uma cidade vizinha e maior, foi formada uma comissão especial para estudar os fenômenos, agora era composta por homens dignos, respeitados, autoridades locais, usaram de todo rigor, mas tiveram que concluir que não encontraram nenhum processo pelo qual aquelas jovens pudessem ter produzido as tais batidas. A partir daí ouve a expansão dos fenômenos, cada vez mais (...) Ainda não era o Espiritismo. Vamos ver como as comunicações evoluíram. Passaram de ruídos, batidas para letra do alfabeto, mesa tripé circulo com alfabeto sim e não, prancheta ou cesta com lápis acoplado. Neste caso já não seriam mais pancadas mas já escritas. Com esta prancheta o espírito conseguia movimentar o lápis e escrever.
Se os Espíritos escreviam, porque não começaram logo pela psicografia? Nossa conferencista responde. "Ninguém acreditaria que o médium estava escrevendo sob influência espiritual se o lápis logo no começo estivesse na mão o do médium. Foi preciso o fenômeno mais grosseiro (...) Também tivemos a psicofonia que nem precisava do lápis. Os espíritos podiam falar através dos médiuns. Atualmente temos TCI e TCM. Precisamos lembrar que nesta época as irmãs não eram Espíritas. As pessoas não tinham nenhuma idéia do que aquele fenômeno significava, qual objetivo espiritual. Muito pelo contrário, diante das manifestações através das jovens, sabe o que pensaram? Em fazer render como espetáculo, em conseguir lucro, vantagem material. A ignorância ainda era universal, eles não haviam entendido o objetivo espiritual das manifestações. Também não havia como hoje, os instrutores que entendem do intercâmbio, que conhecem a mediunidade, e que podem orientar o médium. Então imagine, aquelas jovens irmãs Fox e outros médiuns que foram surgindo, todos eles sem nenhuma orientação, com a mediunidade se manifestando e elas não tendo quem as pudesse orientar."
Uma época onde precursores pagavam, em alguns casos, um preço alto demais. Nossa palestrante entra em detalhes reveladores. "Não havia ninguém para indicar um caminho mais elevado e mais seguro para as irmãs fox, e qual foi então o problema, sem orientação as irmãs Fox, ficaram expostas a sessões promíscuas. Muita gente, todo mundo falando, palpitando, exigindo, provocando, hoje em dia não realizaríamos as manifestações desta maneira, nós faríamos nosso recolhimento, buscaríamos amparo espiritual, pedíamos propósitos elevados e só depois entraríamos nas manifestações (...) Margaret e Katie eram as médiuns, mas também a irmã delas, Leah era médium de efeitos físicos. Katie e Margaret eram muito jovens, e por causa disso; pela sua inexperiência e pelo ambiente que se formou ao redor, elas começaram a sofrer situações vexatórias, a título de controle das condições de experimentação. Era difícil para a mulher, ser controlada, verificada. Examinavam sua roupa para ver se tinha algum apetrecho que pudesse produzir os ruídos."
A platéia atenta tentava compreender como seria a situação de crianças, sem esclarecimento, num ambiente deste. A prof. Therezinha deu prosseguimento. "Consta que que Katie e Margaret foram estimuladas ao consumo de álcool, porque elas trabalhavam no meio daquelas demonstrações e ficavam um tanto esgotadas. Para refazer-lhes as forças ofereciam-lhe bebida alcoólica como estimulante. Isso talvez teria estimulado o alcoolismo entre elas. Katie casou na Inglaterra, Margaret foi morar com ela, fugia assim um pouco as pressões e comentários que sofria. Na sua estada lá na Inglaterra, Margaret, recebeu depoimentos favoráveis até mesmo de William Crookes.
