quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DOUTRINA ESPIRITA


Doutrina espírita, Espiritismo ou Kardecismo,[1][2] é a doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, usando o pseudônimo Allan Kardec. Esta é baseada em cinco obras básicas, escritas por ele, através da observação de fenômenos que o mesmo atribuía a manifestações de inteligências incorpóreas ou imateriais, denominadas espíritos.
Em sua publicação, definida como "uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal".[3] Contudo, em sentido estrito, é consenso científico que todas as buscas por evidências que corroborassem a existência de espíritos não foram afirmativas aos rigores do método científico — questão cientificamente válida em princípio e certamente merecedora de atenção e escrutinação, principalmente considerada a época em que estas se deram com intenso fervor. Com isso, a doutrina espírita não é uma cadeira científica em stricto sensu, como são por exemplo a biologia, a física, a química, ou outra área científica qualquer. Mesmo assim, cientistas renomados são conhecidos por suas pesquisas sobre a comunicação com entidades incorpóreas, entre eles: Alfred Russel Wallace, Augustus De Morgan, Cesare Lombroso, Cromwell Varley, Ernesto Bozzano, Frederico Myers, Julian Ochorowicz, Michael Faraday, Oliver Lodge, William Fletcher Barrett e William Crookes.[4][5]
Mesmo a doutrina valendo-se de métodos da ciência de observação, como o método dedutivo, sua contribuição não pode ser considerada exclusiva sob este caráter, sendo seu legado também significativo no caráter filosófico e religioso, este, cristão.[3]
A doutrina muito tem expandido, e hoje conta com adeptos em diversos países, como, Alemanha, Argentina, Canadá[6], Espanha, Estados Unidos,França, Japão, Portugal, Reino Unido, e, especialmente, alguns países americanos como, Cuba, Jamaica e Brasil, este, tendo uma das maiores proporções, com um considerável número de seguidores em sua população.[7]
Alguns nomes são tidos como continuadores da doutrina, e de fundamental importância para sua expansão, entre os quais pode-se citar: Arthur Conan Doyle, Camille Flammarion, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Ernesto Bozzano, Johannes Greber[8], Léon Denis e Waldo Vieira.

Etimologia e uso

O termo Espiritismo (do francês Spiritisme) surgiu como um neologismo, criado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (conhecido por Allan Kardec) para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas em "O Livro dos Espíritos" (1857).[9]
Contudo, a utilização do termo, cuja raiz é comum a diversas nações ocidentais de origem latina ou anglo-saxônica, fez com que ele fosse rapidamente incorporado ao uso cotidiano para designar tudo o que dizia respeito à alegada comunicação com os espíritos. Assim, por espiritismo, entendem-se hoje as várias doutrinas religiosas e/ou filosóficas que crêem na sobrevivência dos espíritos à morte dos corpos, e, principalmente, na possibilidade de se comunicar com eles, casual ou deliberadamente, via evocações ou espontâneamente. Essa apropriação do termo cunhado por Kardec, por parte de adeptos de outras tradições espiritualistas, é criticada pelos seguidores contemporâneos do pedagogo francês, que o reivindicam para designar a sua doutrina específica.
O termo "kardecista" é repudiado por parte dos adeptos da doutrina que reservam a palavra "espiritismo" apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do espiritismo, e denominam correntes diversas de "espiritualistas"[10]. Estes adeptos entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como aapometria), denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista".[10] A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como "kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou obudismo, mas a uma coletividade de espíritos que eles acreditam que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava que continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo, o que não se teria verificado, já que as obras básicas teriam permanecido inalteradas desde então.[carece de fontes] Outra parcela dos adeptos, no entanto, considera o uso do termo "kardecismo" apropriado.[11] O uso deste termo é corroborado por fontes lexicográficas como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa[12], o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa[13], o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa[14] e o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa.[15]
José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma "prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita" criado por brasileiros "permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita".[16]
As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira[17]), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".

