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sexta-feira, 13 de abril de 2012

RAZÕES PARA SER CONTRA O ABORTO DO ANENCÉFALO

(Folha Espírita - Agosto/2004) em http://www.amebrasil.org.br/html/aborto_razoes.htm
À primeira vista, pode parecer que as razões contrárias ao abortamento provocado sejam exclusivamente da alçada da religião. Uma reflexão mais acurada, porém, demonstrará que elas têm raízes profundas na própria ciência. Assim, para sermos fiéis à verdade e discutirmos, sem as amarras obliterantes do preconceito, a complexa e multifacetada questão dos direitos do embrião, é indispensável analisarmos os argumentos científicos contrários ao aborto.
O primeiro passo nessa busca é a descoberta do verdadeiro significado do zigoto à luz das Ciências da Vida.
Para Moore e Persaud (2000, p. 2), “o desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando o ovócito de uma mulher é fertilizado por um espermatozóide de um homem. O desenvolvimento envolve muitas modificações que transformam uma única célula, o zigoto (ovo fertilizado), em um ser humano multicelular”. Ainda segundo os ilustres embriologistas, o zigoto e o embrião inicial são organismos humanos vivos, nos quais já estão fixadas todas as bases do indivíduo adulto. Sendo assim, não é possível interromper qualquer ponto do continuum – zigoto, feto, criança, adulto, velho – sem causar danos irreversíveis ao bem maior, que é a própria vida.
Mas há muito mais sobre o zigoto. É impossível deixar de reconhecer que é uma célula extremamente especializada, que passou pelo buril do tempo, herdeira de bilhões de anos de evolução. Dos cristais minerais ao ser humano, as células primitivas passaram por um longo e extraordinário percurso, desde os procariontes aos eucariontes, dos seres mais simples aos mais complexos, até surgirem, magníficas, nas múltiplas especializações dos órgãos humanos. E a célula-ovo é um dos exemplos mais admiráveis, porque encerra em si mesma, potencialmente, todo o projeto de um novo ser, que é único e insubstituível.
Nesse sentido, a investigação sobre a estrutura do zigoto nos leva necessariamente à discussão sobre a origem da vida e seu significado científico, com todas as conseqüências disso para discussões bioéticas, morais, políticas e religiosas. Não será possível retomar aqui toda a argumentação desenvolvida em O Clamor da Vida (NOBRE, 2000), de modo que apresentarei unicamente alguns dos pontos centrais envolvidos.
Reconhecemos o grande valor da Teoria Neodarwiniana e de seus pressupostos básicos – a evolução das espécies, a mutação e a seleção natural – já comprovados pela investigação científica. Ela, porém, tem se revelado insuficiente para explicar a evolução como um todo, porque tem no acaso um dos seus pilares. O mesmo acontece com todas as outras teorias que buscam complementá-la, mantendo a mesma base explicativa, como as de Orgel, Eigen, Gilbert, Monod, Dawkins, Kimura, Gould, Kauffman. Demonstrou-se, por exemplo, através de cálculos matemáticos, a impossibilidade estatística (101000 contra um) de se juntar, ao acaso, mil enzimas das duas mil necessárias ao funcionamento de uma célula. Do mesmo modo, já se constatou que o acaso é insuficiente para explicar, passo a passo, de forma detalhada, científica, o surgimento de estruturas complexas, como o olho, o cílio ou flagelo, a coagulação sanguínea.
Por isso, acreditamos que a Teoria do Planejamento Inteligente, que não tem por base o acaso e é defendida por cientistas competentes, como o bioquímico Michael Behe, a bióloga Lynn Margulis, e os físicos Ígor e Grischka Bogdanov, possui argumentos científicos bem mais sólidos para explicar a evolução dos seres vivos. Behe, em seu livro A Caixa Preta de Darwin, afirma que não importa o nome que se lhe dê, mas, para ele, indiscutivelmente, a vida tem um Planejador. Esta mesma conclusão está em Deus e a Ciência, obra de J. Guitton e dos irmãos Bogdanov. Na mesma linha de raciocínio, Margulis e Sagan (2002, p. 23) afirmam: “Nem o DNA nem qualquer outro tipo de molécula, por si só, é capaz de explicar a vida”.
Esses autores foram buscar suas argumentações científicas no estudo da extraordinária maquinaria celular; no jogo de convenções inexplicáveis, como as ligações covalentes, a estabilização topológica de cargas, a ligação gene-proteína, a quiralidade esquerda dos aminoácidos e direita dos açúcares; como também, nos cálculos matemáticos das enzimas celulares e na análise de estruturas complexas, já referidos. Enfim, um mundo de complexidade, que não pode ser reduzido à simples obra do acaso.
O fato é que o cientista, nem de longe nem de perto, tem conseguido “fabricar” moléculas da vida. Ele desconhece, portanto, como reproduzir, em laboratório, as forças que entram em jogo nesse intrincado fenômeno. Nessas circunstâncias, deveria adotar uma atitude mais humilde, mais reverente, diante desse bem maior que é concedido ao ser humano, o de viver.
