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sexta-feira, 1 de março de 2013

OPINIÃO DO DIVALDO FRANCO SOBRE ENXURRADA DE LIVROS ESPIRITAS




Segue trechos da entrevista de Divaldo Franco do livro Conversando com Divaldo Pereira Franco editado pela Federação Espírita do Paraná sobre as obras espíritas.

FEP:O movimento espírita tem sido invadido por uma enxurrada de publicações que trazem a informação de serem mediúnicas. Temos visto que os dirigentes, vários deles, não utilizam qualquer critério de seleção doutrinária. O que nos aconselha?

Divaldo: "O nosso pudor em torno do Index Expurgatorius da Igreja Romana leva-nos, sem nos darmos conta, a uma tolerância conivente. Como não nos é lícito estabelecer um mapa de obras que mereçam ser estudadas em detrimento daquelas que trazem informações inautênticas em torno dos postulados espíritas, muitos dirigentes, inadvertidamente, divulgam obras que prejudicam mais a compreensão do Espiritismo do que aclaram.

É muito comum dizer: mas é muito boa! Mas, muito boa, porém não uma obra espírita e no que diz respeito à mediunidade, a mediunidade ficou tão barateada, tão vulgarizada, que perdeu aquele critério com que Allan Kardec a estuda em “O Livro dos Médiuns”.

O médium é médium desde o berço. Os fenômenos nos médiuns ostensivos começam na infância e quando têm a felicidade de receber a diretriz da Doutrina, torna-se o que Chico Xavier denominava com muita beleza: mediunidade com Jesus. O que equivaleria dizer: a mediunidade ética, a mediunidade responsável, criteriosa, a mediunidade que não se permite os desvios do momento, os modismos.

Mas a mediunidade natural pode surgir em qualquer época e ela surge como inspiração. O indivíduo pode cultivá-la, desenvolve-la naturalmente.

Vem ocorrendo uma coisa muito curiosa, pela qual, alguns espíritas desavisados, de alguma maneira, são responsáveis: se o livro é de um autor encarnado, não se lê, porque como se ele não tivesse autoridade de expender conceitos em torno da Doutrina. Mas, se é um livro mediúnico, ele traz um tipo de mística, de uma chancela, e as pessoas logo acham que é o máximo. Adotam esse livro como um Vade Mecum, trazendo coisas que chocam porque vão de encontro aos postulados básicos do espiritismo.

Entra agora uma coisa que é profundamente perturbadora: o interesse comercial. Vender o livro sob a justificativa de que as Casas Espíritas necessitam de recursos. Para atender as necessidades, vendem obras de autoajuda, de esoterismo, de outras doutrinas, quando deveríamos cuidar de divulgar as obras do Espiritismo, tendo um critério de coerência.

Quando visitei Paris pela primeira vez, em 1967, eu fui ver e conhecer a Union Spirite Française que ficava na Rua Copernique, número 8. Era período de férias, agosto a setembro, praticamente a Europa fecha-se e a França, principalmente. A Union estava fechada. Chamou-me a atenção as vitrinas que exibiam obras: não tinha uma espírita. Eram obras esotéricas, eram obras hinduístas, eram obras de Madame Blavatsky. São todas respeitáveis, mas não temos compromisso com elas. O nosso compromisso é com Jesus e com Kardec, sem nenhum fanatismo e sem nenhuma restrição pelas outras obras, que consideramos valiosas para cultura, para ampliação do entendimento. Mas, temos que optar por conhecer a Doutrina que professamos.

Verificamos, neste momento, essa enxurrada perniciosa, porque saem mais de cinqüenta títulos de obras pseudomediúnicas por mês, pelo menos que nos chegam através dos catálogos, tornando-se impossíveis de serem lidas. O que ocorre? Eu recebo entre 10 e 20 solicitações mensais, pedindo aos Espíritos prefácios para obras que ainda estão sendo elaboradas. A pressa desses indivíduos de projetar a imagem, de entrarem nesse pódium do sucesso é tão grande que ainda não terminaram de psicografar - quando é psicográfica - ou de transcrevê-la, quando é inspirada, ou de escrevê-la, quando é de próprio punho, de própria concepção, já preocupado com o prefácio. Eu lhes digo: Bom, aos Espíritos eu não faço solicitações. Peço desculpas por não poder mandar o prefácio desejado. Espere, pelo menos, concluir o trabalho. Pode ser que eu morra, pode ser que você morra e pode ser que o Guia reencarne antes de terminar a obra.

