Crônicas e Artigos
REVISTA SEMANAL - O CONSOLADOR http://www.oconsolador.com.br/ano2/96/cristian_macedo.html
Ano 2 - N° 96 – 1º de Março de 2009
CRISTIAN MACEDO cristianmacedo@potencial.net
Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil)
Allan Kardec chamou de Escala Espírita a classificação dos Espíritos.
Com ela podemos saber qual o nível dos Espíritos que entram em contato conosco, 'bem como saber onde nos encaixamos nela e quanto nos falta para atingir a perfeição.
A Escala Espírita seguiu esta ordem de publicação:
1º O Livro dos Espíritos, 1ª edição, 1857.
2º Revista Espírita, Fevereiro de 1858,
3º Instrução Prática das Manifestações Espíritas (1858),
4º O Livro dos Espíritos, 2ª edição (1860).
Os rudimentos desta classificação aparecem em 1857, na primeira edição de O Livro dos Espíritos.
Do item 55 ao 57, os Espíritos apresentam a Allan Kardec três ordens de Espíritos:
1ª Espíritos puros;
2ª Espíritos bons;
3ª Espíritos imperfeitos.
Comentando as respostas dos Espíritos, Allan Kardec inicia uma classificação da terceira ordem, apresentando-a assim:
1º Os Espíritos neutros: Os que não são bastante bons para fazer o bem nem bastante maus para fazer o mal.
2º Os Espíritos impuros: Os que são inclinados ao mal que é o objeto de suas preocupações.
3º Os esprits follets (1): “ São levianos, malignos, insensatos, mais turbulentos que maus; metem-se em tudo e se comprazem em causar pequenos desgostos e risotas, ou de induzir maliciosamente em erro para mistificações. Podem ser designados também pelos termos lunáticos, tentadores".
Em fevereiro de 1858 a Escala Espírita é publicada pela primeira vez com esse título.
Nessa oportunidade Allan Kardec deixa claro alguns pontos da elaboração da Escala (2):
1º - O que demarca as diferenças dos Espíritos:
"Não pertencem eternamente à mesma ordem e que, em consequência, essas ordens não constituem espécies distintas: são graus do desenvolvimento";
"A classificação dos Espíritos é baseada em seu grau de progresso, nas qualidades adquiridas e nas imperfeições de que devem despojar-se".
2º - Sobre as fronteiras entre uma classe e outra:
"Cada categoria só apresenta um caráter marcante no seu conjunto; mas de um a outro grau a transição é insensível e nos limites a nuança se apaga, como nos ramos da Natureza, nas cores do arco-íris ou nos vários períodos da vida humana. Pode-se pois formar um maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista sob o qual se considerar o assunto".
3º - Sobre a participação dos Espíritos e de Allan Kardec na confecção da Escala:
"Para eles o pensamento é tudo: deixam-nos a forma e a escolha das expressões, as classificações ― numa palavra, os sistemas";
"É que eles [os sábios botânicos] não inventaram as plantas nem seus caracteres; observaram as analogias e, segundo estas, formaram grupos ou classes. Assim também nós: nem inventamos os Espíritos nem seus caracteres; vimos e observamos. Julgamo-los por suas palavras e atos, depois os classificamos por suas similitudes. Eis o que qualquer um, em nosso caso, teria feito";
" (...) não podemos reivindicar a autoria de todo o trabalho. Se o quadro que damos a seguir não foi traçado textualmente pelos Espíritos e se é nossa a iniciativa, todos os elementos que o compõem foram hauridos em seus ensinamentos: o que nos restava era apenas formular uma disposição material".
Aqui, Allan Kardec retoma o que os Espíritos lhe apresentaram em 1857:
"Os Espíritos geralmente admitem três categorias principais ou grandes divisões. Na última, na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, que devem ainda percorrer todas ou quase todas as etapas; são caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela inclinação para o mal. Os da segunda são caracterizados pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo de perfeição".
E esclarece sobre sua participação:
"Esta divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta caracteres bem definidos. Só nos restava destacar, em número suficiente de divisões, as nuanças principais do conjunto; foi o que fizemos com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos faltaram".
