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quinta-feira, 24 de março de 2011

Reencarnação, uma idéia libertadora:

Semíramis Alencar | 23/03/2011 at 4:17 pm | Categories: Uncategorized | URL: http://wp.me/ppnbQ-1Ah em http://temporecord.wordpress.com/2011/03/23/reencarnacao-uma-ideia-libertadora/
marcusbragaprofessor Reencarnação, uma idéia libertadora:
A-RELIGIÃO E DOMINAÇÃO:
Durante milênios infindos, o homem tem sua relação com Deus mediada por estruturas sociais de cunho dominador. Estados teocráticos, onde o poder institucional sempre se confundiu com os ministros religiosos. A esperança das pessoas em uma vida melhor no futuro aproveitada na famosa " Exploração do homem pelo homem" , onde talvez por isso Karl Marx tenha citado a religião como o "ópio do povo" .
A doutrina das penas eternas é o arcabouço ideológico que patrocina esta dominação. Vivemos ainda sob o espectro de penas eternas, em um modelo importado do paganismo, onde o céu encontra-se no alto, como o Olimpo dos gregos. O inferno nos lugares baixos, como o Deus Hades da mitologia. Um fogo que arde e não queima, associado por muitos ao enxofre na crendice popular. Conceitos absolutos de destino após a morte, remediados por subterfúgios teológicos, como o limbo e o purgatório, tão artificiais como a Santíssima Trindade e o conceito de Espírito Santo, estranhos ao dito nos evangelhos.
Uma palavra perigosa permeia toda esta relação entre fiel e religião que é o individualista conceito da salvação. Este conceito, embutido do medo do que nos espera na vida futura, faz do inferno e seus habitantes mais famosos e propalados nas histórias e filmes, para assustar as almas, como assustam crianças para não mexer no pote de mel. Um Deus bárbaro e impiedoso, imagem e semelhança dos seres que são valorizados no mundo, condicionado a preces e favores intermediados para libertar as almas do suplício eterno.
Hoje o homem conhece o átomo, vislumbra a grandeza do universo, conhecendo leis e forças que impulsionam o mundo. Mas, acendemos o écran da televisão e vislumbramos espetáculos de crenças no Deus dos Exércitos, com um inferno ardente consumindo uma leva de infiéis. O rompimento destes paradigmas se faz de forma lenta e desigual, não sendo patrocinada por poderes que se beneficiam da subjugação das idéias de penas eternas.
B- REENCARNAÇÃO, UMA IDÉIA LIBERTADORA:
Mas, desde o início da civilização, caminha pelo mundo a libertadora idéia das vidas sucessivas. A reencarnação, crença comum entre os gregos, os egípcios, os Vedas, citada textualmente nos evangelhos por Jesus e defendida por espíritas, Hinduistas e Budistas, traz no seu escopo conceitos que permitem classificá-la como uma idéia libertadora. Libertadora pois permite ao espírito caminhar por si só, sem grilhões que o condenem. Tais conceitos são:
Conceito concreto de Vida após a morte : A doutrina da Reencarnação desmistifica idéias de um céu de contemplação ou a espera de um dia do Juízo, construindo um panorama concreto da vida após a morte, mostrando que como no mundo de cá (Ou seria o contrário) , a vida é eterno movimento e transformação.
Reconhecimento da responsabilidade individual: Ao invés de terceirizar as responsabilidades de nossas mazelas para seres malignos, a idéia da Reencarnação avoca para o espírito encarnado esta responsabilidade pela sua salvação, fornecendo-lhe os meios para tal empreitada. Ou seja, ao invés de transferir o fardo da vida para outros á vista, a Reencarnação traz, de forma justa, esta responsabilidade para a criatura humana , á prazo.
Salvação pela ação individual do espírito: Uma das questões dialéticas da vida sucessiva, desvendada de forma brilhante na doutrina espírita é que a " salvação" , ou seja o progresso, se dá pela esforço individual do espírito, que só tem sentido no coletivo. Nada vale nos isolarmos na montanha para a melhoria, pois o progresso ocorre na atuação no palco do mundo, no concreto do cotidiano, nos burilando com os nossos pares.
Eliminação de intermediários ou vinculações segmentárias : A Reencarnação elimina caminhos exclusivos ou intermediários para o progresso, libertando o homem da dominação da consciência, do atrelamento a grupos ou nações para seu encontro com Deus. O seu progresso está subordinado ao seu burilamento em vidas sucessivas, onde seu esforço construirá um caminho para o crescimento.
Isenção de ameaças e imagem de um Deus Justo e bom: Demonstrando que todas as dores do mundo tem sua causa, isenta a criatura humana de ameaças amedontradoras quanto a ao futuro, que será construído no agora pelo espírito, colhendo o que ele plantou e semeando o seu futuro. Sem medo, cai a dominação. Reforça também a idéia do Deus Justo e bom e pai amantíssimo. Jesus, quando fala da Parábola do Filho Pródigo no evangelho fala muito mais do que o perdão dos pais pelos filhos e sim sobre a grandeza da filosofia da vida, onde o pai sempre deixa uma porta para o retorno de seu filho, consubstanciando bem a idéia da Reencarnação.
C- SE É UM FATO A REENCARNAÇÃO, POR QUE NÃO É UMA CRENÇA DIFUNDIDA:
Essas reflexões nos conduzem a uma conclusão também contraditória. A Reencarnação hoje, após os estudos do professor Hemendras Banerjee, no seu " Vida pretérita e futura" , do professor Ian Stevenson no seu " 20 casos sugestivos de Reencarnação" e da obra de Brian Weiss em " Muitas vidas, muitos mestres", todos popularizados, é crença difundida pelo mundo.. Após as revelações das vidas sucessivas por meios mediúnicos e pelas revelações da Transcomunicação Instrumental e a adoção da terapia de Vidas Passadas pelos psicólogos, a Reencarnação consubstancia-se em amplamente crença aceita pela força de sua filosofia e de sua cientificidade. Outrossim, formalmente o mundo nega esta crença. Se é tão óbvio, tão claro, tão libertador, por que o mundo nega essa realidade
O primeiro fator que temos de analisar é a questão do achismo numérico. Estatísticas recentes colocam 28 % do mundo como Reencarnacionista, incluindo aí os Hinduístas e Budistas. Mas, crer que esses 72 % não-reencarnacionistas, compostos de Católicos, protestantes e Islâmicos na sua integra não crê na Reencarnação, é pouco provável. A religião professada para muitos se apresenta como um fator cultural. Aqui no Brasil , onde Mãe meninininha do Gantoais, a mais famosa Babalorixá do Brasil, declara-se católica diante das câmeras e que o censo 2000 revelou que o maior número de adeptos dos cultos afro-brasileiras está no Rio Grande do Sul, demonstra o desconhecimento das pessoas do que é a sua convicção pessoal sobre o mundo e o que é a sua participação culturalmente em uma religião. Muitos até acreditam nos pilares espíritas, mas presos aos cultos exteriores, que para eles se fazem necessários, dizem não ser o espiritismo uma religião (SIC) e sim uma crença, que pode ser compartilhada com outras. Filmes como " Ghost", " Sexto sentido", " Os outros", trataram dos postulados espíritas de forma séria e ao invés de serem rechaçados por essa maioria não-reencarnacionista, obtiveram altas bilheterias e comentários diversos. A própria representação social de nosso irmão Chico Xavier, desencarnado recentemente, demonstra o apreço do povo por essas verdades, independente de suas religiões professadas. Desse modo, não podemos acreditar que em um mundo plural e com acesso a informação que temos hoje, essa gama de pessoas acredita que iremos para o céu ou o inferno. O que existe é um aprisionamento a práticas exteriores, de cunho cultural, que mantém as pessoas nestas outras denominações. Religião é fator cultural, passado de pai para filho. Nossas festas, nossas datas, nossa estrutura social é fruto e ainda muito vinculada as estruturas religiosas.
Um outro fator a ser analisado é que a doutrina das penas eternas e seu terrorismo com a glória futura, serviu sempre aos interesses das classes dominantes, no seu objetivo de manter os povos no " Cabresto" , reservando em todas as religiões essas discussões e conhecimentos aos iniciados nas cúpulas do poder. Obviamente, ninguém patrocinará a idéia libertadora das vidas sucessivas, quando se pode jogar com a esperança das pessoas, através de promessas e vinculações salvacionistas a grupos sectários, que durante a história serviram e se confundiram com o poder institucional. Livros sagrados, mistérios e dogmas incontestáveis ainda permeiam a vida das religiões no mundo e as idéias reencarnacionistas taxadas de subversivas.
As próprias implicações das idéias reencarnacionistas constituem entraves a sua aceitação por muitos. Como explicar a um norte-americano racista que ele poderá reencarnar como um negro. Ou como aceitará um nobre inglês que ele poderá nascer pebleu. Na índia, a idéia da reencarnação recebeu o conceito de castas para aplacar o orgulho das pessoas, que não aceitariam mudar de posição social. No mundo que valoriza as posses, a posição social, muitos cegos não querem ver que tudo pode mudar, para atender aos ditames do progresso.
D- CRER E VIVER, EIS O DESAFIO:
Como o dia que nasce, nos sucedemos neste planeta...Apesar de muitos não acreditarem ou aceitarem tal fato, a vida se perpetua e o amor é a lei. Sim, mais do que acreditar na pluralidade das existências, cabe-nos viver como seres eternos. Vivermos olhando a vida com a ótica da pluralidade, vendo a dor, a doença, a miséria e a morte sob esse novo prisma e não trazer a nossa crença como algo para responder no momento do censo ou na conversa com os amigos. O progresso é a base de tudo. Não o progresso discriminatório que faz do homem europeu superior aos demais e sim o progresso da pluralidade de vivências em diversos povos e situações que nos conduzem a perfeição. Nosso compromisso é com a lei e a lei é de amor . Sob este prisma que seremos interrogados após a morte... E pela nossa própria consciência.
Referências Bibliográficas:
1- Kardec, Allan- O evangelho segundo o espiritismo ,FEB.
2- Kardec, Allan- O céu e o inferno ,FEB.
3- Kardec, Allan- O Livro dos Espíritos ,FEB.
4- Denis, Leon- O Porquê da vida, FEB.
5- Dellane, gabriel- A reencarnação, FEB.
Nascido em 07-01-1974, Marcus Vinicius de Azevedo Braga é Compositor, Poeta, Artista Plástico e cursa Pedagogia na Universidade Federal Fluminense. Frequentador do G.E.Meimei, em Angra dos Reis- RJ, publicou em 2000 o livro " Alegria de servir " pela Editora da Federação Espírita Brasileira.
Telefone : (0xx24) 3379 30 90 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Reencarnação (conferência)
Por Blog de Espiritismo http://blog-espiritismo.blogspot.com/