História

Allan Kardec, o codificador e sistematizador da Doutrina Espírita.
Durante o século XIX houve uma grande onda de manifestações mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa. Estas manifestações consistiam principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente. Entre eles destacou-se o suposto caso dasIrmãs Fox, nos EUA.
Em 1855, o professor Denizard Rivail, que depois adotou o pseudônimo de Allan Kardec, pretendia investigar o fenômeno que muitas pessoas afirmavam ter experimentado na época, das mesas girantes ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam animar-se com uma estranha vitalidade. Apesar de inciais afirmações aparentemente céticas"Eu crerei quando vir e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, deem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para dormir em pé", assegura-se que após dois anos de pesquisas, não tinha visto constatação de fraudes e nem um motivo para englobar todos os acontecimentos dessa ordem no âmbito das faláciase/ou charlatanices. Pessoalmente convencido não só da realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das mistificações existentes, mas também da possibilidade de ele ser causado por espíritos, Rivail, em lugar de dedicar o resto de sua vida à busca por "provar cientificamente" a explicaçãomediúnica para esses pretensos fenômenos, sagrou-se a explorar as consequências da hipótese de que fossem causados pela ação de espíritos.
Quanto à sua formação, pretendia ser discípulo de Pestalozzi, discípulo por sua vez de Rousseau, apesar da sua teórica pesquisa não seguir métodos estritamente científicosnaturalista. O seu intuito era dar algum suporte à espiritualidade humana numa época em que a ciência avançava a passos largos e asreligiões perdiam cada vez mais adeptos. Kardec julgava ter encontrado um novo modo de pensar o real, que uniria, de forma ponderada, a ascendente Ciência e a decadente Religião. Assim, Kardec defendia que fazia uso do empirismo científico para investigar os fenômenos, da racionalidade filosófica para dialogar com o que presumiu serem espíritos e analisar suas proposições, e buscou extrair desses diálogos consequências ético-morais úteis para o ser humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril de 1857, a doutrina espírita, sistematizada na primeira edição de O Livro dos Espíritos.

Primeiras observações

A médium Eusápia, num experimento controlado porAlexandre Aksakof em 1892.
Segundo alguns seguidores da doutrina espírita, os fenômenos mediúnicos seriam universais e teriam sempre existido, inclusive com fartos relatos na Bíblia, mas os espíritas e muitos outros defensores da explicação mediúnica para os chamados "fenômenos sobrenaturais" ou "paranormais" adotam a data de 31 de março de 1848 como o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, alegadamente mais ostensivas e frequentes do que jamais ocorrera, o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos. Afirmam, contudo, que acontecimentos envolvendo espíritos (pessoas que já morreram) existem desde os primórdios da humanidade.[carece de fontes]
Entre outros, citam como exemplo os comentários de Platão ao falar sobre o dáimon ou gênio que acompanharia Sócrates; a proibição de Moisés à prática da "consulta aos mortos", que seria uma evidência da crença judaica nessa possibilidade, já que não se interdita algo irrealizável; e a comunicação de Jesus comMoisés e Elias no Monte Tabor, citada em Mt, 17, 1-9.

Estudo sobre as mesas girantes

Segundo os biógrafos, Allan Kardec foi convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de Mesmer, a verificar o fenômeno das mesas girantes com a disposição de observar e analisar os fenômenos que despertavam curiosidade no século XIX.
As primeiras manifestações tidas como mediúnicas aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo, desse modo, sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta.
Kardec, analisando esses fenômenos, concluiu que não havia nada de convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito daeletricidade, cujas propriedades eram pouco conhecidas pela ciência de então. Foram então utilizados métodos para se obter respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes corresponderia ao número de ordem de cada letra, chegando, assim, a formularpalavras e frases respondendo às perguntas propostas.
Kardec concluiu que a precisão das respostas e sua correlação com a pergunta não poderiam ser atribuídas ao acaso. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito.