E como seria o relacionamento das irmãs nesta situação conturbada de época? Vamos à palestrante. "Leah a irmã mais velha tinha uma melhor percepção do que era aquele fenômeno. Ela considerava o aspecto religioso, e as irmãs estavam correndo ao alcoolismo. Leah recriminou violentamente as irmãs, e tomou a si a educação dos 2 filhos de Katie. Margaret ficou ao lado de Katie, e mais tarde quando voltou a nova York, quis se vingar de Leah e acusou a irmã injustamente. Fez pior. No palco da academia de música de Nova York, publicamente ela negou a realidade das manifestações, teria sido tudo uma grande farsa. Como Margareth pode fazer isso? Quando comissões de respeito tinham examinado, verificadas todas as possibilidades, tinham concluído que absolutamente as jovens não estavam fraudando, produzindo aqueles ruídos, mas ela fez, porque queria magoar a Leah. Em 20 de novembro de 1889, Margaret foi advertia por seu espírito guia, seu mentor e instrutor espiritual, então ela verificou o seu erro e chamou a imprensa e fez uma declaração retratando as falsas acusações reafirmando sua crença no
espiritismo."
Percebemos que os problemas vividos pela família Fox em nada maculam o processo de esclarecimento humano e de implantação da Doutrina dos Espíritos. Tivemos muitas mulheres médiuns já na época de Kardec onde destacamos Ermance Dufaux, a Senhora Schmiths e a Senhora Corbes. Nossa conferencista destaca outra médium importante para o Espiritismo. "Katie King dizia ser ou ter sido encarnação longínqua da filha do vulcaneiro John King, e ela trazia uma tarefa para executar num período de três anos. A 1ª materialização deste espírito ocorreu em 1872. Apesar de inicialmente precárias, com o tempo e os exercícios o espírito Katie conseguiu se mostrar melhor e permitir fotos. Willian Crookes se interessou pelos fenômenos e iniciou sua observação. Um dos maiores cientistas de sua época, Crookes era químico e físico inglês e tivera algum contato com os fenômenos mediúnicos psíquicos, desde de julho de 1869, e se propusera a examiná-los com rigor cientifico."
Veremos agora como foram algumas das experiências deste importante cientista. "Crookes realizou suas experiências de 1870 a 1874. Com rigor científico ele examinou o trabalho de vários médiuns e também de Florence Cook, só que ele surpreendeu a todos com o resultado das pesquisas. Seus relatórios eram detalhados e o resultado demonstrava que os fenômenos espíritas eram absolutamente reais. Mas os resultados desagradaram a seus colegas de época. E, quando não se pode combater a Verdade, se combate a pessoa. Começaram a desmerecer o trabalho de Crookes dizendo que ele estava senil. Outros foram mais longe e diziam que ele estava apaixonado pela médium. Vemos aqui uma apreciação de Gabriel Dellane no livro Fatos Espíritas, ele vai falar das precauções que foram tomadas, para nós percebermos que não era fascínio de William Crookes. Procedeu-se em relação a ela como se haveria feito com mais hábil dos prestidigitadores. Eles imobilizaram suas mãos por meios de cordas, cujo nós e laçadas são costurados e selados, com uma correia cingiram sua cintura e ela ainda ficou sujeita a precauções maiores, as extremidades daquela correia se fixaram no solo mediante uma argola de ferro. Outras vezes passavam uma corrente elétrica pelo corpo todo da jovem, de modo que um galvanômetro indicasse seus menores movimentos. Apesar de todos os cuidados, Katie King se mostrava completamente liberta, vestida com véus que não existiam antes.
