segunda-feira, 2 de maio de 2011

CIA: 'Vingança por morte de Bin Laden é quase certa'

  
O diretor da agência de inteligência americana, a CIA, Leon Panetta, disse que é "quase certo" que a rede extremista Al-Qaeda tente vingar a morte de Osama Bin Laden.

"Bin Laden está morto, mas a Al-Qaeda, não. Os terroristas quase certamente tentarão vingá-lo. E nós devemos - e iremos - continuar atentos e determinados", disse Panetta.

Mais cedo, militantes do Talebã e da Al-Qaeda no Paquistão disseram à BBC que a morte de Osama Bin Laden "não vai ficar sem resposta".

O porta-voz da principal facção paquistanesa do Talebã Ehsanullah Ehsan falou por telefone com a agência de notícias AFP.

"Se ele (Bin Laden) foi martirizado, nós vamos vingar sua morte e lançar ataques contra os governos americano e paquistanês e suas forças de segurança", disse ele.

"Essas pessoas são, na verdade, inimigos do Islã."
"Se ele (Bin Laden) se tornou um mártir, é uma grande vitória para nós, porque o martírio é o objetivo de todos nós", disse Ehsan.

Bin Laden se mudou para o Afeganistão em 1996, de onde passou a comandar a Al-Qaeda com o apoio do Talebã, que controlava o país.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o governo americano ordenou que o Talebã entregasse Bin Laden ou entregasse o poder, o que resultou na invasão do Afeganistão por forças dos Estados Unidos.

Hamas
O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, condenou o que chamou de "assassinato" de Osama Bin Laden, apesar das relações ambivalentes entre o grupo e a Al-Qaeda.

O premiê do Hamas, Ismail Haniyah, chamou Bin Laden de "guerreiro árabe sagrado" e disse que o assassinato é a continuação de uma política americana baseada na opressão.

No passado, o Hamas tentou, por vezes, se distanciar de Bin Laden temendo que a Al-Qaeda estivesse se apoderando da causa palestina de forma prejudicial ao movimento.

Já Bin Laden criticou o Hamas por participar de eleições democráticas nos territórios palestinos em 2006.

Recentemente, o Hamas enfrentou oposição em Gaza de grupos inspirados pela Al-Qaeda que acham que o grupo se tornou moderado demais.

Marcando as diferenças entre as facções palestinas, o Fatah, que controla a Cisjordânia, disse que a morte de Bin Laden é positiva para a causa da paz no mundo.

Pronunciamento
A morte de Osama Bin Laden foi confirmada pelo presidente americano, Barack Obama, em um pronunciamento exibido ao vivo pela televisão às 23h35 de domingo em Washington (0h35 de segunda-feira no Brasil).

"Nesta noite, posso relatar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, e um terrorista que é responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes", disse o presidente americano.

"Justiça foi feita", acrescentou Obama, ao anunciar a morte de Bin Laden no discurso transmitido da Casa Branca.

Assessores de Obama que não foram identificados disseram à agência Associated Press que testes de DNA confirmaram com 99,9% de precisão que Bin Laden foi morto, mas não disseram quando ou como estes testes foram feitos.

O líder da Al-Qaeda era acusado de comandar dezenas de atentados, incluindo as explosões em duas embaixadas americanas no Leste da África em 1998 e os ataques de 11 de setembro de 2001, que mataram cerca de 3 mil pessoas no World Trade Center, em Nova York, e no Pentágono, em Washington.

Bin Laden ocupava o primeiro lugar na lista de criminosos mais procurados pelos Estados Unidos, e as forças americanas tentavam capturá-lo desde antes de 2001.

Morte de Bin Laden
Segundo autoridades dos Estados Unidos, Bin Laden foi morto com um tiro na cabeça após resistir à prisão, em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 quilômetros de Islamabad, no Paquistão.

O líder da Al-Qaeda estava em uma mansão cercada por muros de até seis metros de altura, que era oito vezes maior que outras casas na região e foi avaliada em "vários milhões de dólares", apesar de não ter telefone ou conexão de internet. A operação teria durado cerca de 40 minutos.

A mídia nos Estados Unidos noticiou que o corpo foi "enterrado no mar" para evitar que o túmulo de Osama Bin Laden fosse tratado como um local sagrado. Isso teria sido feito em menos de 24 horas depois da morte em respeito à prática islâmica.

O feito foi descrito pelo presidente Obama como "a conquista mais significativa até hoje nos esforços de nossa nação para derrotar a Al Qaeda".

A notícia foi recebida com festa por uma multidão reunida do lado de fora da Casa Branca, em Washington.