Princípios

Nascido no século XIX, no dia 18 de Abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, o Espiritismo se estruturou a partir de pretensos diálogos estabelecidos por espíritosdesencarnados que, se manifestando por meio de médiuns, discorreram sobre temas religiosos sob a ótica da Moral Cristã, ou seja, tendo por princípio o amor ao próximo. Desta forma foi estabelecido o preceito primário da Doutrina, de que só é possível buscar o aprimoramento espiritual através da caridade aos semelhantes (Lema: Fora da caridade não há salvação), além de trazer a luz novas perspectivas sobre diversos temas de grande relevância filosófica e teológica.
O Espiritismo pretende chegar à compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas clássicas de conhecimento, que seriam a ciência, a filosofia e a moral. Segundo Kardec, cada uma delas, tomada isoladamente, tende a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo.[carece de fontes] A doutrina espírita se propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre as três, visando à obtenção de uma forma original que, a um só tempo, fosse mais abrangente e mais profunda, para desta forma melhor compreender a realidade. Kardec sintetiza o conceito com a célebre frase: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”[18].
É importante ressaltar ainda que, quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria é, por definição, espiritualista, independente de sua religião, sendo, portanto, o espiritualismo enquanto oposição ao materialismo, o pilar fundamental da maioria das doutrinas religiosas. No caso do Espiritismo, a principal diferença entre esta doutrina e a maioria das demais religiões é sua crença na possibilidade de comunicação entre o mundo corporal e o mundo espiritual, contudo, a fé nesta possibilidade de comunicação gera grande confusão por parte dos leigos entre o Espiritismo e as religiões afro-brasileiras, contudo, cada uma delas possui origens completamente distintas umas das outras.
Allan Kardec, em "Obras Póstumas", propõe que o espiritismo seja uma doutrina natural, passível de ser interpretada ou não como religião pelos homens, isto é, capaz de colocar o homem – ou o espírito – diretamente em relação com Deus.
Quadro retratando a Evolução espiritual, segundo a ótica da Doutrina Espírita.
A doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:
  • Na existência e unicidade de Deus, desconstruindo o dogma da Santíssima Trindade;
  • Na existência e imortalidade do espírito, compreendido como individualidade inteligente da Criação Divina (para Kardec, a ligação entre o espírito e o corpo físico, é feita por meio de um conectivo "semimaterial" que denomina de perispírito);
  • Na defesa da reencarnação como o mecanismo natural de aperfeiçoamento dos espíritos;
  • No conceito de criação igualitária de todos os espíritos, "simples e ignorantes" em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição, com aptidões idênticas para o bem ou para o mal, dado o livre-arbítrio;
  • Na possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados ("vivos") e os espíritos desencarnados ("mortos"), por meio da mediunidade (Essa comunicação é realizada com o auxílio de pessoas com determinadas capacidades - os médiuns, como por exemplo a chamada "escrita automática" (psicografia).[19]);
  • Na Lei de Causa e Efeito, compreendida como mecanismo de retribuição ética universal a todos os espíritos, segundo a qual nossa condição é resultado de nossos atos passados;
  • Na pluralidade dos mundos habitados, a ideia de que a Terra não é o único planeta com vida inteligente no universo.
Além disso, podem-se citar como características secundárias:
  • A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda a existência do Espírito;
  • Progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;
  • Volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição. Os espíritas não creem na metempsicose.
  • Ausência total de hierarquia sacerdotal;
  • Abnegação na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar pela prática da caridade nem o fazer visando a segundas intenções;
  • Uso de terminologia e conceitos próprios, como, por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita;
  • Total ausência de culto a imagens, altares, etc;
  • Ausência de rituais institucionalizados, a exemplo de batismo, culto ou cerimônia para oficializar casamento;
  • Incentivo ao respeito para com todas as religiões e opiniões.
Embora a Doutrina Espírita não seja oriunda do Brasil, este é o país que possui a maior quantidade de adeptos.[20] A Federação Espírita Brasileira, que integra o Conselho Espirita Internacional, é a principal entidade divulgadora da Doutrina Espírita no Brasil. Outra organização de vulto é a Confederação Espírita Pan-Americana. Esta última não concebe o espiritismo como religião, centrando-se apenas nos seus aspectos filosóficos e científicos.
Com relação à questão da reencarnação, ela também não é pacífica, como ilustrado quando do V Congresso Internacional de Barcelona (1934) onde, depois de extensas discussões, ficou estabelecido que:
"...os espíritas latinos e hindus, representados pelos delegados da Bélgica, Brasil, Cuba, Espanha, França, Índia, México, Portugal, Porto Rico, Argentina, Colômbia, Suíça e Venezuela, afirmam a reencarnação como lei de vida progressiva, segundo a frase de Allan Kardec: 'Nascer, morrer, renascer e progredir sempre', e a aceitam como uma verdade de fato. Os espíritas não-latinos, representados no Congresso pelos delegados da Inglaterra, Irlanda, Holanda e África do Sul, consideram não haver demonstração suficiente para estabelecer a doutrina da reencarnação formulada por Kardec. Cada escola, portanto, fica em liberdade para proclamar as suas convicções a respeito de reencarnação."[21]

