domingo, 30 de setembro de 2012

PESQUISAS INTERNACIONAIS SOBRE PASSE


Na literatura de língua inglesa encontram-se muitas pesquisas em periódicos científicos sobre healing. A palavra tem múltiplos significados, inclusive o fisiológico, que significa cura, mas é muito usada como referência à "spiritual healing", que seria "uma relação simples e direta entre o curador (healer) e o paciente no qual pode ocorrer uma melhora na condição do paciente. Os mecanismos subjacentes às práticas de 'healing' são usualmente explicadas com base na transmissão de uma 'energia curadora', embora ainda haja pouco entendimento do tipo de energia que pode estar envolvida." (Hodges & Scofield, 1995)

Os passes, como os praticamos no meio espírita, seriam considerados por estes pesquisadores como uma forma de 'spiritual healing'.

Que tipo de evidências empíricas (perceptíveis pelos cinco sentidos) podem dar suporte a uma prática que está se tornando reconhecida pela chamada Medicina Complementar e Alternativa?

Os autores acima citados, da Universidade de Londres, fizeram um trabalho de revisão e apresentaram resultados empíricos favoráveis às 'curas espirituais' (spiritual healings) que passo a traduzir:

Em Enzimas


Monoamina axidase em plaquetas humanas (Rein, 1986) - aumento do nível de enzimas (p < 0,001)

Em Microorganismos

Inibição de culturas de fungos (Barry, 1968) - diminuição do crescimento dos fungos (p < 0,001)

Produção de dióxido de carbono em culturas de fermento (Grad, 1965) - Mudanças na produção de CO2 (p < 0,0005)

Efeitos em Células In Vitro

Hemólise de células vermelhas do sangue (Braud, et. al, 1979) - redução da hemólise (p < 0,001)

Hemólise de células vermelhas do sangue (Braud, 1988) - redução da hemólise (p < 0,00002)

Efeitos em plantas

Sementes de plantas (Grad, 1965) - Redução do efeito do estresse (damage) salino (p < 0,001)

Efeitos em animais

Feridas de pele em ratos (Grad, 1965) - Aumento da taxa da cura da ferida (p < 0,001)

Retardo do crescimento do bócio em ratos (Grad, 1965) - Crescimento mais lento da tireóide (p < 0,001)

Efeitos em seres humanos

Aumento dos níveis de hemoglobina no sangue (Krieger, 1975) - Aumento da hemoglobina pós-tratamento (p < 0,01 - 0,001)

Estado de ansiedade em pacientes cardíacos (Heidt, 1979) - Redução dos níveis de ansiedade (p < 0,01 - 0,001)

Fonte: Hodges, R. D, & Scofield, A. M. Is spiritual healing a valid and effective therapy? Journal of the Royal Society of Medicine, v. 88, apr. 1995, p. 203-207

Obviamente, há pesquisas negativas com healing, e este trabalho já apontava a existência de mais de 8000 curadores (healers) na Grã-Bretanha, registrados em uma instituição denominada Confederação das Organizações de Curadores (CHO, em inglês).

Eles recomendaram, há mais de 15 anos, a estruturação de programas de pesquisa em healing, em função da existência de resultados positivos e da disseminação da prática. 

Outro ponto digno de nota é o efeito dos passes e outras técnicas similares em sementes, células e fungos, além do conhecido efeito de alteração da tensão da superfície da água (Rindge, 1977), que se opõem aos argumentos geralmente usados pelos céticos como o efeito placebo.

Parece, portanto, que em vez de reinventar a roda, cabe aos interessados em um entendimento dos passes (principalmente os chamados magnéticos ou humanos por Kardec), fazer estudos de revisão dos trabalhos já existentes, especialmente dos recentes, posto que no século XIX os magnetizadores não tinham por prática de pesquisa os estudos experimentais e apenas teciam considerações sobre estudos observacionais de tratamentos empíricos, com raras exceções.

SÓ PODEMOS MORRER UMA SÓ VEZ?



 
“E, como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o Juízo”. (Hebreus 9:27)
 
Quem escreveu Hebreus?   Muitos cristãos atribuem a autoria da epístola ao Apóstolo Paulo, mas os estudiosos dizem que o modo como ela foi elaborada, difere das outras epístolas paulinas. Mas "talvez" tenha sido Timóteo, Apolo, Lucas, Barnabé, Clemente de Roma, Silas, Filipe e Priscila.
No terceiro século, Orígenes escreveu: “Só Deus sabe ao certo quem escreveu a epístola.”
 

