Mediunidade com Jesus

Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes. Desenvolver esse recurso é,
sobretudo, aprender a servir.
Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados;
ali, um companheiro aplica energias curativas;
além, um cooperador ensina ao roteiro da verdade;
acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.
Entretanto, é o mesmo poder que opera em todos. E a divina inspiraçao do
Cristo, dinamizada através de mil modos para reerguer-nos da condição de
inferioridade ou para sanar-nos o sofrimento.
E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama os
títulos convencionais do mundo, quaisquer que sejam, porque a mediunidade
cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu
a derramar beneficíos na Terra, por intermédio dos corações de boa
vontade.
Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de
se lhes apreciar o desdobramento, vale mais a consagração do trabalhador à
caridade legítima, em cujo exercício todas as realizações nobres da alma podem
ser encontradas.
Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos
outros;
quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais
desditosos da humana experiência.
Dar para receber. Auxiliar para ser amparado.
Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para
alcançar a bênção do amor.
Eis a lei, que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o
colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções
de vida imperecível.
Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do
auxílio mútuo.
Nesse terreno há muito que fazer os círculos da Doutrina Cristã rediviva,
porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as vantagens da luz,
tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a aplicação respectiva
no esforço da sementeira.
A tarefa pede fortaleza no serviço com raciocínio no sentimento.
Sem maturidade para superar a desaprovação provisória da ignorância e da
incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho fraterno para socorrê-las,
com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a
frente.
Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os
flancos e preciso se torna ao instrumento humano da verdade, armar-se
convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer
aos imperativos do ministério a que foi convocado.
Age, assim, com isenção de desânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu
apostolado de esclarecer e de auxiliar.
Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão dos
infortunados, na certeza de que o Senhor é o Manancial de todas as
Bênçãos.
O lavrador semeia, no entanto, é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e
preparar-se o fruto.
Indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpes e
espinhos que povoam o chão.
Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e
não seria justo que a hesitação te paralizasse os impulsos mais lies,
tão-somente porque a opínião do mundo te não entende os propósitos, nem os
objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.
Não importa que o tempo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica
de extrema simplicidade.
O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava administrar
os dons celestes sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros
mais abnegados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da
natureza.
Não te apoquentes e segue com serenidade.
Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do
sacrifício.
A mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da
subida, calvárío acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz
se transformam em asas de luz para a alma livre na imortalidade.
Não desprezes a oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.
A estância física é uma estrada breve.
Aproveitamo-la sempre que possível na sementeira do Bem.
Em suma, ser médium no roteiro cristão, é doar de si mesmo em nome do
Mestre.
E foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida
verdadeira aqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se
constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.
Segue para diante, amando e servindo.
Não nos deve preocupar a ausência de alheia compreensão.
Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme a
Inesquecível Orientador que nos observou: "Amai-vos uns aos outros, tal
qual eu vos amei".
BEZERRA DE MENEZES
[92 - página 57]
MEDIUNIDADE E JESUS
Cap. VI — ltem 7
Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome do Cristo, esquece-se, naturalmente,
de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nível
de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna doutrina entre os
homens.
É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na
clariaudiência e na clarividência entre Maria e Isabel, José e Zacarias, Ana e
Simeão, no estabelecimento da Boa Nova.
E segue adiante, ...
enaltecendo-a na inspiração junto aos doutores do Templo;
exaltando-a nos fenômenos de efeitos físicos, ao transformar a água em vinho,
nas bodas de Caná;
honorificando-a, nas atividades da cura, em transmitindo passes de socorro aos
cegos e paralíticos, desalentados e aflitos, reconstituindo-lhes a saúde;
ilustrando-a na levitação, quando caminha sobre as águas;
dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os
desencarnados sofredores por intermédio dos alienados mentais que lhe surgem à
frente;
glorificando-a na materialização, em se transfigurando ao lado de Espíritos
radiantes, no cimo do Tabor, e
elevando-a sempre, no magnetismo sublimado, seja aliviando os enfermos com a
simples presença, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando pães e
peixes para a turba faminta ou apaziguando as forças da natureza.
E, confirmando o intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Eternidade,
reaparece, Ele mesmo, ante os discípulos espantados, traçando planos de
redenção que culminam no dia de Pentecostes — o momento inesquecível do
Evangelho —, quando os seus mensageiros convertem os Apóstolos em médiuns
falantes, na praça pública, para esclarecimento do povo necessitado de
luz.