Espiritismo


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Espiritismo é uma palavra cunhada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, cujo pseudônimo era Allan Kardec, em 1857[1][2][3] para definir especificamente o corpo de idéias por ele reunidas e codificadas no "O Livro dos Espíritos"[4]. Refere-se a uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela dimanam",[5] e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos Espíritos.[6] Também é compreendido como uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através de médiuns.[7]
Em virtude da existência de vários pontos em comum, os termos "espiritismo" e "espiritualismo" têm sido, muitas vezes, usados inapropriadamente com o mesmo significado. No entanto,espiritualismo designa várias doutrinas filosóficas e/ou religiosas que têm como fundamento básico a afirmação da existência do espírito (ou alma) como elemento primordial da realidade[8][9], bem como sua autonomia, independência e primazia sobre a matéria[10]. Espiritualismo refere-se às doutrinas que são contrárias ao materialismo e que datam de milhares de anos; jáEspiritismo designa a doutrina sistematizada por Allan Kardec e exposta em seu Livro dos Espíritos (1857). Trata-se de um ramo do espiritualismo com características e identidade próprias.
Ainda que o espiritualismo seja praticado, sob uma forma ou outra, desde tempos remotos, o Espiritismo é um conjunto de princípios e leis codificados por Allan Kardec em meados do século XIX.[11]
Por consequência, todos os adeptos do Espiritismo são espiritualistas. Mas nem todos os Espiritualistas são espíritas.
Nos EUA, desde os primórdios de seu aparecimento, o espiritismo tem sido mais comumente denominado "Espiritualismo Moderno", em face da introdução de um caráter científico-filosófico novo nas idéias já existentes do espiritualismo. Nos países de língua inglesa, assim como boa parte da Europa, o espiritismo ainda é considerado, primordialmente, uma ciência de observação dos fenômenos espiritualistas (uma espécie de “espiritualismo científico ou experimental”) e, muito menos, como uma religião.[12] O Espiritualismo norte-americano e inglês evoluiu de forma bem diferente do que é conhecido como Espiritismo ou Doutrina Espírita no Brasil.
Embora o espiritismo tenha importado, a fim de estruturar de seu corpo de conhecimento, muito da metodologia científica, mostra-se importante ressaltar que o espiritismo desenvolve-se sobre princípios que transcendem os rigores dessa metodologia; de forma que vários dos resultados e fenômenos dentro do espiritismo entendidos como válidos perante sua metodologia própria não se sustentam frente à metodologia científica - essa estabelecida com base e princípios certamente mais rigorosos e restritivos. Quando o termo ciência é usado com acepção estrita (acadêmica), tais extrapolações ao Método Científico, embora internamente úteis ao validarem vários preceitos da doutrina, impedem a classificação do espiritismo como ciência; e essa doutrina não constitui cadeira científica, mesmo compartilhando com a ciência de outrora o estudo de vários fenômenos, e nela encontrando-se por vezes referências frequentes a vários cientistas de renome. O termo ciência a vigorar junto ao espiritismo caracteriza-se por acepção lata e não estrita na grande maioria dos casos, sobretudo na atualidade.
O espiritismo pode ser visto como uma doutrina estabelecida mediante a fusão da filosofia, ciência e religião, buscando a melhor compreensão não apenas do universo tangível (científico) mas também do universo a esse transcendente (religião).
Doravante considerar-se-á no presente artigo a acepção inadequada da palavra espiritismo, ou seja, o corrente artigo trata doravante do termo espiritualismo, o que inclui o espiritismo como parte. O espiritismo em acepção própria ao termo - conforme codificado por Allan Kardec - encontra-se descrito em detalhes em artigo correlato intitulado Doutrina Espírita. Vale ainda a menção de que, sobre espiritualismo, há ainda um segundo artigo nomeado de forma condizente à acepção em questão e cujo conteúdo em princípio vale a pena ser consultado.Em França, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail interessou-se pelo espiritismo quando ouviu falar das Irmãs Fox, mas o seu primeiro contato com o fenómeno foi por meio das tábuas falantes parisienses em 1854. As explicações para a causa deste, do mesmo modo que o sistema filosófico delas derivado, constituiu a base da chamada doutrina espírita.
As investigações de Rivail resultaram na publicação, sob o pseudónimo de Alan Kardec, de "O Livro dos Espíritos" (1857), o "Livro dos Médiuns"" (1861), "O Evangelho segundo o Espiritismo" (1864), "O Céu e o Inferno" (1865) e Génesis (1868). Em 1858 fundou a "Revue Spirite", que dirigiu até1869, ano em que faleceu.
Muitas personalidades de renome, na Europa e nos Estados Unidos vieram a abraçar o espiritismo como uma explicação lógica da realidade, inclusive de temas relacionados com a transcendência, como Deus e a vida após a morte.