Começa por aí. Ninguém sabe ao certo quem escreveu Hebreus. Que conhecimento tinha para tal? Mas, analisando esta passagem que muitos usam para contestar a REENCARNAÇÃO, vamos ver que não tem sentido. Se aceitarmos que somente morremos uma vez, haveria 3 problemas: Primeiro: Jesus ressuscitou Lázaro. Este então, teve duas mortes?Segundo: Se Lázaro estava morto a dias, e o juízo vem após a morte, não teria sido ele julgado por Jesus? Será que ele teve permissão de voltar do céu ou do inferno? Terceiro: Afinal, em que ocasião seremos julgados? Após a morte ou no juízo final, onde muitos acreditam que Jesus voltará e julgará os vivos e os mortos, separando o joio do trigo?
Achamos que o verdadeiro sentido da frase, baseado nos conhecimentos da Doutrina Espírita, é que só podemos morrer uma só vez a cada encarnação, ou seja, o que não existe é a "RESSURREIÇÃO" e não a"REENCARNAÇÃO". Porque "ressurreição" significa o Espírito ressurgindo ou retornando ao mesmo corpo físico. O que é impossível, cientificamente falando. O "ressurgimento" do Espírito é em um novo corpo carnal, por isso Allan Kardec usou a palavra "reencarnação".
Então perguntamos: Por que a resistência em acreditar na reencarnação? Por que se apegar a uma frase com tantas outras evidências? Vejamos em Mateus 17:10: "Os discípulos de Jesus lhe perguntaram: “o que querem dizer os doutores da Lei, quando falam que Elias (que já estava morto) deve vir? Jesus lhes explicou: "Certamente Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram.”Comenta Mateus em 17:13 "Então os discípulos compreenderam que Jesus falara a respeito de João Batista.”
Nesta passagem, Jesus deixa claro que Elias, que muitos esperavam a volta (voltar de onde e como se ele estava morto?), já veio, ou seja, já REENCARNOU, e já haviam feito com ele o que quiseram (cortaram sua cabeça). Então, os discípulos entenderam que João Batista era a reencarnação de Elias. Portanto, concluimos que Elias morreu 2 vezes, quando era Elias e quando retornou à carne como João Batista. 

Então, preferimos dizer que: "Se nossa esperança em Cristo se limita a essa vida somos os mais infelizes de todos os homens." - Coríntios 15:19
 