Nesta última sexta-feira a palestra no Centro de Cultura Espírita, em Caldas da Rainha, abordou o tema da Reencarnação.

Uns acreditam, outros questionam ou duvidam, mas a verdade é que a reencarnação é sempre um tema apelativo. Tão apelativo que muitos cientistas pesquisaram esta área, e chegaram a conclusões de que muitos dos casos que pesquisaram evidenciam a reencarnação. Mas, não só pela via cientifica se pode comprovar, mas sim também pelas comunicações mediunicas em que os Espíritos dão determinados detalhes, que depois são pesquisados e se confirmam.

A reencarnação evidência outra coisa: a imortalidade da alma.

Todos temos uma vida, dado que fomos criados, simples e ignorantes por Deus, e continuaremos nossa caminhada, no aperfeiçoamento, até que um dia façamos parte do mundo onde habitam os Espíritos Puros. Para chegar até esse ponto, vamos tendo várias reencarnações, nascendo em novos corpos de carne, tendo novas etapas na vida, com novas famílias, novos trabalhos, novas oportunidades. Esta explica as diferenças entre os Homens, o porquê de nascerem com condições diferentes entre si, quer no intelecto, ou moral, ou económico, de saúde, etc...

Só assim percebemos o porquê dessas diferenças, pois que a Justiça Divina não desampara ninguém, e a todos dá as mesmas possibilidades.
A palestrante destacou que somos constituídos por Espírito, Perispírito, e ainda Corpo Físico.

