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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A HISTÓRIA DO LIVRO DOS ESPIRITOS - 155 ANOS!


1º título de "O Livro dos Espíritos": "Religião dos Espíritos"
Paulo Roberto Viola (Para a Revista ESPÍRITA ALÉM DA VIDA)
O método e os meios escolhidos pelo Plano Espiritual para trazer ao Planeta "O Livro dos píritos", primeira obra da codificação kardequiana, já foi uma evidência inequívoca de que se tratava de um fenômeno mediúnico absolutamente autêntico, impossível de ser blefado por jovens e ingênuas meninas psicógrafas, que produziam as informações-respostas, a partir de um lápis de pedra amarrado a um cesta de vime, escrevendo, mediante impulso mediúnico, sobre um rudimentar quadro de ardósia, nascendo, assim, "O Livro dos Espíritos"...
Muitos espíritas ainda não sabem que "O Livro dos Espíritos" - completando nesse ano de 2007, em 18 de abril, 150 anos de sua formulação, o primeiro da codificação de Allan Kardec - foi composto basicamente de forma surpreendente por duas jovens irmãs, médiuns psicografantes, as meninas Caroline Baudin, de 18 anos e Julie Baudin, de apenas 15 anos.
O método de psicografia indireta não poderia ter sido mais rudimentar, como veremos mais adiante. Foi dentro deste contexto histórico que o codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, encontrou um ex-companheiro de fé, um espírito desencarnado que se identificou simplesmente como Zéfiro. É que o codificador do Espiritismo fora sacerdote de uma antiga filosofia denominada Druída, agora em novo renascimento, na França, sob o nome de Hippolyte Leon Denizard Rivail.

Quem vai contar a surpreendente história é Canuto Abreu, sobre quem Chico Xavier disse:
“As tuas anotações não constituem obra do acaso, mas revivescências de lembranças” (mensagem de Emannuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, para Canuto Abreu).
Raras narrativas históricas contam esse reencontro de Kardec com o Espírito Zéfiro. Um desses relatos veio num artigo – supostamente inspirado no famoso e respeitável escritor Silvino Canuto Abreu - publicado em um jornal chamado “A Voz do Espírito’ – Edição número 89: Janeiro - Fevereiro de 1998, de autoria de Mauro Quintella (fonte: Portal do Espírito). Graças a essas escassas publicações, hoje os Espíritas sabem alguma coisa sobre a história de "O Livro dos Espíritos". Canuto Abreu, nascido em 1892 na cidade de Taubaté, em São Paulo, também escritor e emérito pesquisador, desencarnou em 1980. De sua autoria é uma preciosa obra chamada “O Livro dos Espíritos e Sua Tradição Histórica e Lendária” (Editora LFU), na verdade título de seus memoráveis artigos publicados no jornal chamado Unificação, editado pela União das Sociedades Espíritas de São Paulo, na década de 1950. Além de médico, o famoso confrade era também formado em Direito, iniciando a advocacia aos 22 anos de idade. Aprimorou seus conhecimentos na França, onde estudou teologia e ciências religiosas. Conhecia quase o mundo todo. Era autodidata e estudou o grego, o hebraico e o aramaico. Tinha ele uma paranormalidade marcada por significativos fenômenos mediúnicos.
Porém, não se sabe onde o autor colheu informações tão precisas sobre as jovens médiuns que compuseram "O Livro dos Espíritos", sabendo-se, todavia, que Canuto Abreu era dono de invejável cultura, com uma biblioteca de mais de 10.000 livros. Não se tem qualquer confirmação sobre se as preciosas informações que ele publicou foram colhidas por seus próprios canais mediúnicos, ou se resultaram de raros e preciosos documentos possivelmente obtidos em suas andanças pela Europa. Consta que durante a Segunda Grande Guerra Mundial, quando a França foi invadida pelos Exércitos de Hitler, teriam chegado às mãos de Canuto Abreu algumas relíquias históricas que poderiam estar arquivadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (ver "Personagens do Espiritismo" de Antonio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy). A hipótese, porém, parece pouco provável, pois os diálogos e pormenores envolvendo fatos e situações que o famoso autor lança em sua obra, mais sugerem escrita mediúnica do que trabalho de pesquisa. Uma coisa, porém, ninguém duvida: a honorabilidade do escritor e, também, o ser humano especial que todos seus contemporâneos nele reconheciam, dono de uma reputação inegavelmente acima de qualquer suspeita.