  Texto de Rudymara

SIMBIOSE ESPIRITUAL


Quase todos os dicionários da língua portuguesa, e até de outras línguas, definem a “obsessão” como sendo idéia fixa, mania de perseguição, intenção exclusiva de prejudicar o outro, mas se analisarmos com calma e serenidade esse fenômeno de origem espiritual, podemos observar que se trata de uma: “simbiose espiritual”, ou seja, uma associação de hábitos, tendências, vícios, desejos e paixões. Quer dizer que, mesmo que um espírito deteste o outro e queira lhe fazer mal, isso só poderá acontecer se houver afinidade, se a possível vitima oferecer condições de aproximação, de imantação e subjugação.
Quando, no mesmo nível moral, é mais que certo que as preferências também sejam iguais, temperamentos fortes e destemidos atraem forças equivalentes; preguiçosos e inertes se juntam a elementos do mesmo teor; egoístas, orgulhosos, invejosos e ciumentos também atraem companheiros iguais, e são essas viciações conhecidas da vida comum que facultam essas ligações fluídicas perniciosas da obsessão”.
Muitas obsessões, estruturadas e iniciadas durante a vida física, não se interrompem depois da “morte” e, muitas vezes, são ainda mais acirradas, porque a entidade obsessora passa a ter a vitima a sua mercê, pois ambos estão no mundo fluídico sema roupagem carnal, onde podem se enfrentar cara a cara, sem o obstáculo do corpo físico. Não foi à toa que Jesus recomendou: “Antes de qualquer oração ou oferenda, vá primeiro à casa do seu adversário e reconcilia-te com ele, enquanto estão caminhando juntos aqui na Terra”, numa alusão clara e insofismável que, depois da “morte”, a situação se torna ainda mais grave e de difícil solução.
As obsessões estão por toda parte, e é tão comum nos dias de hoje, que as pessoas convivem naturalmente com elas, fugindo da realidade e dando a esses sintomas espirituais os nomes de “depressão, síndrome do medo, estresse”, e outras formas de identificação, sem, no entanto, passar pelo crivo dos males espirituais, que hoje proliferam principalmente nas grandes cidades, onde recebem o incentivo constante do trânsito congestionado, das filas intensas para se fazer tudo, do consumo desenfreado, da dívidas acima do orçamento doméstico, da violência vulgarizada por toda parte, dos programas televisivos de nível baixíssimo, dos desquites e divórcios por motivos fúteis, da falta de religiosidade, da falta de conhecimento de uma vida fora da matéria, da falta de fé e esperança nas promessas de Jesus.
Muitas das “obsessões” em curso na vida das pessoas são frutos de vidas passadas, em que invadiram fronteiras alheias, atassalharam a vida dos outros, se comprometeram com faltas e crimes graves, assumiram compromissos que não cumpriram, criando com isso uma espécie de “carma” temporário que, com certeza, volta sempre, principalmente quando o devedor já possui condições de saldar a dívida. O obsessor quase que sempre é também uma vitima, que precisa ser orientada a oferecer o perdão, pois, caso contrário, também não se libertará nunca, carpindo os mesmos sofrimentos de sua possível vitima.
Enquanto o homem terreno não for estudado na sua íntegra, como um ser espiritual que é, será sempre difícil fazer avaliações no campo físico e mental, porque, em síntese, o homem é o que ele imagina e pensa, e enquanto o seu pensamento for desequilibrado e autoritário, dificilmente terá condições de conviver pacificamente, e, em conseqüência, de se livrar dos fenômenos obsessivos. Só o a mor cura a obsessão. E Jesus veio para nos demonstrar esse amor, incondicional e puro, que os homens devem ter uns pelos outros, como antídoto para alcançar a paz que todos desejamos.
Autor: Djalma Santos
Fonte: Livro: Segredos e Mistérios da Mente Humana

QUAL CRISTIANISMO ?



Paulo R. Santos

O cristianismo que nos é apresentado pelas diversas religiões, crenças, seitas e crendices possui tantas disparidades de interpretações que, com certeza, não estão falando do mesmo cristianismo, aquele originário dos ensinamentos e exemplos de Jesus de Nazaré.

Para alguns, Jesus é filho de Deus, o que leva presumir que tem também mãe, sendo ele mesmo, um deus. Isso mais confunde que esclarece. Para outros, o Jesus histórico se resume àquele profeta, ou messias, contemporâneo de outros profetas e de revolucionários como Barrabás (Joshua bar Aba). Há politeísmo nessa visão, ou no mínimo monolatria, isto é, a supremacia de um deus sobre outros deuses e semideuses.

Outros se limitam a Joshua ben Joseph (Jesus, filho de José), carpinteiro filho de outro carpinteiro, cuja mãe se chamava Maria (ou Míriam), que tinha irmãos e irmãs consanguíneos (Marcos; 6-3). Para as ortodoxias ainda em vigor, isso consiste uma visão herética, já que para certos segmentos, Jesus é unigênito (o único gerado) e filho de uma virgem.

Eis que a confusão fica estabelecida quando se tenta, lá pelo século IV, quando da criação da Igreja Romana (Concílio de Nicéia, em 325), trazê-lo (Jesus de Nazaré) como sucedâneo dos deuses tidos como pagãos. Fato que tentava atrair para a nova crença os seguidores de outras religiões mais antigas. Jesus seria a versão latina do deus egípcio Horus ?

Com o passar dos séculos, pesquisadores procuravam apontar a data correta do nascimento de Jesus. Tarefa difícil já que os calendários usados naqueles tempos variavam conforme os povos. Convencionou-se o 25 de dezembro, segundo o calendário juliano.

Hoje, Jesus de Nazaré não se reconheceria nos cristãos da atualidade. Seus ensinos e exemplos foram esquecidos ou deturpados. Seu nome mais parece uma logomarca, e ele é – na prática – um ilustre esquecido no dia convencionado para a celebração de seu aniversário natalício e consequente reunião da família e troca de presentes, em memória dos poucos presentes que ganhou ao nascer , segundo reza a tradição.