Ainda em 1858, no primeiro semestre, é publicado o livro Instrução Prática das Manifestações Espíritas.
No primeiro capítulo do Instrução, Allan Kardec afirma que a diferenciação das ordens dos Espíritos é um dos mais importantes princípios da Doutrina Espírita.
Não houve mais alterações na Escala até 1860.
Com a publicação da segunda edição de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec traz uma nova classe de Espíritos à Escala. Se anteriormente ela continha 9 classes, agora são 10.
Na realidade, não surge uma classe do "nada". A classe dos "Espíritos batedores" já estava contida na oitava classe, a dos Espíritos Levianos.
Para finalizar, eis um esquema apresentando as transformações da Escala:
1857:
1ª ordem
Espíritos puros
2ª ordem
Espíritos bons
3ª ordem
Espíritos imperfeitos
Espíritos neutros
Espíritos impuros
Esprits follets
1858:
1ª ordem
Espíritos puros
Classe única
2ª ordem
Espíritos bons
2ª classe
ESPÍRITOS SUPERIORES
3ª classe
ESPÍRITOS SÁBIOS
4ª classe
ESPÍRITOS CULTOS
5ª classe
ESPÍRITOS BENEVOLENTES
3ª ordem
Espíritos imperfeitos
6ª classe
ESPÍRITOS NEUTROS
7ª classe
ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS
8ª classe
ESPÍRITOS LEVIANOS
9ª classe
ESPÍRITOS IMPUROS
1860:
1ª ordem
Espíritos puros
Classe única
2ª ordem
Espíritos bons
2ª classe
ESPÍRITOS SUPERIORES 3ª classe
ESPÍRITOS SÁBIOS
4ª classe
ESPÍRITOS CULTOS
5ª classe
ESPÍRITOS BENEVOLENTES
3ª ordem
Espíritos imperfeitos
6ª classe
ESPÍRITOS BATEDORES
7ª classe
ESPÍRITOS NEUTROS
8ª classe
ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS
9ª classe
ESPÍRITOS LEVIANOS
10ª classe
IMPUROS
Referências:
(1) Segundo o dicionário: follet: maluco, tonto; travesso; esprit follet, duende. Em 1858, Kardec muda o nome dessa classe para Esprits légers, Espíritos levianos.
(2) Os grifos são nossos.
Nota do Autor: Este trabalho foi realizado pelo Grupo de Estudos da Filosofia Espírita - filosofiaespirita@gmail.com
Embarque em uma jornada de autodescoberta e transformação espiritual com nosso blog. Aqui, buscamos a meditação, a paz interior e a cura emocional como ferramentas para a busca de si mesmo. Nossos conteúdos abrangem temas que fazem bem a nosso espírito,histórias inspiradoras que iluminam o nosso caminho para a espiritualização. Celebramos a rica tapeçaria do conhecimento da vida,sem distinções.Apreciamos o belo,as trocas significativa, um espaço seguro para compartilhar, aprender e crescer.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
RECICLAGEM DE PENSAMENTOS
REVISTA UNIVERSO ESPIRITA Nº 64 ANO 6 - 2009.
SEI QUE NADA SEI: ASSUMIR QUE SE TEM CONHECIMENTO SOBRE CERTAS COISAS É DIFERENTE DA VAIDADE DO SABER. POR CRISTINA HELENA SARRAF (GRUPO ESPIRITA DE INICIATIVAS DOUTRINARIAS - CEM- jornalcem@yahoo.com )
Essa famosa frase do filósofo grego Sócrates (470 -399 a.C.)tem sido entendido como sinal de modéstia ou como recurso de retórica.Mas,poderia ser a manifestação de sua constatação de que,por mais que soubesse,quanto mais ele avançava em conhecimento,mais se abriria sua percepção do que ainda precisaria saber.
A frase nos convida também a nos posicionarmos face ao que sabemos e não sabemos.Nenhum saber é absoluto ou representa exclusivamente a verdade.Todos sempre estão em algum degrau,havendo os de cima e os de baixo,nessa escada infinita.
O Espiritismo nos ensina que o progredir dos Espíritos não tem termo,sempre há algi que ainda é preciso desenvolver ou adquirir.