Detalhes
Segundo Obama, a operação que matou Bin Laden não deixou nenhum americano ferido.

Autoridades americanas dizem que três outros homens teriam sido mortos no ataque - um dos filhos de Bin Laden e dois de seus mensageiros. Uma mulher também teria sido morta após ser usada como "escudo" e outras duas mulheres teriam ficado feridas.

Ainda de acordo com as autoridades dos Estados Unidos, um helicóptero usado na operação sofreu "problemas técnicos" e foi, depois, destruído e abandonado. A equipe deixou o local em um segundo helicóptero.

Um morador da região, Nasir Khan, disse à agência Reuters que os helicópteros foram alvo de "fogo pesado" vindo de atiradores que estavam em terra.

O tamanho e a sofisticação do complexo residencial "chocou" as autoridades americanas.

A mansão fica a menos de 1 km da Academia Militar do Paquistão, a principal base militar do país.

Obama: 'EUA não estão em guerra com o Islã'; leia a íntegra do pronunciamento


02/05/2011 - 02:20 | Redação | São Paulo

Leia abaixo o pronunciamento de Barack Obama, em que o presidente dos EUA anunciou a morte de Bin Laden.

"Boa noite. Hoje à noite, eu posso relatar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al Qaeda, e um terrorista que é responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.

Foi há quase 10 anos, quando um brilhante dia de setembro foi escurecido pelo pior ataque ao povo americano em nossa história. As imagens de 11/09 estão gravadas na nossa memória nacional - aviões sequestrados cortando um céu sem nuvens de setembro, as Torres Gêmeas desabando ao chão, fumaça preta subindo do Pentágono, os destroços do vôo 93 em Shanksville, Pensilvânia, onde as ações heróicas de cidadãos heróicos evitaram ainda mais desgosto e destruição.

E, no entanto sabemos que as piores imagens são aqueles que não foram vistas pelo mundo. A cadeira vazia na mesa de jantar. As crianças que foram obrigadas a crescer sem a mãe ou o pai. Os pais que nunca saberão o sentimento de abraçar um filho. Cerca de 3.000 cidadãos tirados de nós, deixando um buraco em nossos corações.

Em 11 de setembro de 2001, no momento em que sofríamos, o povo americano se uniu. Oferecemos os nossos vizinhos a mão, e oferecemos aos feridos o nosso sangue. Reafirmamos nossos vínculos uns com os outros, e nosso amor pela comunidade e pelo país. Naquele dia, não importa de onde viemos, a que Deus oramos, ou a que raça ou etnia pertencíamos, estávamos unidos como uma única família americana.

Nós também estávamos unidos em nossa determinação de proteger nossa nação e trazer aqueles que cometeram este brutal ataque à Justiça. Nós descobrimos rapidamente que os ataques de 11 de Setembro foram realizados pela Al Qaeda - uma organização liderada por Osama bin Laden, que tinha declarado abertamente guerra aos Estados Unidos e se comprometeu a matar inocentes em nosso país e ao redor do globo. E assim fomos para a guerra contra a Al Qaeda para proteger os nossos cidadãos, nossos amigos e nossos aliados.

Nos últimos 10 anos, graças ao trabalho incansável e heróico dos nossos militares e dos profissionais da luta contra o terrorismo, temos feito grandes avanços com nosso esforço. Nós impedimos ataques terroristas e reforçamos a defesa do nosso território. No Afeganistão, nós removemos o governo talibã, que havia dado refúgio, segurança e apoio a Bin Laden e à Al Qaeda. E, ao redor do globo, trabalhamos junto com nossos amigos e aliados para capturar ou matar dezenas de terroristas da Al Qaeda, incluindo alguns que faziam parte do ataque de 11 de Setembro.

No entanto, Osama bin Laden conseguiu evitar ser capturado e escapou para o Paquistão, do outro lado da fronteira do Afeganistão. Enquanto isso, a Al Qaeda continuou a operar ao longo dessa fronteira e intervir através das suas filiais em todo o mundo.

E assim, logo após tomar posse, eu me dirigi a Leon Panetta, o diretor da CIA, para transformar a morte ou a captura de Bin Laden na principal prioridade da nossa guerra contra a Al Qaeda, assim como nós continuamos nossos esforços mais amplos para atrapalhar, desmantelar e destruir sua rede.