O rigor científico nas pesquisas não satisfazia aos céticos de carteirinha. "Houve também uma dúvida se Florence e Katie seriam a mesma pessoa, pelo fato dela se parecerem muito. Pelas observações de Crookes quando a força mediúnica era insuficiente, quando o ectoplasma não permitia uma modelação perfeita, então eles se aproveitavam do perispírito da médium e revestiam tanto com ectoplasma que dispusessem. Mas na maioria das vezes o espírito conseguia materializar-se plenamente, passando a se movimentar, falar e agir com toda autonomia e independência, e era ai que Crookes fazia as suas melhores verificações. E ele o fez durante bastante tempo (...) Mas chegou o dia que era preciso se despedir e Katie deu instruções aos que ficavam como deveriam cuidar de Florence Cook, pois ela se preocupava com a sua médium. Ela confiava em Crookes e nos outros companheiros e depois que ela deu suas instruções ela entrou na cabine e despertou a médium, que dormia, porque geralmente é assim, o médium de efeitos físico quando fornece bastante ectoplasma ele adormece. Então Katie disse "acorda Florence, acorda, é preciso que eu te deixe agora". Elas tinham estado juntas mais ou menos 02 anos, e Florence tinha desenvolvido um sentimento de amizade por este espírito.
Deve ter sido uma despedida triste, como descreve nossa conferencista. "Então em lágrimas ela pedia a Katie, que ficasse algum um tempo ainda. Minha cara, dizia o Espírito, não posso, a minha missão está cumprida, Deus te abençoe. Era a despedida mesmo. Katie King ainda falou um pouquinho com Florence Cook, procurando acalmá-la, mas Florence soluçava muito, achava a despedida triste. Foi preciso que ela fosse socorrida por Crookes e outras pessoas. Florence ainda iria continuar trabalhando como médium, viria a casar-se, tornando-se a sra. Elgie Corner.
Chegamos ao termo de nossos trabalhos. "Neste ciclo de conferências, outras companheiras irão falar das mulheres médiuns que enriqueceram e enriquecem o movimento espírita no Brasil e no exterior. Mas gostaria de comentar, como finalização, que encontramos a mulher espírita, não apenas trabalhando como médium no campo da mediunidade, mas também encontramos a mulher que dialoga com os espíritos, que dirigi reuniões mediúnicas, que instruem e prepara novos trabalhadores no campo da mediunidade, que escreve para esclarecer e orientar a prática mediúnica. É o espiritismo, esta abençoada doutrina que nos permite isso, ela não apenas nos ilumina individualmente, nos consola e nos alenta, ela também enseja, que estejamos encarnados como homens ou como mulheres, nos somemos os nossos esforços e juntos continuemos a realizar o sublime intercâmbio espiritual. Gostaria de convidar a todos os companheiros, homens e mulheres para que trabalhemos juntos, trabalhemos com amor, apoiemo-nos, completemo-nos, ajudemo-nos incessantemente para que esta mediunidade, este canal de intercâmbio possa nos favorecer a todos, trazendo-nos o progresso intelecto-moral para toda a humanidade."
O ciclo de conferências públicas do ICESP terá prosseguimento todas as últimas quintas feiras do mês, sempre às 20:30hs, no bairro da Lapa. Tradicional encontro que acontece desde 1976 para discutir questões relativas ao nosso movimento, terá ainda as conferencistas Miltes Aparecida Soares, Nancy Puhlman, Neide Schneider e Heloisa Píres, entre outras.
(Publicado no Boletim GEAE Número 458 de 24 de junho de 2003)
em  http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/a-presenca-da-mulher.html