No entanto,apesar de insipientes,é cero que sabemos muita coisa.Assumir esse fato com naturalidade facillita e dá apoio ao processo de aplicação do conhecimento,fase mais longa, predegosa do processo de evolução espiritual,com sucessos ou insucessos a cada nova oportunidade.É nessafase que o conhecimentosai do intelecto e vai sendo "incorporado" pelo ser,acabando por compor a personalidade.Sem as múltiplas experimentações,o saber fica a teoria,que pode ser bela e interessante,mas move só as idéias e não a vida.
SEMPRE NOVOS APRENDIZADOS
No correr da existência,aprofunda-se o entendimento das idéias,amplia-se a extensão das aplicações e produzem-se mudanças e novas rotinas comportamentais.Estas acabam pedindo reciclagem ou aprofundamento do conhecimento teórico,que por sua vez pede mais aplicação.E o ciclo se refaz.
É por isso que ningume morre nas mesmas condições mentais e comportamnetais que tinha quando nasceu;e esta é também a razão dos mais idosos geralmente mostrarem-se cheios de sabedoria.
Mas, talvez você se pergunte:"se Sócrates disse que nada sabia,como posso eu dizer que sei?Melhor seria assumir a ignorância!"Mas essa postura esdrúxua,leva a duvidar de si,enfraquecendo as próprias qualidades,ou fingir-se ignorância,para parecer modesto.
As delimitações da verdadeira modéstia se fazem no auto-reconhecimento do próprio limite.De que sei um tanto sobre "isso",nada sobre "aquilo" e muito pouco sobre "aquele assunto".
"Isso eu sei",dito com empáfia e prepotência,soa mal e cria antipatia;mas se falado com simplicidade de quem sabe que não sabe tudo,estabelece empatia,coerência e permite um ajuizamento.
Quer ver?Leve seu carro para um mecãnico que diz:"é,eu nada sei,mas vou ver o que posso faer".Certamente voc~enão deixará o carro ali.Numa aula,se o profesor diz nada saber,os alunos vão embora.Um palestrante que diga saber tudo sobre o tema,denota o orgulho que "subiu à cabeça" e leva(ou deveria levar) os ouvintes,atentos,a terem muito cuidado em aceitar suas informações.
Valorizar-se é necessário,mas não pode ser sinônimo de "ser o dono da verdade"ou "subir num pedestal".
O auto-reconhecimento,nascido do tanto que se tenha de autoconhecimento,é a condição para trabalhar,reciclar e desenvolver o que ja se sabe.É a constatação do quanto ja foi aprendido,partindo de um desconhecimento anterior.
O tempo que vivemos em geral nos oferece uma grande quantidade de recursos para aquisição de saber,bem como para revisão de posturase hábitos de ser.
O Espiritismo,entre outras sugestões,traz a de Santo agostinho,expressa em O LIVRO DOS ESPÍRITOS,de Allan KArdec,que trata do auto-conhecimento.O mesmo foi ensinado por Sócrates,que certamente sabia o quanto sabia,sabendo que isso eta quase nada,diante da infinidade de conhecimentos que se pode adquirir nas múltiplas vidas e nos inúmeros lugares do Universo infinito.
SEI QUE NADA SEI: ASSUMIR QUE SE TEM CONHECIMENTO SOBRE CERTAS COISAS É DIFERENTE DA VAIDADE DO SABER. POR CRISTINA HELENA SARRAF (GRUPO ESPIRITA DE INICIATIVAS DOUTRINARIAS - CEM- jornalcem@yahoo.com )
Essa famosa frase do filósofo grego Sócrates (470 -399 a.C.)tem sido entendido como sinal de modéstia ou como recurso de retórica.Mas,poderia ser a manifestação de sua constatação de que,por mais que soubesse,quanto mais ele avançava em conhecimento,mais se abriria sua percepção do que ainda precisaria saber.
A frase nos convida também a nos posicionarmos face ao que sabemos e não sabemos.Nenhum saber é absoluto ou representa exclusivamente a verdade.Todos sempre estão em algum degrau,havendo os de cima e os de baixo,nessa escada infinita.