Como é fácil de observar, a mediunidade, como recurso espiritual de sintonia,
não se confunde com a Doutrina Espírita que expressa atualmente o Cristianismo
Redivivo, mas, sempre que eliecida pela honestidade e pela fé, pela educação e
pela virtude, é o veículo respeitável da convicção na sobrevivência.
Assim, pois, não nos agastemos contra aqueles que a perseguem, através do
achincalhe — tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se
escondam sob os veneráveis distintivos da autoridade humana —, porquanto os
talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus, o nosso
Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nós, como sendo o Excelso
Médium de Deus.
EURÍPEDES BARSANULFO
[89 - página 157]
JESUS E MEDIUNISMO
Felicitados pelas bênçãos com que o Espiritismo nos distende o socorro do Céu,
busquemos no Evangelho o roteiro da Humanidade sublimada.
Intérprete fiel do Pai Celestial, foi Jesus o Excelente Médium da vida
abundante.
Em todo o seu ministério, esteve em freqüente comunhão com os desencarnados,
sendo, por isso mesmo, denominado “Senhor dos Espíritos”.
Obsidiados e loucos, fascinados e dementes, paralíticos e mudos, surdos e cegos
receberam das suas mãos o auxílio vigoroso que os libertou dos desencarnados de
mente atormentada, que os detinham sob o fardo de aflições
indescritíveis.
Maria a famosa cortesã de Magdala, dominada por pertinaz fascinação obsessiva,
recebeu dEle o convite libertador, renovando-se para a vida nobilitante.
Em Cafarnaum, “cheqada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com
a sua palavra expulsou deles os Espíritos” atormentadores que se compraziarn em
obsidiar coletivamente(1)
Descendo do Tabor, um pai aflito, de joelhos, diz-lhe: — “Senhor, tem
misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito”, apresentando, na
mediunidade torturada, os estigmas de obsessão profunda.(2)
O paralítico de Cafarnaum, que lhe foi apresentado “pelo telhado”, portava
consigo a mediunidade ultrajada por Espíritos possessivos que lhe dominavam os
movimentos.
O endemoninhado gadareno, médium obsidiado por “Legião”, defrontado com o seu
magnetismo curador, estertorava, “porque lhe dizia: Sai deste homem. Espírito
imundo.”(3)
Nos termos de Tiro e Sidon, “uma mullher cuja filha tinha um espírito imundo” e
vivia vampirizada pela força maléfica, encontrou alívio para o desequilíbrio
psíquico que a infelicitava.(4)
Judas, perturbado por obsessão indireta, serviu de fácil presa dos Espíritos
levianos, “tendo-lhe o demônio posto no coração” a dúvida a respeito do
apostolado.(5)
E, em todo o Novo Testamento, repontarn as afirmações sobre a Mediunidade em
volta do Mestre Divino.
Em Caná, o Senhor honrou a mediunidade de efeitos físicos.
No Tabor, o Cristo elieceu a faculdade da transfiguração.
Sobre as águas do Genesaré, o Enviado Celeste prestigiou os recursos psíquicos
da levitação.
Na Montanha, atendendo à multidão esfaimada, Jesus movimentou o mecanismo da
materialização abundante.
O cego de Jericó foi por Ele felicitado no exercício da mediunidade
curadora.
Em Nazaré, ante a turba enfurecida, utilizou a faculdade da
desmateriaIização.
No dia do Pentecostes, favoreceu os companheiros da retaguarda com a
psicofonia, desenvolvendo neles a mediunidade poliglota.
E no dia da ascensão triunfal, junto ao lago, na Galiléia, depois de investir
os discípulos no sacerdócio da Mediunidade nos seus múltiplos aspectos, alçou-se
ao Reino, nimbado de radiosa materialização luminosa.
Iniciou o ministério entre os homens, nas humildes palhas de modesta
estrebaria, com o lar assinalado pelas forças espirituais condensadas numa
estrela fascinante, e despediu-se dos companheiros, fulgurante como um sol de
eterna luz...
Mediunidade, hoje, é recapitulação da Boa Nova sob a Presidência do Sábio
Condutor.