Mulher, um ser especial

Léon Denis

Mulher, um ser especial
Encontram-se, em ambos os sexos, excelentes médiuns; é à mulher, entretanto, que parecem outorgadas as mais belas faculdades psíquicas. Daí o eminente papel que lhe está reservado na difusão do novo Espiritualismo.
Malgrado às imperfeições inerentes a toda criatura humana, não pode a mulher, para quem a estuda imparcialmente, deixar de ser objeto de surpresa e algumas vezes de admiração. Não é unicamente em seus traços pessoais que se realizam, em a Natureza e na Arte, os tipos da beleza, da piedade e da caridade; no que se refere aos poderes íntimos, à intuição e adivinhação, sempre foi ela superior ao homem. Entre as filhas de Eva é que obteve a antiguidade as suas célebres videntes e sibilas. Esses maravilhosos poderes, esses dons do Alto, a Igreja entendeu, na Idade Média, aviltar e suprimir, mediante os processos instaurados por feitiçaria. Hoje encontram eles sua aplicação, porque é sobretudo por intermédio da mulher que se afirma a comunhão com a vida invisível.
Mais uma vez se revela a mulher em sua sublime função de mediadora que o é em toda a Natureza. Dela provém a vida; e ela a própria fonte desta, a regeneradora da raça humana, que não subsiste e se renova senão por seu amor e seus ternos cuidados. E essa função preponderante que desempenha no domínio da vida, ainda a vem preencher no domínio da morte. Mas nós sabemos que a morte e a vida são uma, ou antes, são as duas formas alternadas, os dois aspectos contínuos da existência.

Mediadora também é a mulher no domínio das crenças. Sempre serviu de intermediária entre a nova fé que surge e a fé antiga que definha e vai desaparecendo. Foi o seu papel no passado, nos primeiros tempos do Cristianismo, e ainda o é na época presente.
O Catolicismo não compreendeu a mulher, a quem tanto devia. Seus monges e padres, vivendo no celibato, longe da família, não poderiam apreciar o poder e o encanto desse delicado ser, em quem enxergavam antes um perigo.
A antiguidade pagã teve sobre nós a superioridade de conhecer e cultivar a alma feminina. Suas faculdades se expandiam livremente nos mistérios. Sacerdotisa nos tempos védicos, ao altar doméstico, intimamente associada, no Egito, na Grécia, na Gália, às cerimônias do culto, por toda a parte era a mulher objeto de uma iniciação, de um ensino especial, que dela faziam um ser quase divino, a fada protetora, o gênio do lar, a custódia das fontes da vida. A essa compreensão do papel que a mulher desempenha, nela personificando a Natureza, com suas profundas intuições, suas percepções sutis, suas adivinhações misteriosas, é que foi devida a beleza, a força, a grandeza épica das raças grega e céltica.
Porque, tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem. É a mulher que, desde o berço, modela a alma das gerações. É ela que faz os