Trata-se de um inquestionável Grande Vulto do Espiritismo, fato que se confirma, também, na mensagem que lhe endereçou, no dia 19 de agosto de 1952, o Espírito Emannuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier: "As tuas anotações, quanto à história dos pioneiros do Espiritismo, não constituem obra do acaso e, sim, tarefa de elevado alcance moral para a causa que pretendemos defender. Não definem mero arranjo literário para alimentar os caprichos de leitores famintos de novidade e emoção, nem compõem tessitura de fios dourados de ficção, objetivando efeitos especiais em nossos arraiais doutrinários. A tua obra é a revivescência de lembranças, que os soldados e operários de nosso movimento não podem esquecer sob as cinzas, de modo a içarem, cada vez mais alto, o estandarte luminoso da Nova Revelação, confiado aos homens para a glorificação de nossos mais elevados destinos. Imprescindível te mostres digno de tão sagrado depósito, espalhando-lhe as cintilações com todos os trabalhadores da Doutrina de amor e luz que há quase um século vem despertando a consciência da Humanidade para a nova era de trabalho e progresso que as Trevas, debalde, procuram rejeitar”.
Parece, pois, evidente diante de tal depoimento que qualquer suspeita sobre a confiabilidade do famoso informante histórico não merecerá qualquer acolhida responsável, mesmo porque não se tem notícia de qualquer outro relato que colida, direta ou indiretamente, com a informação de Canuto Abreu. Igualmente não se tem conhecimento de qualquer publicação, ou relato, que desautorize a versão histórica daquele confrade. Por oportuno, registre-se que Canuto Abreu prossegue seu trabalho na Espiritualidade. Em 2004, por ocasião do 4º Congresso Espírita Mundial, realizado na capital da França, o médium Raul Teixeira psicografou mensagem dele que homenageou o codificador. Naquela oportunidade, disse Canuto Abreu: “Allan Kardec veio ao Planeta para representar no campo físico a Equipe Luminosa do Espírito da Verdade, que jorrava claridade sobre o orbe sob a ação venturosa do Cristo Excelso”.

A história do "Livro", contada por Canuto Abreu
Consta que a família Baudin - Émile-Charles, Clémentine e as filhas Caroline e Julie - costumava fazer reuniões espíritas em seu lar quando ainda residia na Ilha da Reunião, uma colônia francesa, que surgiu do mar há três milhões de anos, graças à força de dois vulcões, na costa oriental da África, pertencente à França desde 1638. As reuniões espíritas dessa família na Ilha passaram a ser dirigidas por um Espírito, que se apresentou como seu Guia Espiritual. Quando lhe indagaram o nome, o visitante espiritual respondeu: “Sou o Zéfiro da verdade. Chamem-me por este nome” (Zéphyr). Zéfiro é o nome do vento do oeste na Costa Marítima e é também tido como uma brisa suave, sendo filho de Eos (deusa do amanhecer) e Astreu (um dos três personagens da mitologia grega). Zéfiro houvera esposado Íris e seus irmãos foram Bóreas, Noto e Euro.
Certa noite, Zérifo previu que a aquela família mudaria brevemente para Paris: “Lá, procurarei manter contato com um velho amigo e chefe, desde o nosso tempo de Druídas”. Nessa época, os Baudin não vislumbravam, nem de longe, a possibilidade de morar na França. No entanto, não demorou muito, veio uma crise no comércio do café e do açúcar, principais produtos das atividades agrícolas e comerciais da família, que, por essa razão, foi obrigada a mudar para a França, em 1855. Canuto Abreu conta que as reuniões mediúnicas continuaram em Paris. Zéfiro riscava suas respostas às perguntas da família Baudin e convidados.
Numa certa noite, o senhor Denizard Rivail e sua esposa Amelie Boudet, aceitaram o convite para participar de uma reunião espírita na casa da família Baudin. Presente naquela reunião o Espírito Zéfiro, Rivail foi por ele saldado de uma forma que ninguém inicialmente entendera: “Salve, caro Pontífice, três vezes salve!” Sem compreender o sentido daquela aparentemente bizarra saudação, os assistentes deliciaram-se em boas gargalhadas. “Pontífice?!...” Monsieur Baudin, sentia-se constrangido, não entendia o ocorrido e tentou atribuir ao caráter espirituoso de Zéfiro aquela possível brincadeira.