O Espiritismo nos ensina que o progredir dos Espíritos não tem termo,sempre há algi que ainda é preciso desenvolver ou adquirir.
No entanto,apesar de insipientes,é cero que sabemos muita coisa.Assumir esse fato com naturalidade facillita e dá apoio ao processo de aplicação do conhecimento,fase mais longa, predegosa do processo de evolução espiritual,com sucessos ou insucessos a cada nova oportunidade.É nessafase que o conhecimentosai do intelecto e vai sendo "incorporado" pelo ser,acabando por compor a personalidade.Sem as múltiplas experimentações,o saber fica a teoria,que pode ser bela e interessante,mas move só as idéias e não a vida.
SEMPRE NOVOS APRENDIZADOS
No correr da existência,aprofunda-se o entendimento das idéias,amplia-se a extensão das aplicações e produzem-se mudanças e novas rotinas comportamentais.Estas acabam pedindo reciclagem ou aprofundamento do conhecimento teórico,que por sua vez pede mais aplicação.E o ciclo se refaz.
É por isso que ningume morre nas mesmas condições mentais e comportamnetais que tinha quando nasceu;e esta é também a razão dos mais idosos geralmente mostrarem-se cheios de sabedoria.
Mas, talvez você se pergunte:"se Sócrates disse que nada sabia,como posso eu dizer que sei?Melhor seria assumir a ignorância!"Mas essa postura esdrúxua,leva a duvidar de si,enfraquecendo as próprias qualidades,ou fingir-se ignorância,para parecer modesto.
As delimitações da verdadeira modéstia se fazem no auto-reconhecimento do próprio limite.De que sei um tanto sobre "isso",nada sobre "aquilo" e muito pouco sobre "aquele assunto".
"Isso eu sei",dito com empáfia e prepotência,soa mal e cria antipatia;mas se falado com simplicidade de quem sabe que não sabe tudo,estabelece empatia,coerência e permite um ajuizamento.
Quer ver?Leve seu carro para um mecãnico que diz:"é,eu nada sei,mas vou ver o que posso faer".Certamente voc~enão deixará o carro ali.Numa aula,se o profesor diz nada saber,os alunos vão embora.Um palestrante que diga saber tudo sobre o tema,denota o orgulho que "subiu à cabeça" e leva(ou deveria levar) os ouvintes,atentos,a terem muito cuidado em aceitar suas informações.
Valorizar-se é necessário,mas não pode ser sinônimo de "ser o dono da verdade"ou "subir num pedestal".
O auto-reconhecimento,nascido do tanto que se tenha de autoconhecimento,é a condição para trabalhar,reciclar e desenvolver o que ja se sabe.É a constatação do quanto ja foi aprendido,partindo de um desconhecimento anterior.
O tempo que vivemos em geral nos oferece uma grande quantidade de recursos para aquisição de saber,bem como para revisão de posturase hábitos de ser.
O Espiritismo,entre outras sugestões,traz a de Santo agostinho,expressa em O LIVRO DOS ESPÍRITOS,de Allan KArdec,que trata do auto-conhecimento.O mesmo foi ensinado por Sócrates,que certamente sabia o quanto sabia,sabendo que isso eta quase nada,diante da infinidade de conhecimentos que se pode adquirir nas múltiplas vidas e nos inúmeros lugares do Universo infinito.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Em Torno do Estudo da Doutrina Espírita
(Publicado na Revista Internacional de Espiritismo em dezembro de 1996)
Conta-nos o evangelista Lucas, no “Atos dos Apóstolos”, que um anjo do Senhor solicitou a Filipe que fosse a caminho de Jerusalém... E ele foi. Antes de lá chegar, encontrou em uma carruagem o mordomo-mor da rainha dos etíopes, que lia o profeta Isaias, e o apóstolo perguntou: “- Entendes tu o que lês?” E o etíope lhe respondeu: “- Como poderei entender, se alguém não me ensinar?”... E a narrativa continua informando que Filipe acompanhou o mordomo, servindo-lhe de instrutor, interpretando, provavelmente, os ensinamentos do profeta à luz dos ensinamentos do Cristo. E antes que terminasse a viagem, o aprendiz pediu para ser batizado, confirmando-se a sua conversão ao cristianismo (Atos, 8: 26-40.)A passagem registrada pelo terceiro evangelista leva-nos a pensar a respeito da importância do estudo em grupo, onde o mais experiente e detentor de mais conhecimentos auxilia o neófito na leitura e compreensão dos ensinamentos de Jesus, á luz do Espiritismo.