Mulher, mãe da vida...
heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras fulguram através dos séculos. Até aos sete anos o filho permanecia no gineceu sob a direção materna. E sabe-se o que foram as mães gregas, romanas e gaulesas. Para desempenhar, porém, tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino, o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações; porque só essa lei dá à vida do ser, que vai desabrochar sob a égide materna, sua significação tão bela e tão comovedora.
Essa benéfica influência da mulher iniciada, que irradiava sobre o mundo antigo como uma doce claridade, foi destruída pela lenda bíblica da queda original.
Segundo as Escrituras, a mulher é responsável pela proscrição do homem; ela perde Adão e, com ele, toda a Humanidade; atraiçoa Sansão. Uma passagem do Eclesiastes a declara “uma coisa mais amarga que a morte”. O casamento mesmo parece um mal: “Que os que têm esposas sejam como se não as tivessem” – exclama Paulo.
Nesse ponto, como em tantos outros, a tradição e o espírito judaico prevaleceram, na Igreja, sobre modo de entender do Cristo, que foi sempre benévolo, compassivo, afetuoso para com a mulher. Em todas as circunstâncias a escuda ele com sua proteção; dirige-lhe suas mais tocantes parábolas. Estende-lhe sempre a mão, mesmo quando decaída. Por isso as mulheres reconhecidas lhe formam uma espécie de cortejo; muitas o acompanharão até a morte.
A situação da mulher, na civilização contemporânea, é difícil, não raro dolorosa. Nem sempre a mulher tem para si os usos e as leis; mil perigos a cercam, se ela fraqueja, se sucumbe, raramente se lhe estende mão amiga. A corrupção dos costumes fez da mulher a vítima do século. A miséria, as lágrimas, a prostituição, o suicídio – tal é a sorte de grande número de pobres criaturas em nossas sociedades opulentas.
Uma reação, porém, já se vai operando. Sob a denominação de feminismo, um certo movimento se acentua legítimo em seu princípio, exagerado, entretanto, em seus intuitos; porque ao lado de justas reivindicações, enuncia propósitos que fariam da mulher, não mais mulher, mas cópia, paródia do homem. O movimento feminista desconhece o verdadeiro papel da mulher e tende a transviá-la do destino que lhe está natural e normalmente traçado. O homem e a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares. No ponto de vista da ação social, são equivalentes e inseparáveis.
O moderno Espiritualismo, graças às suas práticas e doutrinas, todas de ideal, de amor, de equidade, encara a questão de modo diverso e resolve-a sem esforço e sem estardalhaço. Restitui a mulher seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando-lhe a sublime função que lhe cabe desempenhar na educação e no adiantamento da Humanidade. Faz mais, reintegra-a em sua missão de mediadora predestinada, verdadeiro traço de união que liga as sociedades da Terra às do Espaço.
A grande sensibilidade da mulher a constitui o médium por excelência, capaz de exprimir, de traduzir os pensamentos, as emoções, os sofrimentos das almas, os altos ensinos dos Espíritos celestes. Na aplicação de suas faculdades encontra ela profundas alegrias e uma fonte viva de consolações. A feição religiosa do Espiritismo a atrai e lhe satisfaz as aspirações do coração, as necessidades de ternura, que estendem, para além do túmulo, aos entes desaparecidos. O perigo para ela, como para o homem, está no orgulho dos poderes adquiridos, na suscetibilidade exagerada. O ciúme, suscitando rivalidades entre médiuns, torna-se muitas vezes motivo de desagregação para os grupos.
Daí a necessidade de desenvolver na mulher, ao mesmo tempo que os poderes intuitivos, suas admiráveis qualidades morais, o esquecimento de si mesma, o júbilo do sacrifício, numa palavra, o sentimento dos deveres e das responsabilidades inerentes à sua missão mediatriz.
O Materialismo, não ponderando senão o nosso organismo físico, faz da mulher um ser inferior por sua fraqueza e a impele à sensualidade. Ao seu contato, essa flor de poesia verga ao peso das influências degradantes, se deprime e envilece. Privada de sua função mediadora, de sua imaculada auréola, tornada escrava dos sentidos, não é mais um ser instintivo, impulsivo, exposto às sugestões dos apetites mórbidos. O respeito mútuo, as sólidas virtudes domésticas desaparecem; a discórdia e o adultério se introduzem no lar; a família se dissolve, a felicidade se aniquila. Uma nova geração, desiludida e céptica, surge do seio de uma sociedade em decadência.
Com o Espiritualismo, porém, ergue de novo a mulher a inspirada fronte; vem associar-se intimamente à obra de harmonia social, ao movimento geral das idéias. O corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo; a essência da vida é o espírito, e nesse ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual. Assim, o moderno Espiritualismo restabelece o mesmo critério dos Celtas, nossos pais; firma a igualdade dos sexos sobre a identidade da natureza psíquica e o caráter imperecível do ser humano, e a ambos assegura posição idêntica nas agremiações de estudo.
Pelo Espiritismo se subtrai a mulher ao vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Sua alma se ilumina de clarão mais puro; seu coração se torna o foco irradiador de ternos sentimentos e nobilíssimas paixões. Ela reassume no lar a encantadora missão que lhe pertence, feita de dedicação e piedade, seu importante e divino papel de mãe, de irmã e educadora, sua nobre e doce função persuasiva.
Cessa, desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da Humanidade se aliam e equilibram no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência.
em http://visaoespiritabr.com.br/reencarnacao/o-espiritismo-e-a-mulher 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Como ocorre o processo de desencarnação, com o desligamento dos laços que unem a alma ao corpo físico