Mas o fato é que Rivail aceitou a descontração e devolveu:” “ minha bênção apostólica, meu filho”. E o pequeno público assistente novamente caiu em boas gargalhadas.
Mas o Espírito Zéfiro logo interviria para por fim à zombaria e ao constrangimento, explicando que Rivail houvera sido um alto sacerdote Druída, com o nome de Allan Kardec, ao tempo de Julio César, na antiga Gália, hoje França, nos anos 50 antes de Cristo. E que ele, Zéfiro, fora contemporâneo de Rivail em encarnação daqueles idos tempos. (os Druídas eram juízes, filósofos, professores, enfim personalidades respeitadíssimas e de altas funções na sociedade de etnia Celta, um povo guerreiro que acabou dominado pelo Imperador romano Julio César, depois de uma bárbara invasão do território celta. Os sacerdotes druídas professavam uma filosofia ocultista, passada oralmente de uns para outros, sem qualquer registro escrito. Por isso, muito pouco se sabe sobre eles).
Iniciaria-se, ali naquela reunião descontraída da família Baudin, um novo tempo de conhecimento para a Humanidade, “uma nova aurora”, como mais tarde anunciaria o famoso astrônomo amigo de Kardec, Camille Flammarion, uma Doutrina inovadora e reveladora, fincada num tripé até então inédito: a Religião, a Filosofia e a Ciência.
A partir daquele encontro de Zéfiro com Rivail, seriam fornecidas as primeiras respostas de "O Livro dos Espíritos". E as personagens mediúnicas escolhidas para a psicografia seriam justamente as jovens e pueris meninas, filhas do casal Baudin, Caroline e Julie, aquela com 18 anos e esta com apenas 15 anos. Aquelas duas meninas, com certeza sem qualquer preparo intelectual para desenvolver uma nova filosofia dessa superior magnitude, foi a ponte que o Além encontrou para fazer chegar ao Planeta o primeiro livro da Doutrina inaugurada por Allan Kardec.
- Não fomos nós que compusemos o Livro, mas os Guias, o Professor Rivail e o "roc" – disse a menina Caroline, em resposta à jovem Ermance Dufaux, que perguntou como o Livro foi composto, segundo a narrativa de Canuto Abreu. A família Dufaux, a que pertencia a menina e médium Ermance, fora apresentada a Rivail por madame Plainemaison, dama viúva que vivia de rendas deixada pelo seu falecido marido.
O "roc" era um lápis de pedra amarrado a uma tupia, ou seja, uma cestinha de vime, pelos quais os escritos iam surgindo numa lâmina de pedra portátil (ardósia). Por esse meio absolutamente rudimentar advieram as primeiras escritas psicográficas com que o Espírito Zéfiro começou a ditar o Livro inaugural da Codificação, que vai completar 150 anos, ou seja "O Livro dos Espíritos", que viria a ser revisto e complementado pela mediunidade de Ruth Celine Japhet, de 20 anos, sendo certo que “toda a obra, no fundo e na forma, foi ‘revista’ e ‘corrigida’ pelos próprios Espíritos que a inspiraram”, garante Canuto Abreu. E mais: “tanto as questões da primeira, quanto os comentários da segunda coluna resultaram dos ensinos dos Espíritos e não das elucubrações do senhor Rivail”. Ainda segundo o famoso autor, “Rivail observava tudo, tomava nota das respostas dadas pelos Espíritos a quem quer que fosse, quando continham, a seu ver, um ensinamento de utilidade geral. Limitava-se a saudar o Guia e a ouvir a leitura de suas respostas (...) Portava-se, na verdade, não como ‘aprendiz’, mas como ‘examinador’ severo. Discutia com o Espíritos como se fossem homens. Nada aceitava que não estivesse conforme a Razão.”(*)
Posteriormente, o Livro mereceu a colaboração final da jovem Aline Carlotti, médium psicógrafa e de psicofonia a cuja mediunidade Kardec submetera as questões mais complexas.