Fato é que o ensinamento original de Jesus se perdeu em meio aos interesses humanos e mundanos. Quem pregou a paz, a simplicidade, a compaixão e a humildade estranharia a ostentação dos templos erguidos em seu nome. E ainda as muitas guerras originárias de interpretações parciais, tendenciosas ou claramente deturpadas para atender a interesses mesquinhos de pseudo-religiosos e falsos profetas, aos quais ele próprio se refere, conforme foi recolhido por Mateus, e descrito no capítulo 24 de seu Evangelho.

O Sermão do Monte e sua síntese doutrinária (Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo) talvez sejam pálidos reflexos de seu pensamento original. O resto corre por conta dos seus interpretadores.

Com a aproximação de mais um Natal comercial, que usa e abusa do nome de Jesus de Nazaré para vender produtos sem preocupações de fé, talvez seja hora de uma pausa para refletir por onde estamos indo ou onde nos perdemos da rota verdadeira.
http://www.abrade.com.br/site/index.php?pag=prod&show=66

Casamentos que Curam - 09/07/12


Casamento e cura, que relação é essa? Falar de cura em casamento pode parecer realmente muito estranho, porque cura normalmente é uma expressão atribuída a algo que adoeceu.
Apesar da estranheza, a palavra é sim muito adequada à relação conjugal. Os casamentos inegavelmente são passíveis de adoecimento. Aliás, quaisquer relações podem enfermar. Sob uma ótica terapêutica, onde existe doença, existe necessidade, carência e também potencial de completude.
A convivência, muito antes de ser algo que se compartilha com o outro, é algo que reflete a forma como nos relacionamos conosco próprio. Nela, projetamos a sombra e a luz que trazemos em nós. Quando duas pessoas se encontram em um casamento, em verdade, estão procurando um no outro aquilo que é capaz de curar o seu sombrio e burilar os seus talentos.
Essa é uma visão bem junguiana de casamento, mas também uma visão coerente com o Espiritismo. Na questão 386, O Livro dos Espíritos, ressalta: “Um do outro dois seres se aproximam devido a circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que na realidade resultam da atração de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão”.
Já na questão 388, O Livro dos Espíritos, os Guias Espirituais reafirmam: “Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.
Há todo um complexo de energias por trás das relações humanas. É verdadeiramente um campo muito vasto para se estudar e examinar, para melhor entendimento da saúde e do desenvolvimento humano. Esse magnetismo é realmente algo que começa a ser examinado pelas ciências modernas, especialmente a física quântica, abrindo um terreno muito vasto para uma medicina energética curativa e libertadora.
Nessa teia de energias e vibrações, cada um de nós busca aquilo que precisa e merece. Portanto, necessidade e merecimento são forças interiores que atraem na vida tudo que é para nosso progresso e evolução.
Vamos dar um exemplo disso no casamento. Duas pessoas se apaixonam. Uma busca na outra algo que falta e algo que complementa. Um homem sereno e calmo poderá atrair uma mulher agitada, ansiosa e determinada. Ele, por sentir uma extrema necessidade de ser mais ativo, encontrará um enorme interesse por essa mulher realizadora. Ela, por sua vez, perceberá a serenidade dele como ponto de equilíbrio para seus excessos. Tudo isso, na maioria das vezes, acontece de forma inconsciente. Aquilo que falta a ambos será fator determinante dessa atração. A sombra de um foi em busca da luz que tem no outro. Há uma “química psíquica e energética” antes de rolar uma química da paixão.
Depois, esses apaixonados se casam, e com o tempo os choques naturais desse enlace emergem do inconsciente para o consciente. Ela, segundo ele, cobra demais dele. E ele, segundo ela, é excessivamente calmo. Começam a lidar mal na convivência, porque já tinham uma relação muito desgastante com o seu próprio sombrio que, agora, emerge abruptamente.
Ai entra o propósito terapêutico e libertador do casamento: compreender o quanto é necessário esse encontro com o sombrio pessoal. E diante dessa compreensão, surge o desafio de aprender como aplicar mecanismos que reciclem a convivência e garantam melhores resultados para essa descoberta dolorosa, porém essencial para nossa paz e cura.
Essa linha de raciocínio fundamentada na ciência é algo que necessitamos agregar com urgência aos exames dos casamentos à luz do Espiritismo, porque, muitas vezes, em função de preconceitos, distanciam a união afetiva da sua utilidade educativa no crescimento espiritual.