Então, em agosto passado, depois de anos de árduo trabalho pela nossa comunidade de inteligência, eu fui informado sobre uma possível ligação com Bin Laden. Estava longe de ser algo certo, e demorou muitos meses para tornar real esta discussão. Encontrei-me várias vezes com minha equipe de segurança nacional, e conseguimos mais informações sobre a possibilidade de que tínhamos localizado o esconderijo de Bin Laden em um complexo situado num interior distante do Paquistão. E, finalmente, na semana passada, eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para agir, e autorizei uma operação para deter Osama bin Laden e trazê-lo à justiça.

Hoje, sob minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação dirigida contra esse sítio, em Abbottabad, Paquistão. Um pequeno grupo de norte-americanos conduziu esta operação com coragem e capacidade extraordinárias. Nenhum americano foi ferido. Eles tomaram cuidado para evitar vítimas civis. Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e tomaram seu corpo sob custódia.

Por mais de duas décadas, Bin Laden foi o líder da Al Qaeda e seu símbolo, e continuou a planejar ataques contra nosso país e nossos amigos e aliados. A morte de Bin Laden assinala a conquista mais significativa até esta data do esforço de nossa nação para derrotar a Al Qaeda.

No entanto, sua morte não marca o fim do nosso esforço. Não há dúvida de que a Al Qaeda continuará a organizar ataques contra nós. Precisamos - e vamos - manter-nos vigilantes, em nosso país e no exterior.

Ao fazermos isso, temos também de reafirmar que os Estados Unidos não estão - e nunca estarão - em guerra com o Islã. Eu deixei claro, assim como o presidente Bush fez logo após o 11 de Setembro, que a nossa guerra não é contra o Islã. Bin Laden não era um líder muçulmano, ele era um assassino em massa de muçulmanos. Na verdade, a Al Qaeda tem abatido dezenas de muçulmanos em muitos países, inclusive o nosso. Assim, sua morte deve ser saudada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana.

Ao longo dos anos, eu várias vezes deixei claro que tomaria medidas em conjunto com o Paquistão se soubéssemos onde estava Bin Laden. Isso é o que nós fizemos. Mas é importante notar que a nossa cooperação antiterrorista com o Paquistão ajudou a nos levar a Bin Laden e ao complexo onde estava escondido. Na verdade, Bin Laden também declarou guerra contra o Paquistão, e ordenou ataques contra o povo paquistanês.

Hoje à noite, liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também tem falado com os seus pares do Paquistão. Eles concordam que este é um bom e histórico dia para as nossas duas nações. E daqui para frente, é essencial que o Paquistão continue a se juntar a nós na luta contra a Al Qaeda e seus afiliados.

O povo americano não escolheu essa luta. Ele veio para as nossas costas, e começou com a matança sem sentido dos nossos cidadãos. Após quase 10 anos de trabalho, luta e sacrifício, nós sabemos bem os custos da guerra. Estes esforços pesam sobre mim cada vez que eu, como comandante-em-Chefe, tenho que assinar uma carta a uma família que perdeu um ente querido, ou olhar nos olhos de um militar que foi gravemente ferido.

Assim, os americanos compreendem os custos da guerra. No entanto, como país, nós nunca vamos tolerar que a nossa segurança seja ameaçada, nem ficar de braços cruzados quando o nossos cidadãos forem mortos. Nós seremos implacáveis ​​na defesa do nosso povo e dos nossos amigos e aliados. Seremos fieis aos valores que nos fazem quem somos. E em noites como esta, podemos dizer às famílias que perderam entes queridos para o terror da Al Qaeda: a Justiça foi feita.

Hoje à noite, damos graças a inúmeros profissionais de inteligência e contraterrorismo que trabalharam incansavelmente para alcançar este resultado. O povo americano não vê o seu trabalho, nem sabe seus nomes. Mas hoje eles sentem a satisfação de seu trabalho e do resultado de sua busca de justiça.

Agradecemos aos homens que realizaram essa operação, pelo exemplo de profissionalismo, patriotismo e coragem ímpar daqueles que servem o nosso país. E eles fazem parte de uma geração que suportou a maior pressão, desde aquele dia de setembro.

Por fim, deixe-me dizer às famílias que perderam entes queridos em 11 de setembro que nunca esqueceremos esta perda, nem hesitaremos em nosso compromisso de fazer de tudo para evitar outro ataque dentro de nossas fronteiras.

E hoje, vamos pensar de volta para o sentido de unidade que venceu em 11 de setembro. Eu sei que ele tem, por vezes, se esgarçado. No entanto, o feito de hoje é um testemunho da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano.