(*) Os dados pessoais, os traços e a personalidade de Kardec são descritos pelo "O Livro dos Espíritos e Sua Tradição Histórica e Lendária": Era filho de Jeanne Hippolyte e de Jean-Baptiste Antoine Rivail, um advogado e respeitável juiz do Tribunal da cidade de Lyon, onde nasceu em 3 de outubro de 1804, em plena Era napoleônica. “De cultura acima do normal nos homens ilustres de sua idade e do seu tempo, impôs-se ao geral respeito desde moço. Temperamento infenso à fantasia, sem instinto poético nem romanesco, todo inclinado ao método, à ordem, à disciplina mental, praticava, na palavra escrita ou falada, a precisão, a nitidez, a simplicidade, dentro dum vernáculo perfeito, escoimado de redundâncias (...). Tinha o rosto sempre pálido, chupado, de zigomas salientes e pele sardenta, castigada de rugas e verrugas. Fronte vertical comprida e larga, arredondada ao alto, erguida sobre arcadas orbitárias proeminente, com sobrancelhas abundantes e castanhas. Olhos pequenos e afundados, com olheiras e pápulas. Nariz grande. Bigode rarefeito, aparados à borda do lábio, quase todo branco. Semblante severo quando estudava ou magnetizava, mas cheio de vivacidade amena e sedutora quando ensinava ou palestrava. O que nele mais impressionava era o olhar estranho e misterioso, cativante pela brandura das pupilas pardas, autoritário pela penetração a fundo na alma do interlocutor. O que mais personalidade lhe dava era a voz, clara e firme, de tonalidade agradável e oracional. Sua gesticulação era sóbria, educada. Mantinha rigorosa etiqueta social diante das damas. Sua única jóia: uma aliança de ouro com auréola de prata”.
As quatro mocinhas, apesar de risonhas e elegantes, não eram fúteis, prossegue Canuto Abreu, que acrescenta: “O trato das coisas sérias, as palestras filosóficas e morais em que tomavam parte, os conselhos dos Guias, as comunicações edificantes, a convivência com pessoas cultas e, sobretudo, o adiantamento moral e intelectual que possuíam de existência anteriores faziam-nas preferirem, mesmo quando em palestras sociais ou a sós, assuntos construtivos”.
Uma dezena de médiuns voluntários colaborou na revisão das respostas dos Espíritos, a conselho do próprio Plano Espiritual. Nesse grupo revisor, destacavam-se Roustan, médium intuitivo; a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; a senhora Leclerc, médium psicógrafa; a senhora Clèment, médium falante e vidente; a senhora Roger, clarividente notável e a senhora De Plainemaison, auditiva e inspirada, na casa de quem o professor Rivail começara, como simples curioso – não fazia muito tempo - a estudar o spiritualism, (movimento herdado dos Estados Unidos, em decorrência dos fenômenos das mesas girantes que envolveram as irmãs Fox), como narra a obra de Canuto Abreu.
Sabido é que depois de Zéfiro, conforme subscrito em Prolegômenos, (preâmbulo à Introdução de "O Livro dos Espíritos") compareceram na seqüência psicográfica desse primeiro livro vários Espíritos Superiores, sendo que Zéfiro já anunciara o comparecimento de alguns deles nas primeiras reuniões com o professor Rivail: Agostinho, João Evangelista, Vicente de Paulo João Evangelista e outros confirmados pela jovem Ermance Dufaux, como Sócrates, Fénelon, Swedenborg e Hahnemann.
Em reunião que promoveu em sua residência, após a conclusão de "O Livro dos Espíritos", com a finalidade de agradecer as colaborações recebidas, Kardec disse reconhecido: “um agradecimento particular às meninas Caroline, Julie e Ruth Celine. Pondo de lado os prazeres próprios da mocidade e sacrificando as horas de estudo e afazeres domésticos, elas se prestaram durante mais de um ano com o máximo desinteresse material e a melhor dedicação espiritual ao fatigante uso de seus dotes mediúnicos”. A riqueza do pormenor informativo confirma a impressão de que o dedo mediúnico de Canuto Abreu efetivamente trabalhou em resgate dessa memória histórica...
Em Prolegômenos, Kardec se omitiu sobre as meninas psicógrafas, que compuseram "O Livro dos Espíritos", para protegê-las: “Resolvi afrontar sozinho as ondas de oposição que o Livro vai suscitar. É meu dever ocultar ao grande público os nomes de nossas médiuns” (desabafo de Kardec, segundo Canuto Abreu).