Procuremos, assim, sintonizar com a Esfera Superior, no exercício da faculdade
com que a vida nos honra, e sirvamos sem desfalecimento.
Toda mediunidade é nobre quando a libertamos da sombra que nasce conosco, como
remanescente do passado.
Fascinação,
obsessão,
possessão,
vampirismo,
desequilíbrios e enfermidades são acidentes do caminho mediúnico.
Somos destinados á luz.
Temos a fatalidade do bem.
Libertemos a gema que se demora entre os cascalhos das imperfeições pessoais e,
lapidando zelosamente as arestas que obstaculizam a projetação da luz,
desenvolvamos os preciosos recursos que jazem latentes em nós.
Honremos a faculdade que nos felicita os dias, mediante a execução de um plano
socorrista em favor dos sofredores, a fim de nos libertarmos do currículo das
manifestações inferiores.
Cada médium segue o roteiro que se desdobra como senda de purificação.
Uns curam, outros materializam;
uns doutrinam, outros enxergam;
uns falam, outros escrevem;
uns ensinam, outros ouvem;
uns libertam, outros servem na incorporação psicofônica, ajudando os
atormentados do Além-Túrnulo com as preciosas luzes do Evangelho.
Não pretendamos atender a todos os “dons espirituais” conforme a linguagem do
Vidente de Damasco, que nos apresentou a diversidade deles em sua memorável
carta aos Coríntios, 1-12:4-11.
Utilizemos a força mediúnica em todo tempo e lugar, consoante as necessidades,
examinando se “os Espíritos vêm de Deus” e ensinando que todo o bem procede
sempre do Pai que nos rege a vida.
E, calcando sob os pés dificuldades e óbices, vencendo as imperfeições
milenárias, restauremos a Era do Espírito nestes dias que precedem ao Primado
da Verdade, mesmo que mantenhamos no coração um espinho, na posição de seta
direcional apontando o rumo dos Altos Cimos.
(1) Mat. 8.16; (2) Mat. 17-14; (3) Mar. 5-8; (4) Mar. 7-25; (5) Jo. 13-2,
(Notas do autor espiritual)
Do livro À LUZ DO ESPIRITISMO
Ditado pelo Espírito Vianna de Carvalho, psicografado por Divaldo P.
Franco
Prezados irmãos!
Mediunidade com Jesus é o pensamento agindo com amor.
Amor no mundo físico e no mundo espiritual.
Afasta-te de ti, medianeiro, o fantasma da dúvida e deixa fluir em ti a dor dos
que perambulam pelas vias do sofrimento.
O trabalho incansável é o maior escudo contra as pedradas da incompreensão
alheia.
Toma a tua cruz com o Senhor e seca as lágrimas dos que sofrem. Sê o médium do
amor. “Fé que não afronta o ridículo dos homens” é fé superficial.
Com Jesus hoje e sempre seca as lágrimas dos que partiram e dos que ainda
estagiam no Plano Físico.
Muita paz!
Cláudio Rossini
Mensagem psicografada por J. G. Argel em 28 de abril de 2007 em “Casa de
Eurípedes”, Taubaté, SP.
http://www.palavraespirita.com.br/pe_conteudo.php?id_edicao=115&texto=5&detalhe=1
FONTE : http://www.guia.heu.nom.br/mediunidade_com_jesus.htm
JESUS e Mediunidade
.:: JESUS e Mediunidade ::.
IN : Revista "Reformador" Março 2003 - nº.2088 - Ed.FEB (págs.13 a
15)
DIVINA MEDIUNIDADE
Em nos reportando a qualquer estudo da mediunidade, não podemos olvidar que, em
JESUS, ela assume todas as características de exaltação divina (19) .
Desde a chegada do Excelso Benfeitor ao Planeta, observa-se-Lhe o pensamento
sublime penetrando o pensamento da Humanidade.
Dir-se-ía que no estábulo se reúnem pedras e arbustos, animais e criaturas
humanas, representando os diversos reinos da evolução terrestre, para
receber-Lhe o primeiro toque mental de aprimoramento e beleza.
Casam-se os hinos singelos dos pastores aos cânticos de amor nas vozes dos
mensageiros espirituais, saudando Aquele que vinha libertar as nações, não na
forma social que sempre lhes será vestimenta às necessidades de ordem
colectiva, mas no ádito das almas, em função da vida eterna.