Embora a Codificação Kardeciana não apresente a complexidade dos textos bíblicos, não só pela forma didática como foi organizada pelo Mestre de Lion, mas, também, por ter sido escrita em língua viva e moderna, o seu estudo isolado pode apresentar, assim mesmo, dificuldades originadas pelas limitações culturais e pelo atavismo religioso que todos possuímos, por sermos espíritos eternos, com experiências variadas nesse campo. Em razão disso, o estudioso “eremita” somente vê um lado da questão. E quando vislumbra dois, adota aquele que mais se adequa à sua filosofia de vida e o que menos agride as suas convicções. Dessa prática de estudo isolado surgem o que poderíamos chamar de “quistos doutrinários”, ou seja, “espiritismos” dentro do Espiritismo. A essa altura, convém invocar uma lição que a História registrou.
Martinho Lutero, na primeira metade do século XVI, traduziu a Bíblia para a língua Alemã, para que o seu povo pudesse lê-la, pois até então só existia no Latim. A partir daí, todos os interessados passaram a lê-la. Mas, ao longo do tempo, verificou-se que a leitura feita isoladamente gerou o que Munford chamou de “fissiparidade do protestantismo”, ou seja, a divisão sucessiva do organismo gerador em vários outros. Analisando o fenômeno ele diz: “Cada homem podia ler a Bíblia sozinho, uma vez que a invenção da imprensa viera permitir a multiplicação do texto; cada um podia interpretar a Bíblia a sua maneira (...). Interpretavam a Bíblia já no sentido figurado, já no sentido literal: e cada qual encontrava nela o que queria”.[1] Em virtude de tal procedimento, surgiram várias correntes protestantes. Para impedir a proliferação de seitas, os luteranos chegaram à conclusão que a Bíblia teria que ser interpretada pela comunidade religiosa e não mais somente pelo “espírito santo”, através de quem a lê, como queria Lutero, nas origens do movimento reformista.[2]
A importância do estudo no seio do Espiritismo está mais do que comprovada. Não foi sem razão que o Espírito de Verdade nos deixou este ensinamento lapidar: “Espíritas! Amai-vos, este é o primeiro mandamento; INSTRUI-VOS, este é o segundo”. Sabia ele que fora a falta de conhecimento e estudo dos textos evangélicos, que levou o homem a se distanciar do verdadeiro espírito dos ensinamentos do Mestre Jesus. Estava implícito, também, no bojo desses mandamentos a preocupação com a expansão da Doutrina nascente.
André Luiz, em “Opinião Espírita”, lição 29, coloca entre os vinte modos de perturbarmos a marcha do Espiritismo o “negar-se ao estudo”... A casa espírita que não se dedica ao estudo sério e sistematizado da Doutrina, não somente dificulta a sua expansão como não exerce a sua real função de esclarecer as consciências, para que se libertem e iniciem a sua caminhada evolutiva.
Para se compreender melhor a preocupação dos Espíritos com o estudo e sua relação com a evolução espiritual, Kardec fez a seguinte pergunta ao Espírito de Verdade:
“- Como o progresso intelectual pode conduzir ao progresso moral?”
Resposta: “- Fazendo compreender o bem e o mal: o homem, então, pode escolher. O desenvolvimento do livre arbítrio segue o desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos”.