Kardec, claro, foi obrigado a proteger as meninas psicógrafas, pois eram, como dito, jovens e do sexo feminino num mundo então coroado de preconceitos contra a mulher e, sobretudo, contra as Religiões não ortodoxas, ou que desafiassem o status quo religioso vigente (*). Afinal, o professor Rivail já houvera presenciado um diálogo entre o senhor Baudin e o senhor Dufaux, a respeito do livro “Vida de Luiz 9º Escrita por ele mesmo”, de autoria de sua filha Ermance, que fora censurado por conter passagens consideradas desrespeitosas à Santa Sé, segundo conta Canuto Abreu. “Lastimável que isso aconteça em plena metade do Século dezenove”, ponderou Rivail, preocupado com seu livro. Afinal, as pioneiras do Espiritismo, as irmãs americanas Fox, vinham sendo perseguidas cruelmente, excomungadas e repelidas em todas as comunidades, como também informa Canuto Abreu.
Por isso, muito pouco se sabe a respeito das históricas meninas que compuseram a base de "O Livro dos Espíritos". Não teria sido por outra razão que na Introdução e em Prolegômenos o codificador simplesmente informa que a obra foi escrita “por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores (...), por muitos médiuns”, sem, entretanto, detalhar o método e as formas, de maneira a não expor as jovens meninas Caroline e Julie.
(*) No mês de setembro de 1861, o escritor e editor Maurice Lachâtre, refugiado, por perseguição da Igreja, em Barcelona, na Espanha, onde tinha uma Livraria, solicitou a Kardec três centenas de livros espíritas, inclusive "O Livro dos Espíritos". A remessa, logo que chegou a seu destino, foi totalmente apreendida por um auto de fé assinado pelo Bispo local, Antônio Palauy Termens e, no dia 9 de outubro, os livros foram atirados a uma fogueira, em cumprimento a uma sentença ditada sob influência eclesiástica. Em 1° de maio de 1864, "O Livro dos Espíritos" foi lançado no temido Index Librorum Prohibitorum, índice dos livros censurados e proibidos pela Igreja Católica, criado em 1559, pela Sagrada Congregação da Inquisição, para “prevenir a corrupção dos fiéis”. Ao lado de Kardec, figuraram nesse Index notáveis da Ciência e da Filosofia, como Rousseau, Montesquieu, Descartes, Copérnico, Galileu Galilei e tantos outros. O Index vigorou até 1966, quando o então Papa Paulo 6º o extinguiu definitivamente.

Em 18 de abril de 1857, Kardec estaciona uma carruagem, com 1200 volumes de "O Livro dos Espíritos", destinados à Livraria Dentu
Concluída a edição primeira de "O Livro dos Espíritos", numa bela manhã de sábado de primavera, Kardec sai de sua residência, em Paris, na Rue des Martyrs, número 8, segundo andar, com 1200 volumes da obra. O meio de transporte era uma carruagem. Ele se detém na Rue Montpensier, em frente à Galeria d’Orleans, no Palais Royal , para alcançar a Livraria Dentu, da viúva madame Mélanie Dentu. Silvino Canuto complementa a descrição da cena: “o ajudante de cocheiro, trajando uniforme cinzento, amarrotado e sujo, saltou da boléia e dirigiu-se à Livraria”. Esperava por Kardec e sua obra, além da proprietária da Livraria, um Gerente da loja identificado apenas pelo nome de Clément, que leu a nota de entrega remetida pela Tipografia De Beau e ordenou o desembarque dos livros. À tarde, Kardec volta à Livraria e constata que mais de meia centena de exemplares já haviam sido vendidos ao preço de 3 francos por unidade, preço que, segundo consta, ele achou inicialmente caro, mas foi convencido por madame Dentu de que estava de acordo com o mercado.