É uma onda de perturbação para minar-nos por dentro. O Codificador nos recorda que os piores inimigos estão no próprio Movimento, o que torna muito difícil a chamada seleção natural. Nós deveremos ter muito cuidado ao examinar esses livros. Penso que as instituições deveriam ter uma comissão para lê-los, avaliar a sua qualidade e divulgá-los ou não, porquanto as pessoas incautas ou desconhecedoras do Espiritismo fascinam-se com ideias verdadeiramente absurdas.

Tenho ouvido e visto declarações pessoais de médiuns que dizem não serem espíritas e não terem nenhum vínculo com qualquer “ismo”; são livres atiradores e as suas obras são vendidas nos Centros Espíritas, porque vendem muito. Até amigos muito queridos têm, em suas livrarias, nos Centros Espíritas que frequentam, essas obras que são romances interessantes, como os antigos romances de Agatha Christie, de M. Dellyt e tais. Mas essas obras não são espíritas, embora ditadas por um Espírito, mas ditadas ao computador.

Essas obras são muito interessantes, ninguém contesta, mas o tempo que se gasta, lendo-as, é um desvio do tempo de aprendizagem da Doutrina Espírita. As pessoas ficam sempre à margem, não se aprofundam. Observo, em nossa Instituição, pelas perguntas infantis que me fazem.

É necessário que procuremos divulgar a Doutrina, conforme nós a herdamos do ínclito Codificador e das entidades venerandas, que preservaram essa Doutrina extraordinária, para que nós possamos contribuir com a construção de um mundo melhor.

A respeito desses livros que proliferam, me causam surpresa, quando amigos com quarenta, cinqüenta anos de idade, pessoas lúcidas, pessoas cultas, que nunca foram médiuns, ou, pelo menos, jamais o disseram, escrevem livros até ingênuos, que nem são bons nem são maus, e rotulam como mediúnicos e passam a vender, porque são mediúnicos.

Um dos livros mais vendidos, dito mediúnico, tem verdadeiras aberrações, em que a entidade fez do mundo espiritual uma cópia do mundo físico, ao invés de o mundo físico ser uma cópia do mundo espiritual. Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual! E um Espírito do sexo feminino, que tem os fluxos catamênicos no mundo espiritual e que vai ao banheiro e dá descarga!

Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluidos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação.

Acredito que alguns desses médiuns são médiuns autênticos. Ocorre que eles não perderam a mediunidade, a sua faculdade mediúnica é que mudou de mãos, daquelas entidades respeitáveis para as entidades frívolas que estão criando verdadeiros embaraços, porque em determinados seminários, palestras, fazem perguntas diretas e ficamos numa situação delicada, porque citam os nomes. Toda vez que dizem os nomes eu me recuso responder. Numa pergunta em tese muito bem, mas declinar nomes, não. Não tenho esse direito de levar alguém ao escárnio.

Dessa forma, o problema é mais grave do que parece, porque muitos também estão fazendo disso profissão, embolsam o resultado das vendas. Enquanto outros justificam obras de má qualidade, por terem um objetivo nobre: ajudar obras de assistência social. Os meios não justificam os fins."

Em http://claudioluciano.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html

NOTA DO BLOG: O artigo, bem como a imagem, foram extraídos do blog de Jorge Hessen: http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html, acesso em 23/02/2013


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Auto-de-Fé de Barcelona - (IN) TOLERÂNCIA RELIGIOSA.....UMA REFLEXÃO PARA A PAZ E O ECUMENISMO - 04



Na Revue Spirite, de novembro de 1861, Allan Kardec relata aos leitores sobre a queima dos livros espíritas, que ficou conhecido como o auto-de-fé de Barcelona.  Ele escreve na revista que lhe foi narrado o seguinte: “Este dia, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, sobre a esplanada da cidade de Barcelona, no lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber: A Revista Espírita, diretor Allan Kardec; A Revista Espiritualista, diretor Piérard;  O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec; O Livro dos Médiuns, pelo mesmo; O que é o Espiritismo, pelo mesmo; Fragmento de sonata, ditado pelo Espírito de Mozart; Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo doutor Grand; A História de Jeanne d'Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufau; A realidade dos Espíritos  demonstrada pela escrita direta, pelo barão de Guldenstubbé.”