A questão da segurança de nosso país não está resolvida. Mas nesta noite, mais uma vez fomos lembrados de que a América pode realizar seus objetivos. Essa é a história da nossa história, da busca da prosperidade para nosso povo ou da luta pela igualdade de todos os nossos cidadãos, ou do nosso compromisso de defender os nossos valores no exterior e dos nosso sacrifícios para tornar o mundo um lugar mais seguro.

Lembremo-nos que nós podemos fazer estas coisas não só por causa da riqueza ou poder, mas por causa de quem somos: uma nação, sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os Estados Unidos da América."

O Brasil e a tolerância religiosa


Na 2ª feira, 21 de janeiro, pela primeira vez, o povo brasileiro vive o "Dia nacional de combate à intolerância religiosa", decretado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República no dia 27 de dezembro de 2007, através da lei nº 11.635. O decreto é muito conciso: "Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º - Fica instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 21 de janeiro. Art. 2º - A data fica incluída no Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial. Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação". Traz as assinaturas do presidente da República e do ministro da Cultura. Vale a pena aprofundar os motivos pelos quais esta medida é oportuna e quais os objetivos mais concretos que esta lei pode contribuir para alcançarmos.

É muito comum as pessoas dizerem que no Brasil, já vigora tolerância e até diálogo entre as confissões religiosas. De fato, o Brasil não vive a situação de certos países como a Índia, onde recentemente, no Natal de 2007, cristãos assassinaram um líder hindu fundamentalista e adeptos do hinduísmo queimaram três Igrejas cristãs, ameaçando de morte quem freqüentasse a missa do Natal. No Brasil, não existem guerras religiosas como ocorrem na Nigéria entre cristãos e muçulmanos, nem guerras sócio-econômicas nas quais a religião no lugar de contribuir para a paz, se torna pretexto de violência, como ocorre entre judeus e palestinos em Israel e, uma vez ou outra, entre católicos e ortodoxos no leste europeu. Por outro lado, mesmo em nosso Brasil, alguns programas de rádio e televisão se notabilizam por demonizar a religião dos outros e por falar de Deus como se este fosse um senhor truculento a ameaçar de condenação eterna a quem não seguir tal Igreja ou não obedecer ao pastor ou à pastora de plantão.

A escolha do dia 21 de janeiro para esta data de combate à intolerância religiosa não foi por acaso. No dia 21 de janeiro de 2000, no Rio de Janeiro, morreu a Mãe Gilda de Ogum. Ela teve um enfarte fulminante quando viu crentes que se consideram evangélicos invadirem e destruírem a sua casa de culto (Abassá de Ogum). Embora os meios de comunicação quase não publicam, ainda proliferam no Brasil, aqui e ali, alguns conflitos violentos entre membros de determinadas Igrejas e outras confissões religiosas. Em Campina Grande, PB, já há quase 20 anos, acontece um "Encontro da Nova Consciência" que reúne pessoas de várias tradições espirituais comprometidas com a paz. Há alguns anos, crentes de algumas confissões cristãs organizaram ao lado um encontro paralelo: "Encontro da Nova Consciência com Cristo" que não admite pessoas que não sejam de suas Igrejas. Estes fazem manifestações com som alto, justamente quando os religiosos das diversas tradições se unem para orar pela paz. No ano passado, crentes deste grupo fundamentalista invadiram a celebração ecumênica feita pelos outros religiosos para impedir que os Hare-krisna cantassem seus mantras e expulsar o demônio dos adeptos da Umbanda e do Candomblé. Eu e vários irmãos tivemos de atuar para impedir um confronto e para responder à revolta das pessoas agredidas que abriram um processo judicial contra os agressores.

Para fazer do Brasil um país no qual a pluralidade religiosa seja motivo de enriquecimento recíproco e não de intolerância, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República realizou uma cartilha e um vídeo sobre "Diversidade Religiosa e Direitos Humanos" que tem contribuído para criar um clima favorável ao respeito e à complementariedade mútua entre as diversas tradições culturais e religiosas. Agora, a iniciativa deste dia nacional de combate pacifico contra a intolerância religiosa pode contribuir para que cada corrente espiritual veja que a outra não lhe é concorrente, mas complementar. A diversidade cultural e religiosa é uma riqueza inspirada pelo próprio Espírito Divino e não só deve ser aceita ou assumida, como valorizada e incentivada através do diálogo que permite a cada tradição expressar sua peculiaridade própria e sua riqueza cultural.