Na atualidade

O espiritismo é considerado como uma pseudociência ou superstição nos círculos e céticos. O físico e epistemólogo argentino Mário Bunge(1919–), em sua obra "Investigación científica" (1969), inclui-o em sua lista de pseudociências, por não cumprir com os requisitos básicos dométodo científico.
James Randi é de opinião de que a aceitação do espiritismo por parte do escritor escocés sir Arthur Conan Doyle (célebre por suas histórias sobre o detetive Sherlock Holmes) legitimou esta crença - que Randi considera como "incrivelmente ingénua" - como religião.
No Brasil, segundo o Censo demográfico de 2010, o espiritismo cresceu, com um expressivo aumento de mais de 60% de seguidores, passando de 2,3 milhões para 3,8 milhões de seguidores, tendo a maioria destes, idades entre 50 e 59 anos (3,1%), e, na comparação com as demais religiões, tendo o maior número de pessoas com ensino superior completo (31,5%).[20]

[editar]Acepção do termo no Brasil



Espiritismo codificado por Allan Kardec

O Espiritismo — popularmente conhecido no Brasil como Doutrina Espírita ou kardecismo — foi codificado na segunda metade do século XIX pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, para fins de difusão desses trabalhos, adotou o pseudônimo de "Allan Kardec".
O termo "kardecista" não costuma ser o usado por parte dos adeptos, que reservam a palavra "espiritismo" apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do espiritismo, e denominando correntes diversas de "espiritualistas"[21]. Estes adeptos entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como a apometria), denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista".[21] A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como "kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou o budismo,[22] mas a uma coletividade de espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo.[23] Outra parcela dos adeptos, no entanto, considera o uso do termo "kardecismo" apropriado.[24] O uso deste termo é corroborado por fontes lexicográficas como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa[25], o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa[26], o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa[27] e o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa.[28]
José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma "prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita" criado por brasileiros "permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita".[29]
As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira[30]), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".[carece de fontes]