Antes Dele, grandes comandantes da idéia haviam pisado o chão do mundo,
influenciando multidões.
Guerreiros e políticos, filósofos e profetas alinhavam-se na memória popular,
recordados como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram com exércitos e
fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam rectidão e parcialidade,
sombra e luz.
Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana, mas, com a Sua magnitude
moral, imprime novos rumos à vida, por dirigir-se, acima de tudo, ao espírito,
em todos os climas da Terra.
Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de que procede, transita
entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a Vida Maior, como que a
tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a harmonizá-las com a sinfonia
universal do Bem Eterno.
MÉDIUNS PREPARADORES
Para recepcionar o influxo mental de JESUS, o Evangelho nos dá notícias de uma
pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores eléctricos
conjugados, para acolher-lhe a força e armazená-la, de princípio, antes que se
lhe pudessem canalizar os recursos.
E longe de anotarmos aí a presença de qualquer instrumento psíquico menos
seguro do ponto de vista moral encontramos importante núcleo de medianeiros,
desassombrados na confiança e correctos da directriz.
Informamo-nos, assim, nos apontamentos da Boa Nova, de que Zacarias e Isabel,
os pais de João Baptista, pecursor do Médium Divino, "eram ambos justos
perante Deus, andando sem repreensão, em todos os mandamentos e preceitos do
Senhor" (20) , que Maria, a jovem simples de Nazaré, que acolheria o
Embaixador Celeste nos braços maternais, se achava "em posição de louvor
diante do Eterno Pai" (21) , que José da Galiléia, o varão que O tomaria
sob paternal tutela, "era justo" (22) , que Simeão, o amigo abnegado
que o aguardou em prece, durante longo tempo, "era justo e obediente a
Deus" (23) , e que Ana, a viúva que o esperou em oração, no Templo de
Jerusalém, por vários lustros, vivia "servindo a Deus" (24) .
Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções avançadas que os
situavam em contacto com os Emissários Celestes, mas também pela conduta
irrepreensível de que forneciam testemunho, surpreendemos o circuito de forças
a que se ajustou a onda mental do Cristo, para daí expandir-se na renovação do
mundo.
EFEITOS FÍSICOS
Cedo começa para o Mestre Divino, erguido à posição de Médium de Deus, o
apostolado excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível
para a existência na Terra.
Aos doze anos, assenta-se entre os doutoures de Israel, "ouvindo-os e
interrogando-os" (25) , a provocar admiração pelos conceitos que expendia
e a entremostrar a sua condição de intermediário entre culturas
diferentes.
Iniciando a tarefa pública, na exteriorização de energias sublimes
encontramo-Lo em Caná da Galileia oferecendo notável demonstração de efeitos
físicos, com acção a distância sobre a matéria, em "transformando a água
em vinho" (26) . Mas, o acontecimento não permanece circunscrito ao âmbito
doméstico, porquanto evidenciando a extensão dos seus poderes, associados ao
concurso dos mensageiros espírituais que , de ordinário, lhe obedeciam às
ordens e sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a multiplicar pães e
peixes (27) , no topo do monte, para saciar a fome da turba inquieta que Lhe
ouvia os ensinamentos, e a tranquilizar a Natureza em desvario (28), quando os
discípulos assustados lhe pedem socorro, diante da tormenta.
Ainda no campo da fenomenologia física ou metapsíquica objectiva, identificamo-lo
em plena levitação, "caminhando sobre as águas" (29) , e em
prodigiosa ocorrência de materialização ou ectoplasmia, quando se põe a
conversar, diante dos aprendizes, com dois varões desencarnados que,
positivamente, apareceram glorificados, a falarem-Lhe de acontecimentos
próximos (30) .
Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a
expectação geral (31) e na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz
directa, em que bençãos divinas Lhe assinalam a rota (32).
Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os
agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores
espirituais que lhe assessoram o ministério de luz.
EFEITOS INTELECTUAIS
No capítulo dos efeitos intelectuais ou, se quisermos, nas provas da
metapsiquica subjectiva, que reconhece a inteligência humana como possuidora de
outras vias de conhecimento, além daquelas que se constituem dos sentidos
normais, reconhecendo Jesus no mais altos testemunhos.