Assistiram ao auto-de-fé um padre revestido das roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra mão; um notário encarregado de redigir a ata do auto-de-fé; o escrevente do notário; um empregado superior da administração da alfândega e três moços (serventes) da alfândega, encarregados de manter o fogo; um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.”

Conta ainda que uma multidão inumerável encontrava-se sobre os passeios e cobria a imensa esplanada onde se elevava a fogueira. Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras Espíritas, o padre e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e as maldições dos numerosos assistentes que gritavam: Abaixo a inquisição!
Numerosas pessoas, em seguida, se aproximaram da fogueira, e recolheram as suas cinzas.

Kardec recebeu uma parte dessas cinzas e com elas se encontrava um fragmento de O Livro dos Espíritos consumido pela metade e narra que o conservou numa urna de cristal como um testemunho autêntico desse ato insensato. Zeus Wantuil, no artigo Centenário de um auto-de-fé, em Reformador de 1961, pág.217/21, informa que a urna foi destruída pelos nazistas na 1ª Grande Guerra.

A História conta que havia dois tipos de auto-de-fé, os públicos e os privados. Essa expressão diz respeito a uma espécie de ritual de penitência pública, ou humilhação de heréticos, utilizado na inquisição. Portugal e Espanha foram os países que mais adotou essa prática. Em 1481 , em Sevilha, pela primeira vez, foram executados seis homens e mulheres; em 1540, na cidade de Lisboa, em Portugal. Em outros países, inclusive no continente americano tem-se notícias de auto-de-fé. No caso dos espíritas, queimaram-se-lhe  os livros na pretensão de queimar as idéias espíritas.

Em Obras Póstumas , na 2ª. parte, encontramos dois relatos. O primeiro datado de 21 de setembro de 1861, quando Kardec tomou conhecimento da apreensão dos referidos livros e o Espírito Verdade, por meio do médium Sr. d’A...lhe disse que se quisesse, por direito, poderia reclamá-los e que conseguiria lhe fossem restituídos os livros, dirigindo-se ao Ministro de Estrangeiros da França, mas, que segundo seu parecer, desse auto-de-fé resultaria maior bem do que o que adviria da leitura dos volumes. Acrescentou ainda que, a queima dos livros determinará uma grande expansão das idéias espíritas e uma procura imensa das obras dessa doutrina. E foi o que, de fato, aconteceu nos anos seguintes.

Os principais jornais da Espanha deram a notícia de forma minuciosa, com ecos na Europa e em diversas partes do mundo. Assim, na Espanha, não obstante as dificuldades ocorridas nos anos e décadas seguintes, foram fundados 14 periódicos, 15 na América Latina, 46 na Europa continental em mais de dez idiomas, dois na África, dois na Ásia e um na Oceania, que somados os de origem britânica e norte-americanos chegaram a mais de uma centena de publicações independentes, escreve Florentino Barrera, no seu livro Auto-de-Fé de Barcelona, editado na Argentina, em 1984, traduzido para o português e publicado, em 2007, pelo Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro, de São Paulo-SP (www.ccdpe.org.br).

Kardec noticia na Revista Espírita, de agosto de 1862, que o Bispo que mandou queimar os livros espíritas, desencarnou no dia nove de agosto daquele ano, ou seja, um pouco mais de 9 meses após e dá uma comunicação espontânea por um dos médiuns, à Kardec, respondendo-lhe as perguntas que tinha preparado mas que não necessitou fazê-las porque o bispo se antecipa. Ele diz: "Orai por mim; orai, porque ela é agradável a Deus, a prece que lhe dirige o perseguido pelo perseguidor e termina dizendo "Aquele que foi bispo e que não é mais que um penitente."

(artigo originariamente publicado no jornal Dirigente Espírita n°125, setembro/outubro 2011, da USE) 


Júlia Nezu (São Paulo/SP)
Espírita desde a década de 70, advogada, palestrante, divulgadora e articulista da imprensa espírita, fala sobre sua vida e sua atuação no Movimento Espírita em várias frentes de trabalho, é a 1ª vice-presidente da USE - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Ministra há diversos anos cursos e palestras sobre o espiritismo em todo o Brasil.
 EM http://www.redeamigoespirita.com.br/group/artigosespiritas/forum/topics/auto-de-fe-de-barcelona-julia-nezu?commentId=2920723%3AComment%3A465774&groupId=2920723%3AGroup%3A23523