Na hora da morte




Como ocorre o processo de desencarnação, com o desligamento dos laços que unem a alma ao corpo físico

Segundo a conceituação de Allan Kardec, a alma é um espírito encarnado em um corpo. Após a morte deste, ela volta a ser apenas espíritos, ou seja, retorna ao mundo espiritual, que está em constante relação com o mundo físico.
A alma não perde sua individualidade após o desencarne. Continuamos nossa existência, geralmente, com a aparência que tínhamos quando estávamos encarnados. Isso porque temos o nosso perispírito (também conhecido, em outras correntes espiritualistas, como corpo astral, psicossoma, etc.). Ele é o envoltório do espírito, um corpo sutil intermediário entre a alma e o corpo físico.
A antiga crença de que levávamos nossos bens materiais conosco para o mundo dos mortos é falsa - como a maioria da humanidade já percebeu há séculos! De acordo com O Livro dos Espíritos, na questão 150, a alma apenas leva deste mundo "Nada mais do que a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Essa lembrança é cheia de doçura ou de amargura, segundo o emprego que fez da vida. Quantos mais pura, mais compreende a futilidade do que deixa sobre a Terra."
Afirma um ditado popular que "ninguém voltou (da morte) para contar". Será? As comunicações mediúnicas - no caso dos médiuns ostensivos - são provas suficientes que demonstram que esse ditado é mais uma crença popular que está errada. Além disso, cientistas e pesquisadores respeitados realizaram, no século XIX, importantes experimentos com as manifestações de efeitos físicos, provando a realidade dos fenômenos. Hoje, temos, além dos médiuns, a Transcomunicação Instrumental. Portanto, a maioria absoluta das pessoas que negam as manifestações dos espíritos nunca se aprofundou na questão. Nega simplesmente porque não acredita!
O espírito se liga ao corpo material, induzindo o desenvolvimento embrionário, por meio do seu envoltório perispiritual. A morte apenas destrói o corpo carnal e não o perispírito. Resumindo: a vida do espírito é eterna, ao contrário do corpo físico, que é transitório e se decompõe com a morte.
Mas, como ocorre, exatamente, o processo da morte? O que acontece nos primeiros instantes? A separação da alma e do corpo é dolorosa?
Cada caso é um caso, de acordo com o grau de equilíbrio, lucidez, conhecimento, apego material, etc., de cada espírito; além disso, também varia de acordo com o tipo de morte. Mas, existe, sim, um processo comum que ocorre durante o desencarne. Esse processo é o rompimento dos laços energéticos que mantinham a alma ligada ao corpo.
A morte pode ocorrer de forma natural, por esgotamento dos órgãos com o avanço da idade, ou de forma brusca, como em um acidente de trânsito ou assassinato. Em ambos os casos, o desligamento energético do corpo é gradativo. "(...) a alma se liberta gradualmente e não escapa como um pássaro cativo que ganha subitamente a liberdade. (...) o Espírito se liberta pouco a pouco de seus laços: os laços se desatam, não se quebram."- O Livro dos Espíritos, questão 155.
Em nota para a questão acima, Kardec explica: "A observação prova que no instante da morte o desligamento do perispírito não se completa subitamente; ele não se opera senão gradualmente e com uma lentidão que varia muito segundo os indivíduos. Para alguns ele é muito rápido, e pode-se dizer que o momento da morte é aquele do desligamento, algumas horas após.
Para outros, aqueles sobretudo, cuja a vida foi toda material e sensual, o desligamento é muito menos rápido e dura, algumas vezes, dias, semanas e mesmo meses, o que não implica existir no corpo a menor vitalidade(...)". Isso ocorre devido à afinidade entre o espírito e o corpo carnal.
Quanto mais nos apegamos e nos identificamos com a matéria, maior será nosso sofrimento ao nos separarmos dela. Pior ainda: em alguns casos, a afinidade entre o espírito e seu corpo carnal é tanta que  ele pode experimentar toda a sensação da decomposição!
Para que haja simples vitalidade, o corpo não precisa de uma alma. Mas, para que seja dotado de inteligência, sentimentos, emoções, enfim, para que possa interagir em nosso mundo é imprescindível a alma. O cérebro, com a vida biológica, é apenas o instrumento, que pode estar funcionando ou não. A inteligência é atributo do espírito, que já existia e continuará existindo após a morte física.
Em casos excepcionais de mortes precedidas por momentos de grande agonia, pode acontecer de a alma deixar o corpo e nele não restar mais do que a vida orgânica. Conforme algumas narrativas de romances mediúnicos, certos mártires que morriam devorados pelos leões, nos circos romanos, durante as perseguições aos primeiros cristãos, eram retirados do corpo por espíritos benfeitores segundos antes das feras o destroçar. A expectativa da morte também pode fazer com que a pessoa perca a consciência antes do suplício.
Frequentemente, a alma sente se desatarem os laços que a ligam ao corpo. Antes mesmo do desligamento, muitas pessoas entram numa fase de transição.
Por exemplo: quantos doentes terminais que, ainda no leito hospitalar, relatam a aparição de parentes que já morreram... Dizem que estes vieram buscá-las, e que não sentem mais temor da morte. Isso acontece porque os laços energético que a ligam ao corpo já começam a se desatar.
Conforme a afeição  entre a pessoa que desencarna e seus parentes desencarnados, "(...) eles o vêm receber em sua volta ao mundo dos Espíritos, e ajudam  a libertá-la das faixas da matéria; reencontra, também, a muitos que havia perdido de vista em sua permanência sobre a Terra. Vê aqueles que estão na erraticidade, aqueles que estão encarnados, e os vai visitar" - OLE, q. 160.
Mas nem todos têm o privilégio do encontro direto com seus parentes falecidos. Há casos em que devido à perturbação espiritual, seja da pessoa que passa pelo desencarnedesencarnado, não há possibilidade do encontro. Além disso, talvez quem você espera reencontrar na hora da morte já esteja reencarnado!
Então, é preciso ficar claro que, geralmente, o instante da morte ocorre de forma simutânea ao da separação da alma. O que ocorre de forma gradativa é o desatamento dos laços energéticos que ligam a alma ao corpo, tanto nos casos de morte abrupta, quando ela não resulta da extinção gradual das forças vitais, assim como nos de espíritos muito apegados à matéria.