Na linguagem corrente, tolerar uma coisa é suportá-la. Na convivência inter-cultural e inter-religiosa, tolerar não deveria bastar. Neste caso, o termo já denota a dificuldade que as religiões têm para admitir o direito da discordância e do dissenso. Na tradição cristã, os próprios evangelhos contam que Jesus Cristo teve esta dificuldade com seus discípulos. Uma vez, a caminho de Jerusalém, ele quis passar pela Galiléia. Os habitantes daquelas aldeias galiléias não o quiseram receber pelo fato dele ser judeu. Ao saber disso, dois discípulos quiseram que Jesus castigasse aqueles infiéis fazendo descer sobre eles o fogo divino. Jesus os repreendeu dizendo: "Vocês não sabem de que espírito são animados" (Lc 9, 55). A um discípulo que queria proibir alguém de expulsar o mal, porque esta pessoa não pertencia ao grupo deles (discípulos), Jesus responde: "Não o proíbam. Quem não está contra nós, está do nosso lado" (Lc 9, 49- 50). Ele quis ensinar seus discípulos a descobrir Deus no diferente, como em um oficial romano, em uma mulher estrangeira e nos samaritanos hereges.

Certamente, vale para toda pessoa espiritual, em qualquer tradição ou corrente religiosa, a palavra que, há alguns anos, os bispos católicos da Ásia escreveram: "Deus é amor e se dá de mil maneiras à humanidade. Não nos pede permissão para se revelar às diversas comunidades e grupos humanos. Reconhecer estas múltiplas formas como seu amor se revela é um modo importante de honrá-lo e corresponder ao seu amor".

Publicada pela Agência Adital, em 18 de janeiro de 2008.
* Monge beneditino, teólogo e escritor. Tem 30 livros publicados.

TERRORISMO RELIGIOSO

"O espírita sério crer. Ele crê porque compreende, e só pode compreender recorrendo ao raciocínio"

Todas as afirmações em matéria de Teologia são e sempre o foram arraigadas no cérebro, e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem a verdade não encontrará lugar. (Swendenborg)

 Introdução:

Todas as práticas de terrorismo visam, invariavelmente, impor à força pensamentos, filosofias e doutrinas aos que não comungam delas. Recorre-se, algumas vezes, às armas, visando estabelecê-las por meio do medo. Exatamente por isso já, de antemão, as podemos considerar inverídicas, porquanto, a verdade sendo algo cristalino não é coisa que se impõe, todos a aceitam pacificamente.

Pelo modo de agir dos adeptos de algumas religiões tradicionais, especificamente a sua liderança, não há outra alternativa senão considerar também como prática terrorista o que vem sendo feito por eles, que implantando um verdadeiro terrorismo religioso, fazem de tudo para encabrestar seus fiéis. Embora não estejam mais recorrendo às armas com que matavam as pessoas, certamente recorrem àquelas que matam a liberdade de pensar delas, aprisionando-as aos seus pensamentos.

 E as armas como por exemplo:

 Fuzis,
 Rifles,
 Canhões,
 Granadas,
 Metralhadoras. etc.

 São substituídos por:

 Dia do juízo,
 Fim do mundo,
 Fogo do inferno,
 Garras de satanás, etc.

Que, conforme já dissemos, apesar de não matarem fisicamente, matam algo tão importante quanto o é a liberdade de pensar das criaturas.
Desarmando o arsenal bíblico utilizado:

Não vemos em nenhuma passagem bíblica a idéia de uma catástrofe anunciadora do fim do mundo, que, como tudo na natureza à nossa volta, está passando pelo ciclo nascer-crescer-morrer, ou seja, ele vai acabar mesmo é de velho. Obviamente, se o homem não o destruir antes disso. Tudo quanto é citado sobre esse assunto é simbólico, por isso é que não se pode pegá-lo ao pé da letra, sob pena de colocar a suprema justiça a um nível muito mais baixo ainda do que a precária justiça humana.

 Aos que acreditam numa só vida e conjuntamente admitem o castigo eterno, perguntamos:

▬  Como poderemos viver pela eternidade pagando por um erro cometido em, no máximo, uns cem anos?
▬  Poderá o nosso destino estar selado, para todo o sempre, em virtude de tão pouco tempo?

Seria algo como um pai castigar por toda a vida (e ela não é eterna) uma criança de dois anos que fez alguma peraltice, própria dessa idade. Isso é incompatível com qualquer senso lógico e de justiça. Quem aceita algo assim pensa que é justo, mas, em verdade, é uma pessoa cujo coração está tão cheio de ódio que já transborda em desejo de vingança, nada mais que isso. O amor ainda não se incorporou em seu caráter.