A visão mais ajustada com o bom senso e com as diretrizes da educação espiritual é a de que quando você se casa com alguém não existe resgate ou carma com o outro. Existe sim compromisso de resgate, antes de tudo, consigo próprio. Não um resgate de algo ruim que foi feito no passado, todavia o resgate de nossa saúde, de nossos valores, de nossas qualidades eternas. Casamento é uma oportunidade de reconciliação interior, de resgatar a si próprio. E somente nessa perspectiva, ampliando os nossos recursos pessoais, é que reunimos condições para algo realizar também em favor da iluminação alheia. Esses são os casamentos que curam.
Por conta de rigidez no entendimento e ausência de reflexão acerca dos princípios espíritas, muitos casais tem mantido casamentos que já acabaram há muito tempo e vivem uma vida paupérrima de alegria e aprendizado, mantendo-se um ao lado do outro para “queimar o carma”. Sofrem e fazem sofrer um ao outro e se iludem com a ideia de que isso é necessário ao avanço espiritual, e que as coisas estão como estão porque são velhos inimigos espirituais.
Pode até ser verdade que sejam velhos inimigos, mas daí a usar isso para explicar o adoecimento da relação, vai uma grande distância. Nesse caso o que existe é incapacidade de nossa parte em gerenciar condições afetivas e de conduta para estabelecer um convívio saudável e curativo. Em verdade, os velhos inimigos estão é dentro de nós próprios, escondidos em nossa sombra emocional e psíquica. Com ele é que urge um processo de pacificação e recuperação.
As chances de cura de um casamento terminam quando os dois perdem a motivação de descobrirem suas sombras pessoais e como ilumina-las, quando ambos perderam o gosto de se ampararem mutuamente. Casamentos não terminam apenas com a separação. A separação apenas oficializa o que já pode ter acontecido há bom tempo.
Uma diferença crucial: o casamento, nesse caso, acaba, mas talvez o ciclo de cura ainda não. Possivelmente amanhã, nessa mesma vida ou em outra reencarnação, essas mesmas pessoas encontrarão novamente pessoas atraentes e novamente aquela “química psíquica” de necessidades vai determinar novos encontros e talvez desencontros...
Como nos disse o preto-velho Pai João de Angola: “estamos querendo levar o balaio de dores do outro em nossas costas”.
Em muitos casamentos encerrados, costuma um querer mudar o outro, um querendo salvar o outro para resgatar a harmonia dos primeiros momentos de união. E, no entanto, ambos estão frágeis, cansados, desiludidos e dependentes. É o adoecimento do casamento. Por isso, aceitam a manipulação do outro, engolem maus tratos, sofrem mágoas todos os dias, e acolhem passivamente as perturbações e vícios supondo dessa forma estar realizando uma boa ação pela recuperação do casamento.
Definitivamente, uma frase que parece ser um verdadeiro atentado contra todas as nossas crenças mais sombrias e limitadoras, precisa ser dita: nós não devemos nada a ninguém! Parece uma frase de egoísmo, entretanto ela encerra um profundo ensinamento que, especialmente, nós espíritas, precisamos meditar. É da lei divina que em relação ao outro, todos nós podemos cooperar, orientar e estender amparo. Porém, é também da lei que cada um só responderá por si. Há muita ilusão nesse assunto.
É muito desafiante mesmo ter um amor exigente, um amor que impõe e educa.
E, na lei de Deus, verdadeiramente não temos nenhuma obrigação de suportar, levar nas costas ou carregar quem não queira o seu próprio bem. Muitas vezes, amar significa uma postura firme, determinada, e que alerte o outro sobre limites e abusos que ele já não respeita mais.
Eu sei que todas essas reflexões parecem frias. Lembra-nos aquela postura de Jesus, em Mateus 12:48: “Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?”
Vejamos uma lista de alguns sintomas de um casamento que cura:
  • O gosto em dialogar.
  • A expressão da sexualidade conectada com afeto.
  • O cultivo do respeito e do carinho sempre.
  • A honestidade como tempero diário da relação.
  • O uso da criatividade para socorrer um ao outro no contato com sua sombra.
  • O incentivo à autonomia e aos talentos um do outro.
  • Comprometimento com o bem real um do outro.
  • O repudio resoluto a qualquer ação de manipulação ou agressão.
  • O companheirismo perante a família e o lar.
  • O amor como laço de elevação.
Casamentos que curam amadurecem e nos permitem outros ciclos mais promissores e estáveis de aprendizado, seja na relação corrente ou em novas relações. Tais casamentos atendem aos seus propósitos divinos e nos conduzem de volta ao nosso melhor, à nossa luz pessoal.