Perturbação espírita
A morte não transforma ninguém em um ser "iluminado", em "santo". Ao contrário, ela nos coloca frente a frente com nossa verdade interior, sem máscaras e hipocrisia. Aquilo que realmente somos se revela. Ah! Quantos religiosos se desiludem nesta hora...
A maioria das pessoas, após a morte, passa por um estado de perturbação durante algum tempo. Devido a essa perturbação pós-morte, muitas não conseguem entender o que está acontecendo; outras, não entendem por ignorância ou por simplesmente não aceitarem. A compreensão da realidade do mundo espiritual exerce influência sobre a duração da nossa perturbação após a morte, porém, os espíritos afirmam a Kardec que a prática do bem e a pureza da consciência são os que exercem maior influência.
Vejamos o que o codificador espírita explica:
"No momento da morte tudo, à princípio, é confuso. A alma necessita de algum tempo para se reconhecer. Ela se acha como aturdida e no estado de um homem que despertando de um sono profundo procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria da qual se libertou e se dissipe a espécie de neblina que obscurece seus pensamentos."
Esta perturbação pode durar desde horas, dias... até muitos anos. Existem espíritos que julgam ainda viver como encarnados e não aceitam que "morreram". Outros, observam o corpo físico ao lado, mas não entendem como podem estar separado dele. Tentam se comunicar com as pessoas, sem obter resposta, o que aumenta cada vez mais seu estado de perturbação. Kardec explica que isso ocorre até o momento da inteira libertação do perispírito. Mas essa dificuldade toda também surge devido às ideias arraigadas que muitos têm sobre a vida após a morte.
Muitos espíritos, que acreditavam que a morte era sinônimo de extinção da vida, não entendem como podem estar " mortos" se ainda falam, ouvem, vêem...
Nunca ouviram falar de perispírito, e acham que o corpo que possuem ainda é o corpo carnal, que muitas vezes nem existe mais, já se decompôs.
É comum, também, os espíritos assistirem ao próprio funeral. Muitos imaginam que se trata do enterro de outra pessoa, e não do seu próprio corpo. É uma confusão!

Mortes coletivas
A destruição é necessária no mundo em que vivemos - destruir o velho para construir o novo.
A mudança pode impulsionar o espírito na jornada evolutiva.
Neste sentido, entendemos que a destruição é necessária para a regeneração moral do indivíduo.
O Livro dos Espíritos explica que nos flagelos coletivos um povo pode alcançar mais depressa " uma ordem melhor de coisas".
Mas o que acontece com os espíritos que desencarnam nessa situação? Depende. Cada caso é um caso. A regra geral do desenlace energético continua valendo em casos de morte coletiva e cada espírito reage de acordo com seus interesses. A maioria não entende o que ocorreu e nem sempre é possível o reencontro imediato com os entes queridos que os antecederam no desencarne.

No mundo espiritual
Algumas vezes, podemos reencarnar quase que imediatamente após o desencarne. Mas o comum é que passemos um período, que pode variar bastante - anos, séculos, milênios -, no mundo espiritual. Nos mundos superiores, onde o corpo é cada vez mais sutil, o reencarne é quase sempre imediato. Mas enquanto ainda houver a necessidade para determinado espírito, ele irá reencarnar, seja em corpos materialmente densos - como no nosso caso - seja em planos superiores, em um corpo bastante sutil. Somente os espíritos que atingiram um alto grau de pureza não precisam mais reencarnar.
O estado de " espírito errante", ou seja, na erraticidade, é para alguns uma fuga da realidade terrena, que cedo ou tarde terão de enfrentar; para certos espíritos é uma punição, enquanto que para outros é uma oportunidade de estudo e aprendizado. Na erraticidade o espírito pode aproveitar para se melhorar muito, tanto no aspecto intelectual quanto moral, mas isso não o livra de uma nova encarnação caso ainda seja necessário a ele.
A morte não acaba com nossos vícios e paixões. Enquanto alguns lutam, no Além, para se libertarem da influência material, muitos preferem permanecer vinculados ao nosso plano, desequilibrados, compartilhando dos nossos hábitos infelizes. Aí entra a lei da afinidade, que abre a porta tanto para os simples assédios espirituais quanto para os processos de obsessão mais complexos. Não deixe de ler nossa matéria de capa da edição 90 para entender isso melhor.
Por que ao desencarnarmos, não abandonamos, também, nossas " más paixões" ? Os espíritos respodem: " Tens nesse mundo pessoas que são excessivamente invejosas; acreditas que, mal o deixem, perdem os seus defeitos? Depois de sua partida da Terra, sobretudo para aqueles que têm paixões bem acentuadas, resta uma espécie de atmosfera que os envolve e conserva todas a suas coisas más, porque o Espírito não está inteiramente desprendido; só por momentos vê a verdade, como para lhe mostrar o bom caminho. " - OLE, q. 229.
Um espírito desencarnado não possui mais o corpo físico, porém, manifesta-se através do perispírito, que é seu corpo mais sutil.