 Ao falarmos em castigo eterno, estamos também incluindo nessa idéia seus correlatos:

 Castigo,
 Satanás,
 Fim do mundo,
 Dia do julgamento,
 E tudo o mais que dizem por aí.

 1 • Apagando o fogo do inferno:

▬  Aqui literalmente podemos jogar água, que nem precisa ser benta, na fogueira, pois esse tão propalado inferno só existe na mente de pessoas retrógradas, que não possuem o mínimo senso crítico, para ver quão absurdo é tal lugar. Por perderem o bonde da história não se dão conta que a crença no inferno, como é visto atualmente, é cópia, e barata por sinal, do que existia no paganismo.
Vamos provar que isso é mera fantasia alimentada pelos líderes religiosos, já que ele, o inferno, é uma eficiente arma para fazer com que os “pobres cordeirinhos” tremam de medo.

▬  Obviamente que para existir o inferno Deus há que tê-lo criado, não é mesmo?

Ninguém, até hoje, conseguiu nos provar que Ele tenha feito isso. Nós, ao contrário, é que provamos que o Pai Supremo não o estabeleceu, para desespero dessa liderança, da qual estamos falando. A essência das leis divinas contidas no Antigo Testamento está listada nos Dez Mandamentos, que, certamente, é aquilo que devemos rigorosamente cumprir.

  O questionamento é bem simples:

▬  Se tais mandamentos representam as máximas divinas, por que a pena para quem não os cumpre não é ir para o inferno?

Pois ao instituí-los, Deus deveria, por questão de justiça
▬ coisa que é impossível d’Ele agir em contrário ▬, ter estabelecido como pena aos infratores o inferno. Aliás, os mais atentos verão que nem mesmo pena para uma vida após a morte existe. Tudo quanto é dito está relacionado com situações terrenas. Fato que poderá facilmente ser comprovado por você, caro leitor, se quiser certificar o que estamos dizendo.

  Assim, provamos que o inferno não foi criado neste momento.

▬  Sabemos, os que estudam, que é produto da cultura persa absorvida pelos judeus?
▬  Pelos judeus?

▬  Não!
▬  Foram os cristãos quem o fizeram, o que torna o fato mais estranho, pois quem tinha tudo para assimilar isso dos persas, eram os primeiros, não estes últimos.

Se Deus não criou o inferno nessa época, em outra também não o poderia ter criado, já que se o fizesse não estaria agindo com eqüidade, que é um princípio baluarte da justiça, uma vez que quem viveu entre a instituição dos Dez Mandamentos e a provável criação do inferno não poderia ir para lá.

▬  Pois ninguém pode ser condenado por uma pena não prevista em lei, estabelece a frágil justiça humana, que dirá a divina? E nós agora não podemos ser condenados ao inferno, porquanto, outras pessoas não o foram. Como Deus “não faz acepção de pessoas” (At 10,34; Rm 2,11; Ef 6,9) e se suas leis são imutáveis, porquanto se as mudassem não as teria criado perfeitas.

  Conclui-se que Ele não criou o inferno, pois se o criasse, não o mudaria, já que seria perfeito. E disso nós concluímos, então, que o inferno não é criação divina e sim dos homens.

▬  Entretanto, quem o criou? Temos a resposta na ponta da língua: a liderança religiosa, como forma de amedrontar seus fiéis. Não há uma outra alternativa senão essa.

  2 • A mentira sobre o pai da mentira, Lúcifer:

Deus, O SUPREMO BEM, não poderia ter criado o mal.

▬  Sendo assim, indagamos novamente:
▬  Como se explica a existência de Lúcifer e cia?

▬  Respondem-nos os crentes, pensando acertar o alvo:
▬  É um anjo que decaiu.

Em razão dessa resposta, voltamos a questionar:

▬  O que é um anjo?
▬  Um anjo é um ser perfeito criado por Deus.

▬  Ótimo!
▬  Então nos explique como um ser perfeito pode decair?

  Esta pergunta é fatal e os deixa estonteados à procura de uma resposta que não têm. Mas alguns, não querendo dar o braço a torcer, arriscam justificar essa do anjo decaído citando, sorriso nos lábios, o profeta Isaías (Is 14,12), confiantes em que “a palavra de Deus” vai lhes dar guarida.

▬  Como se diz: “ô coitado”!
▬  Nem mesmo eles têm capacidade de analisar uma passagem bíblica.

Quem quiser poderá ver que o contexto de Is 14,12 fica evidenciado nos versículos 3 e 4 onde, segundo a narrativa, Deus pede ao profeta Isaías para proferir um motejo (sátira) contra o rei da Babilônia, que à época subjugava o povo hebreu, quando fosse liberá-lo desse rei, que queria dominar o mundo. Portanto, nada de Lúcifer, como entendem os apressados.