A distância da sociedade hierosolimita, vaticina os sucessos amargos que
culminariam com a Sua morte na cruz (33). Utilizando a clarividência que Lhe
era peculiar, antevê Simão Pedro cercado de personalidades inferiores da esfera
extra-física, e avisa-o quanto ao perigo que isso representa para a fraqueza do
apóstolo (34). Nas últimas instruções, ao pé dos amigos, confirmando a profunda
lucidez que lhe caracterizava as apreciações percucientes, demonstra conhecer a
perturbação consciencial de Judas (35), a despeito das dúvidas que a ponderação
suscita entre os ouvintes. Nas preces de Getsêmani, aliando clarividência e
clariaudiência, conversa com um mensageiro espiritual que o reconforta
(36).
MEDIUNIDADE CURATIVA
No que se refere aos poderes curativos, temo-los em Jesus nas mais altas
afirmações de grandeza.
Cercam-no doentes de variada expressão. Paralíticos estendem-Lhe membros
mirrados, obtendo socorro. Cegos recuperam a visão. Ulcerados mostram-se
limpos. Alienados mentais, notadamente obsidiados diversos, recobram
equilíbrio.
É importante considerar, porém que o Grande Benfeitor a todos convida para a
valorização das próprias energias.
Reajustando as células enfermas da mulher hemorroíssa, diz-lhe, convincente: -
"Filha, tem bom ânimo! A tua fé te curou". (37) Logo após, tocando os
olhos de dois cegos que lhe recorrem à caridade, exclama: - "Seja feito,
segundo a vossa fé." (38)
Não salienta a confiança por simples ingrediente de natureza mística, mas sim
por recurso de ajustamento dos princípios mentais na direcção da cura.
E encarecendo o imperativo do pensamento recto para a harmonia do binómio
mente-corpo, por várias vezes o vemos impelir os sofredores aliviados à vida
nobre, como no caso do paralítico de Bestesda, que, devidamente refeito, ao
reencontrá-lo no templo, dele ouviu a advertência inesquecível: - "Eis que
já estás são. Não peques mais, para que te não suceda coisa pior."
(39)
EVANGELHO e MEDIUNIDADE
A prática da mediunidade não está somente na passagem do Mestre entre os
homens, junto dos quais, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o
Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se
dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas
também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da
morte, ministrando intruções para o edifício do Evangelho nascente.
No dia de Pentecostes, vários fenómenos mediúnicos marcam a tarefa dos
apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a
constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as
construções do Cristianismo, nos séculos subsequentes.
Em Jesus e em seus primitivos continuadores, porém, encontramo-la pura e
espontânea, como deve ser, distante de particularismos inferiores, tanto quanto
isenta de simonismo. Neles, mostram-se os valores mediúnicos a serviço da
Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, na qual os regulamentos divinos, em
todos os mundos, instituem a responsabilidade moral segundo o grau de
conhecimento, situando-se, desse modo, a Justiça Perfeita, no íntimo de cada
um, para que se outorgue isso ou aquilo, a cada Espírito, de conformidade com
as próprias obras.
O Evangelho, assim, não é o livro de um povo apenas, mas o Código de Princípios
Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, a todas as comunidades, a
todas as raças e a todas as criaturas, porque representa, acima de tudo, a
carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da
qual Nosso Senhor Jesus-Cristo enpregou a mediunidade sublime como agente de
luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e
glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purifiquem e se
engrandeçam, se santifiquem e se elevem para a integração com as Leis de Deus.
André Luiz
FONTE: Livro “Mecanismos da Mediunidade”
Espírito: André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Editora: FEB - 21 ed. 2002, Rio de Janeiro, p.181-188
________________________________________
19 -
Em A Génese (p.293 e 294, FEB, 12. ed.), anota Allan Kardec, com referência aos
fenómenos da mediunidade em Jesus:
"Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-Lo
poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um
instrumento, de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não
precisava de assistência, pois que era Ele quem assistia os outros. Agia por si
mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os
encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria
insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se
algum ingfluxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo
definição dada por um Espírito, Ele era Médium de Deus." - (Nota indicada
pelo autor espiritual.)
.:: JESUS e Mediunidade ::.
IN : Revista "Reformador" Março 2003 - nº.2088 - Ed.FEB (págs.13 a
15)
http://valintim.blogspot.com.br/2011/01/mediunidade-com-jesus.html