É no perispírito que estão arquivadas todas as nossas lembranças vividas no pretérito, e assim todo o conhecimento vivido e adquirido, sem que, o percamos a cada nova existência. Assim, todas as nossas tendências actuais, todo o conhecimento, todas as provas por que passamos, fazem ligação com o passado, e assim se demonstra a importância do perispírito. Este é o corpo do Espírito, que o acompanha na sua caminhada, e com a evolução do espírito este fica mais etéreo, até chegar ao ponto se confundirem os dois.

Foram projectadas, na sala onde decorria a palestra, 7 perguntas, sobre reencarnação, que foram feitas ao Dr. Ricardo Di Bernardi, médico homeopata geral e pediatra, espírita, palestrante e autor de diversos livros.

- Qual o número de vezes que já reencarnamos? Dizem que são 7, é verdade?

(*)Di Bernardi salientou que a reencarnação varia de individuo para individuo, pois tem a ver com o esforço deste na sua caminhada nas diversas existências. Não existe, portanto, nº fixo de reencarnações.

- De quanto em quanto tempo o Espírito reencarna?

Não existe uma tabela que defina o espaço entre reencarnações.

Para os Espíritos mais primitivos a reencarnação dar-se-á de forma mais rápida, no que ao tempo diz respeito. Sabe-se que tudo tem a ver com as necessidades do Espírito, pelas provas e aprendizagem porque tem de passar.

- Quem é que escolhe o tipo de vida que vamos levar na Terra quando reencarnamos?

Quando se trata de um Espírito que se recusa reencarnar, ou que ainda não tem noção das provas por que tem de passar, são os Espíritos Superiores que o orientam, pois estes sabem quais as provas pelas quais terá de passar. Assim, podemos observar que muitas vezes o Espírito reencarna de forma compulsória e durante a sua vida terrena pode mostra-se, em muitas situações, de forma contrariada.

Quando o Espírito tem noção dos seus actos, ele mesmo escolhe o tipo de provas pelas quais pretende passar, pois sabe que estas são precisas ao seu adiantamento.

- O esquecimento das vidas passadas é necessário? e porquê?

Sim, porque nem tudo nos é permitido saber.

Todos já cometemos actos que se hoje fossem do nosso conhecimento decerto nos envergonharíamos de os ter cometido.

Assim Deus oculta-nos esse conhecimento, e só assim é possível convivermos no círculo familiar, pois que faríamos se soubéssemos que o nosso parente, ou amigo, foi o nosso algoz numa vida passada? De certo isso nos condicionaria o livre-arbítrio, bem como o colocar em prática o que Jesus nos ensinou: o Amor.

- Seria possível um ser humano renascer como animal?
Não. Isso seria retroceder na escala evolutiva.

"A reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se funda, ao contrário, na marcha ascendente da Natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie (...)", em O Livro dos Espíritos.

- O que o Sr. acha que foi em vida passada?

Todos fomos menos evoluídos, quer no intelecto quer moralmente; todos fomos mais egoístas, mais intolerantes.

Allan Kardec perguntou aos Espíritos se podíamos saber o que fomos em vidas passadas, ao que estes responderam para vermos nossas tendências actuais. Assim, pela nossa forma de agir, pelos obstáculos que temos, pelas limitações, quer também pela fé, esperança que temos, podemos fazer um juízo sobre o que teríamos sido no pretérito.

- Em termos de reencarnação, como vocês espíritas vêem a posição da Terra no contexto do Universo?

Podemos observar a escala dos mundos que os Espíritos ditaram a Kardec. Estes apontam 5 grandes classes de mundos (Primitivos; Expiação e provas; Regeneração; Ditosos ou felizes; Puros). A Terra, encontra-se na categoria de Expiação e provas, onde o mal ainda se supera ao bem, e onde o Espírito tem de expiar sua conduta, pelos erros que cometeu. No entanto, no planeta Terra o Espírito também pode ter missões, que o engrandecem, e que lhe atestam a perseverância e evolução.


A reencarnação possibilita a evolução do Homem, pois a cada existência ele fica mais próximo de Deus. A reencarnação não é uma punição, mas antes uma oportunidade que Deus dá a todos, de forma a repararmos nossas faltas, aprender com elas, e caminharmos na evolução que nos está destinada.



(*) As respostas não são transcrições das respostas dadas pelo Dr. Ricardo Di Bernardi, mas sim um resumo entre o que ele respondeu e o que se debateu na presente palestra.