Vampirismo: Um olhar holístico por Marcos Paterra



Marcos Paterra
     Dentre os estudos espíritas encontramos o “vampirismo” como um dos assuntos que mais se destaca.
     Para entendermos melhor esse termo vamos retroceder ao ano de 1764 onde o escritor francês Voltaire[1] criou o Dicionário Filosófico e definiu os vampiros como sendo os mortos que, durante a noite, saem dos cemitérios para sugar o sangue dos vivos, seja através da garganta ou do ventre.
No Glossário Teosófico vemos a seguinte definição: “São espectros ou cadáveres que andam pela noite chupando pouco a pouco o sangue das vítimas até matá-los. Formas astrais que vivem às expensas das pessoas, das quis extraem vitalidade e força. Podem mesmo ser corpos astrais de pessoas vivas ou das que já morreram, porém quando ainda se aferram a seus copos físicos, que estão na sepultura, tratando de conservá-los como o alimento que extraem dos vivos e, deste modo, prolongarem sua própria existência.
     No século XIII na Europa ocidental, vampiros eram conhecidos por upiers, oupires ou, mais geralmente, vampires e vanpirs e, na Grécia e nas ilhas do mar Egeu, eram chamados de broucolaques ou vroucolacas.
   Essas descrições remetem nossas lembranças a Abraham  Stocker[2]  que  criou  o famoso  vampiro “Conde Drácula” em 1847,  as histórias eram   baseadas em  Vlad Tepes[3]  conde que  realmente existiu no século XV.
   No espiritismo, os vampiros também são seres sugadores, J. Herculano Pires define como: “Vampirismo é um tipo de obsessão no campo das viciações sensoriais e essa denominação decorre de sua principal característica, que é a sucção de energias vitais da vítima por esses obsessores”[4]
O vampirismo tem sua causa de obsessão relacionada à satisfação de vícios e paixões, ou seja, vai caracteriza-se em aqueles espíritos viciosos, apegados a certas emoções materializadas, que se aproximam dos encarnados, portadores dos mesmos vícios, Herculano Pires afirma que: “Os viciados não são apenas portadores de vícios, mas também de cargas de influências psíquicas negativas provenientes de entidades espirituais inferiores que a eles se apegam para vampirizar-lhes as energias e as excitações do vício. As pesquisas parapsicológicas provam a existência desses processos de vampirismo espiritual, que na verdade são apenas a contrafação no após morte dos processos de vampirismo entre os vivos.” [5]
     Norberto Peixoto no Livro Jardim dos Orixás é mais abrangente, dando uma visão de seres que planejam o mal e aproveitam-se das fraquezas humanas: “O planejamento psicológico, sub-reptício, dos arquitetos das Sombras, se fundamenta em criar dependência psíquica das fracas personalidades encarnadas, que represadas por vários motivos em suas satisfações animalescas na carne, encontram nestes antros os mais sórdidos recursos para se entregarem selvagemente.   Quanto mais isso ocorre, mais se fortalece a organização trevosa, pelos intensos laços vibratórios que recrudescem na simbiose entre os habitantes encarnados da crosta e a coletividade que vive do vampirismo nas baixas zonas umbralinas, satisfazendo-se mutuamente"[6]
Herculano Pires brilhantemente nos lembra: “Se não encararmos o parasitismo e o vampirismo em termos rigorosamente doutrinários, no devido respeito ao método kardeciano, estaremos sujeitos a ser enganados por espíritos mistificadores que passarão a nos vampirizar. Porque o vampirismo é um fenômeno típico das relações interpessoais. Na vida material como na vida espiritual o vampirismo é um processo comum e universal do relacionamento afetivo e mental das criaturas.”
     O tratamento nos casos de vampirismo é tanto espiritual (passes e fluido-terapia) quanto físico (psicológico), porque esses obsessores tem acesso ao obsediado através das afinidades nos vícios e esses devem ser tratados  pelo meio físico e mental.
Herculano Pires explica:
     “Nesses tratamentos não se deve desprezar o concurso médico, pois os efeitos negativos do parasitismo espiritual, depauperando o organismo da vítima, propiciam também a infiltração dos parasitas do meio físico, que devem ser combatidos com os medicamentos específicos. Embora a ação espiritual das entidades protetoras possa também ajudar o reequilíbrio orgânico, a presença de um médico, se possível espírita, se faz necessária” ”[7] e completa: “[...] nos centros e grupos espíritas bem orientados, as perturbações espirituais de ordem sexual são tratadas de maneira especial, em pequenas reuniões privativas, com médiuns que disponham de condições para enfrentar o problema. Como no caso das obsessões alcoólicas, toxicômanas e outras do mesmo gênero, é necessário o máximo cuidado na seleção das pessoas que vão tratar do assunto e o maior sigilo e respeito, a fim de evitar-se o prejuízo dos comentários negativos, que influem fatalmente sobre o caso, provocando agravamentos inesperados da situação das vítimas”.[8]
     O vampirismo só tem seu termino quando o obsediado se dispõe a reintegrar-se a sociedade abdicando de seus vícios e renovando/tomando posse de sua personalidade, não aceitando sugestões e infiltrações de vontade estranha em sua vontade pessoal e soberana.

Artigo publicado pela revista RIE de Outubro de 2012
PUBLICADO POR Publicado por Amigo Espírita EM