Tendo em vista que provamos acima que o inferno não existe, e sendo ele um lugar, segundo afirmam, onde Lúcifer vive, então, a conseqüência lógica disso é que esse ser também não existe. Aqui, do mesmo modo, por questões da influência dos persas que tinham o deus do mal
▬ Ariman ▬, que rivalizava com o deus do Bem ▬ Ormuzd ▬, essa entidade do mal foi incorporada à cultura dos que, tradicionalmente, têm a Bíblia como fonte de suas práticas religiosas.
  3 • Há eleitos de Deus?

▬  Biblicamente falando, quem poderia se arrogar em afirmar ser eleito de Deus seriam os judeus, não os cristãos, já que é assim que “a palavra de Deus” diz:

Quem prega a exclusividade da salvação por pertencer a determinado segmento religioso não entendeu patavinas da parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), onde aquele que era considerado ateu é o exemplo de quem Jesus nos recomenda seguir.

Na passagem da separação dos bodes e das ovelhas (Mt 25,31-46) o critério para ser escolhido para ir para a direita não foi o de pertencer a alguma igreja. Por outro lado, se Deus “faz chover sobre os bons e maus” (Mt 5,45) é sinal que trata todos do mesmo modo, e como Jesus disse". O Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca” (Mt 18,14) então todos nós seremos salvos, entretanto, o tempo para que isso aconteça não é o mesmo para todos, pois aí vale o “ a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27).

Há uma passagem muito singular sobre a qual quase ninguém fala dela, mas é fatal contra essa idéia sectária de salvação.
4. Quem não pagar dízimo vai pro inferno?

▬  Esta é a mais deslavada mentira que pregam aos seus fiéis.

Porquanto, em canto algum da Bíblia se encontra tamanho absurdo. O item anterior serve para demonstrar por qual meio haverá separação dos bons e dos maus, entretanto, ninguém vai para uma condenação eterna, porquanto, só é justa a pena cujo período esteja limitado ao montante da dívida, ou seja, exatamente conforme nos asseverou Jesus “até que se pague o último centavo” (Mt 5,26).

A passagem bíblica que instituiu este tributo foi Lv 27,30.32, na qual lemos:

▬  Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé, é coisa consagrada a Javé.

▬  Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé.

 Ou seja, o dízimo aqui instituído é relacionado aos produtos da terra, não a dinheiro. Entretanto, mais tarde foi desvirtuado para recebimento monetário, mas aqui funcionava como um imposto, já que a liderança religiosa é quem detinha também o poder político. Se o Estado foi desmembrado da religião e nós continuamos a pagar imposto ao Estado, então o dízimo é sem sentido. Pois, da forma que o cobram, ele é em verdade um imposto religioso, cuja exigência cabe aos líderes religiosos, que, sem nenhum rubor na cara, o atribuem a Deus como se fosse o dízimo uma ordem divina.

 5  • É proibido ler obras literárias que não as de sua igreja?

Se for verdade que “onde se acha o Espírito do Senhor aí existe liberdade " consequentemente, o contrário também é verdadeiro, ou seja, onde não existe liberdade o Espírito do Senhor não está.

Quem proíbe alguém de fazer alguma coisa está impedindo-a de agir livremente, ou seja, a pessoa não tem mais liberdade. Mas é certo que somente se proíbe por medo.

▬  Medo?
▬  Sim, medo de que descubram que a verdade está noutro lugar que não naquele que freqüentam, pois quem tem convicção de estar com a verdade não restringe ninguém a nada.

 Jesus ao afirmar:

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará,  estava justamente incentivando as pessoas a procurem a verdade, mas essa só pode ser encontrada quando se tem independência para pesquisar e se ler qualquer conhecimento registrado pelo homem, pouco importa qual seja a sua origem, sem nenhuma restrição religiosa.

 Conclusão:

De tudo o que até aqui mostramos, podemos concluir que o “fim dos tempos” já passou, pois, pelas narrativas bíblicas chega-se, facilmente, à conclusão de que esse tempo, na verdade, sempre foi algo próximo à realidade que os personagens bíblicos viviam naquele momento. Reafirmamos, que não existe nenhuma passagem da qual possamos dizer que tal evento seja para um futuro longínquo.

Entretanto, parece-nos que ninguém se preocupa com isso e os fiéis amedrontados apenas seguem o que lhes passaram como “verdade”. Enquanto a liderança religiosa, que usa de interpretações à sua conveniência, os mantém encabrestados à sua maneira de pensar, tendo como base, conforme já o dissemos, o medo.