Dores e doenças
A lembrança de uma doença que o espírito tinha quando estava encarnado é um dos fatores responsáveis pela impressão de dor que muitos espíritos sentem mesmo após a morte do corpo. Por isso é comum encontrarmos espíritos apresentando as mesmas doenças que tinham quando estavam encarnados, pois o perispíritos, por seu muito sutil, é facilmente influenciado pela mente. Outro fator que colabora para a manifestação de doenças no perispírito é a ligação energética com o corpo físico, que ainda não se desfez completamente.
Essa ligação também é responsável por dar a sensação, em certos espíritos, de que estão sendo roídos pelos vermes. Na verdade, se o corpo está se decompondo e o espírito possui fortes laços energéticos com ele, provavelmente passará a ter várias sensações desagradáveis. Veja mais sobre isso no texto Ensaio teórico sobre a sensação nos espíritos, questão 157 de O Livro dos Espíritos.
O corpo físico e o perispírito se influenciam mutuamente. Da mesma forma que o corpo energético transmite tudo o que vem do espírito para o corpo físico, este também acaba causando impressões no perispírito, pois ambos estão intimamente ligados, o que explica a existência de espíritos com doenças e deformidades.
Para encerrar este pequeno artigo, que visa explicar de forma resumida o que ocorre no processo de desencarnação, reproduzo as palavras de Allan Kardec no final do capítulo 3, livro II, que ressaltam a importância do trabalho de autoconhecimento e da reforma íntima, ainda enquanto estamos reencarnados: " A perturbação que se segue à morte nada tem penosa para o homem de bem; é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranquilo. Para os que não tem a consciência pura, ela é cheia de ansiedade e de angústias, que aumentam à medida que ela se reconhece."

*Morte natural
Neste exemplo, temos um caso de morte de um doente terminal. O fluido vital que dá a vida orgânica ao corpo vai se  esgotando e a ligação entre perispírito e corpo físico, como consequência, também se enfraquece gradativamente.
A alma começa a se separar do corpo físico e, neste momento, pode receber a visita de espíritos familiares.
Ocorre, também, de espíritos benfeitores (amparadores) aparecerem para auxiliarem no processo de desenlace energético.

*Morte Violenta
Nos casos de morte abrupta, seja por assassinato, acidente de trânsito... enfim, nas mortes repentinas em que o corpo físico ainda está cheio de vitalidade, os laços que o unem ao perispírito ainda são muito fortes, apesar de não ser mais possível a continuação da vida.
Neste exemplo, vemos um homem que foi assassinado na rua.
Ao se separar do corpo, ele vê a faca cravada em seu peito e recria, inconscientemente, a imagem em seu perispírito.
Um outro homem, reencarnado, em projeção astral, auxilia o processo de desenlace da vítima, pois o padrão de densidade energética entre ambos é mais compatível.
Já as energias do espírito protetor são mais sutis. Ele acompanha todo o processo, zeloso, aguardando a hora de se aproximar de seu protegido.

A sensação nos espíritos
"257. O corpo é o instrumento da dor. Se não é a causa primária desta é, pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito. A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. De fato, nem o frio, nem o calor são capazes de desorganizar os tecidos da alma, que não é suscetível de congelar-se, nem de queimar-se. Não vemos todos os dias a recordação ou a apreensão de um mal físico produzirem o efeito desse mal, como se real fora? Não as vemos até causar a morte? Toda gente sabe que aqueles a quem se amputou um membro costumam sentir dor no membro que lhes falta. Certo que aí não está a sede, ou, sequer, o ponto de partida da dor. O que há, apenas, é que o cérebro guardou desta a impressão.
Não se confundam, porém, as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo. Estas últimas só por termo de comparação as podemos tomar e não por analogia.
Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral, como o remorso, pois que ele se queixa de frio e calor. Também não sofre mais no inverno do que no verão: temo-los visto atravessar chamas, sem experimentarem qualquer dor. Nenhuma impressão lhes causa, consequentemente, a temperatura. A dor que sentem não é, pois, uma dor física propriamente dita: é um vago sentimento íntimo, que o próprio Espírito nem sempre compreende bem, precisamente porque a dor não se acha localizada e porque não a produzem agentes exteriores; é mais uma reminiscência do que uma realidade, reminiscência, porém, igualmente penosa.
Algumas vezes, entretanto, há mais do que isso, como vamos ver.
(...)" - O Livro dos Espíritos.