Pois, a cada dia, chegam novos aportes científicos para a compreensão da verdadeira natureza do embrião. Descobertas recentes, feitas pela neurocientista Candace Pert e equipe, demonstram que a memória estaria presente não somente no cérebro, mas em todo o corpo, através da ação dos neuropeptídeos, que fazem a interconexão entre os sistemas – nervoso, endócrino e imunológico –, possibilitando o funcionamento de um único sistema que se inter-relaciona o tempo todo, o corpo-cérebro.
Outras pesquisas já detectaram a presença, no zigoto, de registros (“imprints”) mnemônicos próprios, que evidenciam a riqueza da personalidade humana, manifestando-se, muito cedo, na embriogênese. São também notáveis as pesquisas da dra. Alessandra Piontelli e demais especialistas que têm desvendado as surpreendentes facetas do psiquismo fetal, através do estudo de ultra-sonografias, feitas a partir do 4º mês de gestação, e do acompanhamento psicológico pós-parto, até o 3º ou 4º ano de vida da criança. O conjunto desses e de outros trabalhos demonstra a competência do embrião: capacidade para autogerir-se mentalmente, adequar-se a situações novas; selecionar situações e aproveitar experiências.
Se unirmos a Teoria do Planejamento Inteligente a essas novas descobertas, vamos concluir, baseados na ciência, que a vida do embrião não pertence à mãe, ao pai, ao juiz, à equipe médica, ao Estado. Pertence, exclusivamente, a ele mesmo, porque a vida é um bem outorgado, indisponível.
Há, pois, fortes razões científicas para ser contra o aborto, mesmo o do anencéfalo. Aprendemos, com a genética, que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso do anencéfalo, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado.
Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado. Sem ajuda para trabalhar o seu sentimento de culpa, ela pode exacerbá-lo pela incitação à violência contra o feto, e mesmo permanecer nele, por tempo indeterminado. Seria importante que inclinasse seu coração à compaixão e à misericórdia, mostrando-lhe o real significado da vida.
CNBB se posiciona contra o aborto em casos de fetos com anencefalia
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou, em nota oficial assinada por seu presidente, dom Geraldo Majella, pelo vice-presidente, dom Antônio Celso de Queiros, e pelo secretário-geral, dom Odilo Shcherer, que a interrupção da gravidez em casos de anencefalia do feto deveria ter sido tomada depois de ampla reflexão pela sociedade e participação do plenário da instituição. Para a CNBB, o ministro Marco Aurélio “autorizou a interrupção voluntária da gestação de uma vida humana”. A nota diz ainda: “... a vida humana, que se forma no seio da mãe, já é um novo sujeito de direitos e, por isso, tal vida deve ser respeitada sempre, não importando o estágio ou a condição em que ela se encontre”.
A visão de um delegado espírita
"Não se pode considerar como absoluta a morte do anencéfalo. O ser humano não possui o dom da vida, embora possa iniciá-la através da união carnal ou fecundação in vitro. O primado do processo civilizatório se encontra centrado na ampla defesa da pessoa no plano material e espiritual.
O respeito à vida, em qualquer nível em que ela se encontre, é uma conquista contemporânea da civilização. O que anima a natureza é exatamente a vida que se encontra presente nela, em todos os seus planos – desde o vegetal até o animal.
Assim, se houver um fundamento que justifique a morte, em qualquer estágio que a vida se encontre, não teremos motivos para evitá-la quando ela estiver situada em seus patamares mais elevados. Os argumentos que justificam a morte do anencéfalo serão os mesmo que justificariam a subtração da vida de qualquer outra pessoa – ou será que existem pessoas com mais vida e outras com menos vida?"
Clayton Reis - delegado da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas - PR.
Por que dizer não ao aborto de fetos anencéfalos na visão de um médico espírita
"A decisão do STJ em liberar a realização de abortos em casos de anencefalia não é correta. O anencéfalo é um ser vivo intra-útero. Ele nasce com vida e vai a óbito com minutos, dias, meses ou após anos. Se ele nasce vivo, o aborto é criminoso, pois lhe ceifa a oportunidade e a experiência da reencarnação.
Todos temos direito à vida, aos recursos existentes e, conseqüentemente, a uma morte natural, com toda a assistência médica. Acreditamos que há necessidade de uma maior reflexão por parte das autoridades brasileiras, um consenso entre todos os segmentos da sociedade e um cuidado na elaboração de medidas que venham comprometer a vida."
Laércio Furlan – médico e professor aposentado da UFPR; presidente da Associação Médico-Espírita do Paraná; coordenador da Campanha VIDA, SIM À GRAVIDEZ – Não ao Aborto
O que diz o Livro dos Espíritos?
Pergunta 344: “Em que momento a alma se une ao corpo?”
Resposta: “... desde o instante da concepção, o espírito designado a habitar certo corpo, a este se liga por um laço fluídico”.