Certamente, muitos deles, se tiverem oportunidade de lerem esse nosso texto, irão nos mandar para os quintos dos infernos e a seus fiéis dirão que nós estamos possuídos pelo “demo”. Entretanto, esse mesmo juízo divino que dizem ser terrível será usado para julgá-los, já que a justiça de Deus é feita com equanimidade.

Esses pobres coitados amanhã estarão queimando no fogo do inferno consciencial por terem utilizado, a proveito próprio, as revelações divinas.

Aqui vale relembrar a passagem bíblica, há pouco citada, que diz:

▬  "Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”

Do que se pode perfeitamente concluir que onde não existe liberdade, aí não está o Espírito do Senhor.

Paulo da Silva Neto Sobrinho.

Referências bibliográficas:
▬  Bíblia Sagrada. Brasília, DF: SBB, 1969.
▬  Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulus, 2001.
▬  Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulus, 1990.
▬  Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulinas, 1980.
▬  Bíblia Sagrada. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
▬  Bíblia Sagrada. São Paulo, Ave Maria, 1989.
▬  Novo Testamento, São Paulo: Loyola, 1984.
▬  Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
▬  Bíblia Sagrada. Aparecida, SP: Santuário,1984.
▬  A Bíblia Anotada, São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
▬  Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 2001.
▬  Bíblia Sagrada - Edição Barsa, Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.

Segunda-feira, Maio 02, 2011


A morte de Osam Bin Laden e suas possíveis consequências para o mundo

EM http://www.hermesfernandes.com/ 




Por Hermes C. Fernandes

Acabo de assistir ao pronunciamento do presidente Barack Obama, transmitido pela CNN, afirmando que Osama Bin Laden, líder da organização terrorista Al-Qaeda, está morto.

De acordo com o presidente norte-americano, após ter recebido informações precisas da inteligência americana sobre a localizaçao do terrorista na semana passada, deu ordem de atacar, e neste domingo, um pequeno grupo de soldados conduziu a operação, que resultou na morte de Bin Laden após uma troca de tiros.

Procurado há pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden é considerado o mentor intelectual dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que derrubou as Torres Gêmeas em Nova York e deixou cerca de 3.000 mortos, e de ataques a alvos norte-americanos na África e no Oriente Médio na década de 1990.

Obama declarou em seu pronunciamento: "Esta noite, os Estados Unidos lançaram uma mensagem inequívoca: não importa quanto tempo leve, a justiça será feita".
Bin Laden nasceu na Arábia Saudita em 1957, em uma família de mais de 50 irmãos. Ele era filho do magnata da construção Mohamed bin Laden. Seu primeiro casamento foi com uma prima síria aos 17 anos. Acredita-se que ele tenha tido 23 filhos com ao menos cinco esposas. Financiado pelos Estados Unidos, ele lutou ao lado de rebeldes contra tropas soviéticas no Afeganistão nos anos 80, o que acabou levando à criação da Al-Qaeda.

A morte de Bin Laden será celebrada no mundo inteiro, assim como foi a morte de Sadam Hussein. Receio, porém, que a mesma sirva como combustível para um avivamento da causa por ele defendida, motivando uma nova onda de terrorismo no mundo. Para muitos, o maior vilão da história recente. Mas para tantos outros, um ícone de resistência ao imperialismo americano. Para estes, Bin Laden será reconhecido como um mártir, e portanto, exemplo a ser seguido por esta e pelas próximas gerações de terroristas.

Sem dúvida, sua morte será tida como um grande feito pela maioria dos americanos, e poderá incrementar a popularidade de Obama que anda em baixa, fazendo decolar sua campanha pela reeleição. Aliás, Obama fez muito bem ao afirmar que a guerra travada pelos EUA não é contra o Islã, e sim, contra o terrorismo, que faz vítimas, inclusive, entre os muçulmanos.

Mas será que há realmente motivo para celebrar? Ou será que haveria motivos para lamentar? Não digo que devemos lamentar a morte de Bin Laden, e sim o que ela poderá provocar no mundo.

O Departamento de Estados dos EUA emitiu uma advertência a todos os cidadãos americanos espalhados pelo mundo, para que limitem os movimentos fora de suas casas ou hotéis, e evitem multidões ou protestos, pois haveria um risco maior de violência contra americanos a partir do anúncio da morte do líder da Al-Qaeda.
Oremos pela América. Oremos pelo mundo árabe e muçulmano. Oremos por nossa civilização!