Poder escolher é o grande começo para todos nós. O fim do homem é realizar, pelo exercício de sua liberdade, a perfeição de sua natureza pelo uso correto do livre arbítrio O Espiritismo, mais do que qualquer outra filosofia ou religião, possui os postulados para orientar quem quer que seja nessa empreitada. Cabe aos seus adeptos mais esclarecidos a tarefa de passar com eficiência e responsabilidade seus conhecimentos. Para isso é necessário democratizar o ensino, implantando o Estudo Sistematizado da Doutrina, fazendo uso de técnicas didáticas modernas e participativas, excluindo o “mestre”, detentor do conhecimento e da razão, valorizando a capacidade criadora de todos os frequentadores do estudo. Os que sabem mais orientam os que sabem menos; coordenam a atividade e orientam no sentido da consulta às Obras Básicas, cuidando para não transformar a reunião de estudo em palestra.
Encerremos os nossos comentários dando a palavra ao Codificador, na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
“Toda gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as conseqüências.”
Refletindo, demoradamente, sobre essas palavras do Codificador, concluiremos que sem estudar o Espiritismo não entenderemos o Cristianismo tal como Jesus nos deixou.
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[1] MUNFORD, Lewis. “A Condição de Homem”. Editora Globo, 1956, pag. 221.
[2] WILGES, Irineu. “Cultura Religiosa”, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1985, 6ª edição, pag. 84/85
Conta-nos o evangelista Lucas, no “Atos dos Apóstolos”, que um anjo do Senhor solicitou a Filipe que fosse a caminho de Jerusalém... E ele foi. Antes de lá chegar, encontrou em uma carruagem o mordomo-mor da rainha dos etíopes, que lia o profeta Isaias, e o apóstolo perguntou: “- Entendes tu o que lês?” E o etíope lhe respondeu: “- Como poderei entender, se alguém não me ensinar?”... E a narrativa continua informando que Filipe acompanhou o mordomo, servindo-lhe de instrutor, interpretando, provavelmente, os ensinamentos do profeta à luz dos ensinamentos do Cristo. E antes que terminasse a viagem, o aprendiz pediu para ser batizado, confirmando-se a sua conversão ao cristianismo (Atos, 8: 26-40.)A passagem registrada pelo terceiro evangelista leva-nos a pensar a respeito da importância do estudo em grupo, onde o mais experiente e detentor de mais conhecimentos auxilia o neófito na leitura e compreensão dos ensinamentos de Jesus, á luz do Espiritismo.
Embora a Codificação Kardeciana não apresente a complexidade dos textos bíblicos, não só pela forma didática como foi organizada pelo Mestre de Lion, mas, também, por ter sido escrita em língua viva e moderna, o seu estudo isolado pode apresentar, assim mesmo, dificuldades originadas pelas limitações culturais e pelo atavismo religioso que todos possuímos, por sermos espíritos eternos, com experiências variadas nesse campo. Em razão disso, o estudioso “eremita” somente vê um lado da questão. E quando vislumbra dois, adota aquele que mais se adequa à sua filosofia de vida e o que menos agride as suas convicções. Dessa prática de estudo isolado surgem o que poderíamos chamar de “quistos doutrinários”, ou seja, “espiritismos” dentro do Espiritismo. A essa altura, convém invocar uma lição que a História registrou.
Martinho Lutero, na primeira metade do século XVI, traduziu a Bíblia para a língua Alemã, para que o seu povo pudesse lê-la, pois até então só existia no Latim. A partir daí, todos os interessados passaram a lê-la. Mas, ao longo do tempo, verificou-se que a leitura feita isoladamente gerou o que Munford chamou de “fissiparidade do protestantismo”, ou seja, a divisão sucessiva do organismo gerador em vários outros. Analisando o fenômeno ele diz: “Cada homem podia ler a Bíblia sozinho, uma vez que a invenção da imprensa viera permitir a multiplicação do texto; cada um podia interpretar a Bíblia a sua maneira (...). Interpretavam a Bíblia já no sentido figurado, já no sentido literal: e cada qual encontrava nela o que queria”.[1] Em virtude de tal procedimento, surgiram várias correntes protestantes. Para impedir a proliferação de seitas, os luteranos chegaram à conclusão que a Bíblia teria que ser interpretada pela comunidade religiosa e não mais somente pelo “espírito santo”, através de quem a lê, como queria Lutero, nas origens do movimento reformista.[2]
A importância do estudo no seio do Espiritismo está mais do que comprovada. Não foi sem razão que o Espírito de Verdade nos deixou este ensinamento lapidar: “Espíritas! Amai-vos, este é o primeiro mandamento; INSTRUI-VOS, este é o segundo”. Sabia ele que fora a falta de conhecimento e estudo dos textos evangélicos, que levou o homem a se distanciar do verdadeiro espírito dos ensinamentos do Mestre Jesus. Estava implícito, também, no bojo desses mandamentos a preocupação com a expansão da Doutrina nascente.