APROVAÇÃO DO ABORTO DE ANENCEFALOS

ABORTO DE ANENCÉFALOS ESTÁ LIBERADO
em http://grupoallankardec.blogspot.com.br/2012/04/aborto-de-anencefalo-esta-liberado.html

Numa decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal(STF) concluiu que mulheres que decidem interromper a gravidez de fetosanencéfalos e médicos que fazem o procedimento não cometem crime.
A maioria dos ministros entendeu que um feto comanencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos nãopode ser comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal. A discussãoiniciada há oito anos no STF foi encerrada em dois dias de julgamento.
A decisão livra as gestantes que esperam fetos comanencefalia - ausência de partes do cérebro - de buscarem autorização daJustiça para antecipar o parto. Algumas dessas liminares demoravam meses paraserem obtidas. E, em alguns casos, a mulher não conseguia autorização eacabava, à revelia, levando a gestação até o fim. Agora, diagnosticada aanencefalia, elas poderão se dirigir diretamente a seus médicos para realizaçãodo procedimento.
O Código Penal brasileiro, em vigor desde 1940,prevê somente dois casos para autorização de aborto legal: quando coloca em risco a saúde da mãe e em caso de gravidez resultantede estupro. Qualquer mudança dessa legislação precisa ser aprovada peloCongresso Nacional.
Por 8 votos a 2, o STF julgou que o fetoanencefálico não tem vida e, portanto, não é possível acusar a mulher do crimede aborto. 'Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. Nocaso do anencéfalo, não existe vida possível', afirmou o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello.
Em seu voto, Carlos Ayres Britto afirmou que asgestantes carregam um 'natimorto cerebral' no útero, sem perspectiva de vida. 'É preferível arrancar essa plantinha aindatenra no chão do útero do que vê-la precipitar no abismo da sepultura',declarou.
Além desse argumento, a maioria dos ministrosreconheceu que a saúde física e psíquica da grávida de feto anencéfalo pode serprejudicada se levada até o fim a gestação. Conforme médicos ouvidos naaudiência pública realizada pelo STF em 2008, a gravidez de feto sem cérebropode provocar uma série de complicações à saúde da mãe, como pressão arterialalta, risco de perda do útero e, em casos extremos, a morte da mulher. Porisso, ministros afirmaram que impedir a mulher de interromper a gravidez nessescasos seria comparável a uma tortura.
Obrigar a manutenção da gestação, disse AyresBritto, seria impor a outra pessoa que se assuma como mártir. 'O martírio é voluntário', afirmou. 'O que se pede é o reconhecimento dessedireito que tem a mulher de se rebelar contra um tipo de gravidez tão anômala,correspondente a um desvario da natureza', disse. 'Dar à luz é dar à vida e não à morte', afirmou.
Na opinião do ministro, se os homens engravidassem,a antecipação de partos de anencéfalos 'estariaautorizada desde sempre'.
Atestado. O ministro Gilmar Mendes, que também foifavorável à possibilidade de interrupção da gravidez, sugeriu que o Ministérioda Saúde edite normas que regulem os procedimentos que deverão ser adotadospelos médicos para garantir a segurança do tratamento. Uma dessas regraspoderia estabelecer que antes da realização do aborto o diagnóstico deanencefalia seja atestado em dois laudos emitidos por dois médicos diferentes.