André Luiz, em “Opinião Espírita”, lição 29, coloca entre os vinte modos de perturbarmos a marcha do Espiritismo o “negar-se ao estudo”... A casa espírita que não se dedica ao estudo sério e sistematizado da Doutrina, não somente dificulta a sua expansão como não exerce a sua real função de esclarecer as consciências, para que se libertem e iniciem a sua caminhada evolutiva.
Para se compreender melhor a preocupação dos Espíritos com o estudo e sua relação com a evolução espiritual, Kardec fez a seguinte pergunta ao Espírito de Verdade:
“- Como o progresso intelectual pode conduzir ao progresso moral?”
Resposta: “- Fazendo compreender o bem e o mal: o homem, então, pode escolher. O desenvolvimento do livre arbítrio segue o desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos”.
Poder escolher é o grande começo para todos nós. O fim do homem é realizar, pelo exercício de sua liberdade, a perfeição de sua natureza pelo uso correto do livre arbítrio O Espiritismo, mais do que qualquer outra filosofia ou religião, possui os postulados para orientar quem quer que seja nessa empreitada. Cabe aos seus adeptos mais esclarecidos a tarefa de passar com eficiência e responsabilidade seus conhecimentos. Para isso é necessário democratizar o ensino, implantando o Estudo Sistematizado da Doutrina, fazendo uso de técnicas didáticas modernas e participativas, excluindo o “mestre”, detentor do conhecimento e da razão, valorizando a capacidade criadora de todos os frequentadores do estudo. Os que sabem mais orientam os que sabem menos; coordenam a atividade e orientam no sentido da consulta às Obras Básicas, cuidando para não transformar a reunião de estudo em palestra.
Encerremos os nossos comentários dando a palavra ao Codificador, na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
“Toda gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as conseqüências.”
Refletindo, demoradamente, sobre essas palavras do Codificador, concluiremos que sem estudar o Espiritismo não entenderemos o Cristianismo tal como Jesus nos deixou.
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[1] MUNFORD, Lewis. “A Condição de Homem”. Editora Globo, 1956, pag. 221.
[2] WILGES, Irineu. “Cultura Religiosa”, Editora Vozes, Rio de Janeiro, 1985, 6ª edição, pag. 84/85
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
COMUNICADO DA FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA SOBRE O CENSO DO IBGE!!
Considerando que, segundo informações, o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE, na pesquisa destinada ao Censo demográfico nacional caracterizou os espíritas como Kardecistas;
Considerando que a Federação Espírita Brasileira – FEB, não foi consultada por aquele órgão sobre o assunto;
Considerando que a esta altura, não há tempo hábil de tentar mudar programação estabelecida pelo IBGE;
Considerando ainda que a pesquisa nacional já se encontra em curso;
RECOMENDAMOS A TODOS OS ESPIRITAS QUE, AO SEREM CONSULTADOS PELOS PESQUISADORES DO IBGE E VISANDO A INCLUSÃO DE TODOS NA CONTAGEM QUE SE REALIZA, DECLAREM-SE KARDECISTAS, UMA VEZ QUE NO FORMULÁRIO DO CENSO NÃO FOI REGISTRADA A PALAVRA ESPÍRITA.
Brasília, 02 de agosto de 2010-08-02
Federação Espírita Brasileira
Nestor João Masotti
Presidente
Considerando que a Federação Espírita Brasileira – FEB, não foi consultada por aquele órgão sobre o assunto;
Considerando que a esta altura, não há tempo hábil de tentar mudar programação estabelecida pelo IBGE;
Considerando ainda que a pesquisa nacional já se encontra em curso;
RECOMENDAMOS A TODOS OS ESPIRITAS QUE, AO SEREM CONSULTADOS PELOS PESQUISADORES DO IBGE E VISANDO A INCLUSÃO DE TODOS NA CONTAGEM QUE SE REALIZA, DECLAREM-SE KARDECISTAS, UMA VEZ QUE NO FORMULÁRIO DO CENSO NÃO FOI REGISTRADA A PALAVRA ESPÍRITA.