Apenas dois ministros votaram contra a liberação do aborto - Ricardo Lewandowski e opresidente do STF, Cezar Peluso.
Lewandowski julgou que somente o Congresso poderiaincluir no Código Penal uma terceira exceção ao crime de aborto. E citou asoutras duas: caso a gravidez decorra de estupro ou se o aborto for necessáriopara salvar a vida da mãe.
'Não é lícito ao mais alto órgão judicante do País, a pretexto deempreender interpretação conforme a Constituição, envergar as vestes delegislador positivo, criando normas legais', afirmou o ministro. 'O aborto provocado de feto anencéfalo éconduta vedada de modo frontal pela ordem jurídica', disse Peluso.
'O doente de qualquer idade, em estágio terminal, também sofre por seuestado mórbido e também causa sofrimento a muitas pessoas, parentes ou não, masnão pode por isso ser executado nem é licito receber ajuda para dar cabo àprópria vida', afirmou o ministro. 'O feto portador de anencefalia tem vida.'
Laico (aquele que não tem religião definida). Gilmar Mendes reclamou da decisão doministro Marco Aurélio de negar a participação de setores religiosos nojulgamento, fazendo sustentações orais no plenário do STF.
'As entidades religiosas são quase que colocadas no banco de réus, comose estivessem a fazer algo de indevido. E é bom que se diga que elas não estãofazendo algo de indevido ao fazer as advertências',disse.
'Talvez daqui a pouco nós tenhamos a supressão do Natal do nossocalendário ou, por que não, a revisão do calendário gregoriano',disse. 'É preciso ter muito cuidado comesse tipo de delírio, de faniquitos anticlericais', acrescentou.


OBSERVAÇÕES ESPÍRITA:

1ª) POSSUEM CULPA OS QUE INDUZEM OU AUXILIAM A MULHER NO ABORTO? Todos aqueles que fazem leis queliberam o aborto, os que induzem ou auxiliam a mulher na eliminação donascituro possuem também a sua culpabilidade no ato criminoso: maridos ounamorados que obrigam as esposas; médicos que estimulam e o realizam;enfermeiras e parteiras inconscientes. Para a justiça humana, não há crime, nemprocesso, nem punição, na maioria dos casos, mas para a JUSTIÇA DIVINAtodos os envolvidos no ato criminoso sofrerão as conseqüências sombrias,imediatas ou em longo prazo, de acordo com o seu grau de culpabilidade;
2ª) E QUANDO A MULHER ENGRAVIDA CONTRA SUA VONTADE, COMO NO CASO DO ESTUPRO? O Espiritismo, em qualquercaso, entende a maternidade como digna e nobre. Além do mais, não sabemos seessa criatura, recebida em circunstâncias tão sofridas, não será o amparo e oamigo de que a mulher terá mais tarde em outras condições, quem sabe não menosdolorosas. Receber nos braços um filho que a vida nos enseja é sempre umabênção. O estuprador apenas produziu um corpo carnal, o espírito que irá sevincular àquele corpo e dará vida a ele é um filho de Deus. Caso amulher não queira conviver com o "filho de Deus", dê estacriança para adoção, mas não mate.



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ABORTO NA VISÃO ESPÍRITA
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OS ANENCÉFALOS NA VISÃO ESPÍRITA
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