Brasília, 02 de agosto de 2010-08-02
Federação Espírita Brasileira
Nestor João Masotti
Presidente
ATENÇÃO ESPIRITAS!!!
ATENÇÃO ESPÍRITAS OU KARDECISTAS?
Encaminhado para o BLOG pela Coordenadora Adriana Casé.
Recebi interessante informação sobre o recenseamento do IBGE/2010:
"Como já é de conhecimento de muitos, a partir do dia 2 de agosto o IBGE iniciará o CENSO 2010. Nesta atividade, todas as residências do território brasileiro serão visitadas por um agente do IBGE que aplicará um dos seguintes questionários:
Básico: Um questionário curto e rápido
Amostra: Um questionário bem maior, que durará em torno de 50 minutos sua aplicação.
Neste último constará uma pergunta, cuja resposta é de fundamental importância para nós Espíritas. A pergunta é: Qual a sua religião?
Claro, que muitos de nós responderemos: ESPIRITA.
Infelizmente, se respondermos assim, seremos cadastrados como SEM OPÇÃO RELIGIOSA.
É que para o IBGE, o termo ESPIRITISMO é considerado genérico, ou seja, pode se referir a toda religião, culto ou seita que envolva questões do campo da mediunidade. Nós sabemos que muitas pessoas adeptas da Umbanda, por exemplo, se consideram Espíritas umbandistas e o mesmo equivoco ocorre com outras denominações como espírita esotérico, espírita de mesa, etc. O fato é que ao invés de respondermos ESPÍRITAS, temos que responder KARDECISTAS, pois é esta a denominação dada pelo IBGE ao que para nós é simplesmente ESPÍRITA. O mesmo acontece com aqueles que responderem CATÓLICO ou EVANGÉLICO, os quais, para o IBGE, também são considerados termos genéricos e serão cadastrados como “Sem opção religiosa”.
Quem estuda a Doutrina Espírita reconhece o equívoco do IBGE, que na intenção de diferenciar determinadas práticas e jeitos de pensar, adotou termos mais específicos, para eles, como kardecista.
CUIDADO: Ao responder o questionamento do recenseador não digam ESPÍRITA e esperem o recenseador perguntar mais detalhes, pois ele não perguntará. A pergunta é direta e a resposta deverá ser uma só.
O problema nisso tudo é que esta visão do IBGE ao cadastrar tais informações trás grandes possibilidades de obter dados que não condizem com a nossa realidade. Neste caso é importante que digamos que somos “kardecistas” , mas algo deve ser feito perante essa situação, alguma mobilização, não que os termos venham a ser corrigidos desde já, pois não há tempo para isso, mas para que daqui a 10 anos, nos próximos Censos o mesmo equívoco não continue..."
Sobre as palavras "Espírita ou Kardecista" escrevemos um artigo conforme consta no artigo abaixo:
ESPIRITISMO, ESSA PALAVRA ESTÁ DESGASTADA? QUE TAL "DOUTRINA DOS ESPÍRITOS" OU "KARDECISMO"?
O questionamento que intitula este texto foi enviado a mim por um leitor dos artigos relacionados no site Em verdade, há muitos confrades que têm identificado o gravíssimo desgaste da palavra "espiritismo" e sugerem a sua modificação para "Doutrina dos Espíritos", ou "Doutrina Espírita", ou até mesmo "Kardecismo" (e seus derivados), que são termos que vêm sendo popularizados no Brasil devido, justamente, ao místico sincretismo religioso, que remete as pessoas a confundirem espiritismo com ocultismo, esoterismo, exoterismo, teosofia, orientalismo, umbandismo, xamanismo, exorcismo e outros similares, por isso é comum ouvirmos de alguns adeptos: "sou kardecista". (!?).
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