O título original do livro
"Religião dos Espíritos” – fora prudentemente modificado pelo codificador para “O Livro dos Espíritos”, primeiramente porque ele temia que a censura implicasse com o primeiro nome e também para que o leitor identificasse na obra um livro escrito pelos Espíritos. Na noite do dia 18 de abril de 1857 em que foi lançado "O Livro dos Espíritos", madame Rivail (Amélie-Gabrielle de Lacombe Boudet Rivail) – Gaby na intimidade – já se houvera recolhido aos aposentos do casal. Kardec, entretanto, foi para o escritório de sua residência e sentou-se à escrivaninha de carvalho, sob a luz bruxuleante de uma vela. Pegou seu caderno de memórias e anotou, conforme o relato de Canuto Abreu: “Mais de cem exemplares de "O Livro dos Espíritos" já se foram neste primeiro dia, doados ou vendidos. Cada volume será um grão de vida nova lançado ao coração de um homem velho. Se algumas sementes caírem em corações maduros haverá, por certo, gloriosas ressurreições. Mil e duzentas sementes da Verdade serão lançadas no terreno da opinião. Se uma só frondejar, nosso esforço não terá sido em vão." E conclui o codificador, segundo a confiável informação histórica do confrade paulista: “O Livro de hoje não é senão a primeira página da religião do futuro. À medida que o meio e o desenvolvimento da Idéia Nova o permitam. Operar-se-á lentamente lutando com adversidades poderosas, pisada aqui, adulterada acolá, esmagada num ponto, ressuscitada noutro, criticada por muitos, defendida por poucos, atraiçoada dentro de seus próprios muros pelos fracos a serviço das Trevas”. Nascia, assim, a Doutrina Espírita, uma nova luz para a Humanidade. Com Jesus e por Jesus!

terça-feira, 3 de abril de 2012

A EVOLUÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO

qua, 20 de fevereiro, 2008

Baseado na apostila do Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG
Allan Kardec, em toda a sua obra, procurou demonstrar que o Espiritismo nada tem a ver com o maravilhoso e o sobrenatural, e não guarda relação com nenhum tipo de superstição. Assim, a teoria da evolução no espiritismo está intimamente atrelada à da ciência. Claro, é preciso reconhecer que, na codificação de Kardec, está atrelada ao que se sabia de ciência de SUA época, com todas as suas falhas e preconceitos (e daí advém as críticas de que Kardec era racista, e tal). Mas, como o próprio Kardec postulou: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará". Assim, cabe aos espíritas a atualização da doutrina através de um contínuo estudo.
O diferencial aqui é que, no espiritismo, toda a explicação da evolução do universo, planetas e seres se processa de acordo com a ciência, mas possui sua causa em uma inteligência (ou inteligências), durante todo o processo. Creio que seja análoga a Teoria do Design inteligente, que é diferente da Teoria do Criacionismo e do Pastafarianismo.
A Formação da vida na Terra
Acredita-se que a vida na Terra tenha surgido há cerca de 2 bilhões de anos, e, segundo a teoria que hoje prevalece (de Oparin e Müller), o primeiro ser vivo surgiu da combinação de elementos químicos presentes na Terra primitiva.
A fim de romper as moléculas dos gases simples da atmosfera e reorganizar as partes em moléculas orgânicas, era preciso energia, abundante na Terra jovem. Existia calor e vapor d'água. Tempestades violentas eram acompanhadas de relâmpagos que forneciam energia elétrica. O Sol bombardeava a Terra com partículas de alta energia e luz ultravioleta. Essas condições foram simuladas em laboratório, e os cientistas demonstraram que assim se produzem moléculas orgânicas. Entre elas, estão alguns aminoácidos, os importantes blocos de construção das proteínas, componentes fundamentais da matéria viva.
Em seguida, na seqüência que conduziu à vida, esses compostos foram levados da atmosfera pelas chuvas e começaram a se concentrar em certas áreas do oceano. Algumas moléculas orgânicas tendem a se agarrar no oceano primitivo, esses agregados provavelmente tomaram a forma de gotas, envolvidos por fina película protetora. Denominam-se esses seres de coacervados. Essas estruturas, apesar de não serem vivas, têm propriedades osmóticas e podem se unir, formando outro coacervado mais complexo. Da evolução destes coacervados, surgem as primeiras formas de vida. Os primeiros seres vivos, segundo se acredita, eram heterótrofos (buscavam o alimento fora deles), habitante das águas, unicelular e com um único sentido: o tato.
Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, escreve no livro "A Caminho da Luz" que todo esse processo admirável não foi obra do acaso, resultado de forças cegas, inconseqüentes, e sim, a conseqüência de um trabalho bem elaborado dos Espíritos superiores, responsáveis pelo destino de nosso planeta. Emmanuel nos informa que Jesus (ele mesmo) e sua falange de engenheiros, químicos e biólogos siderais estiveram presentes todo o tempo, acompanhando fase a fase o despertar da vida no planeta. Não podemos também desconsiderar a presença do princípio inteligente (que poderíamos chamar de "Deus") que, como "campo organizador da forma", deve ter exercido um papel preponderante no processo de gênese orgânica.
Emmanuel nos diz:

"E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas que envolveu o imenso laboratório em repouso. Daí a algum tempo, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra. Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada."

Este relato, obviamente que de forma romanceada, sugere elementos da Panspermia, teoria marginalizada pela ciencia até poucos anos e que sustenta que o "detonador" da vida na Terra foram elementos provenientes do espaço (trazidos por cometas, meteoritos e nebulosas).
Nas questões 43, 44 e 45 de "O Livro dos Espíritos" (de 1857), a Quimiossíntese e a Teoria dos Coacervados, de Alexander Oparin (de 1936), são prenunciadas pelos Espíritos, com palavras diferentes, mas com a mesma idéia.

A Evolução Orgânica
Não mais se discute hoje a realidade do processo evolutivo. A evolução das espécies é um fato inquestionável. Através de processo múltiplos e fenômenos diversos, os primeiros seres vivos, unicelulares e simples, foram os precursores de todas as formas complexas de vida. Mas qual o mecanismo dessa evolução? Duas teorias, agindo conjuntamente, sem se excluírem, tentam explicar a evolução:
Darwinismo: lançado em 1859, por Charles Darwin (No livro "A Origem das Espécies"). O Darwinismo se baseia na seleção natural, ou seja, os seres mais aptos sobrevivem, enquanto os menos aptos desaparecem.
Mutacionismo: teoria que teve em Hugo de Vries seu idealizador, baseia-se no conceito de mutação (toda alteração no patrimônio genético dos seres, que se transmite às espécies descendentes). Segundo essa teoria o aparecimento de espécies novas seria o resultado de várias mutações ocorridas nas espécies anteriores.
Como o macaco se tornou homíneo até hoje é uma incógnita. Nunca encontramos realmente o "elo perdido", a espécie biológica que represente esta transição. Já chegamos bem perto, mas ainda falta "algo". Tal vácuo dá espaço até para teorias de seres alienígenas que ficaram responsável por esta transição, com alterações in vitro e por meio de reprodução controlada inter-espécies (teoria esta não de todo maluca, se formos pesquisar nas lendas dos povos antigos, como os sumérios, índigenas e asiáticos).
Mas vejamos o pensamento de Kardec, em seu tempo, numa ciência ainda fortemente influenciada pelo modelo grego em que beleza = evolução, vemos no livro "A Gênese", de Allan Kardec, cap. 11, a "Hipótese sobre a origem do corpo humano":
Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. Vestiu-se então da pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem.
Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum posta como princípio, mas apresentada apenas para mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o Espírito, que é o ser principal, e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco.
Admitida essa hipótese, pode-se dizer que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto. Melhorados os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco.
O tempo passou, aprendemos coisas como ecosistema, beleza só não põe mesa, a natureza não dá saltos, jacarés e ornitorrincos estão muito bem, obrigado, nada se perde, tudo se transforma, etc. A questão evoluiu no espiritismo pelas mãos de Chico Xavier e Emmanuel, que nos esclarecem que muitas das transformações que se verificaram nos seres foram, anteriormente, promovidas em suas estruturas perispirituais, entre uma existência e outra (ou seja, no plano espiritual!). Os Espíritos construtores, sob a supervisão de Jesus, retocavam, em vezes sucessivas, as formas perispiríticas, e estas alterações criariam o campo magnético para as futuras mutações.
Conta ainda que os seres atuais não tinham, no princípio da vida, suas formas biológicas totalmente definidas. Experiências múltiplas, no patrimônio genético dos nossos antepassados, coordenadas por geneticistas siderais, foram modelando aquelas formas que deveriam persistir até os tempos atuais. A seleção natural se incumbiria de fazer desaparecer as formas primitivas inaptas. Ou seja, uma mistura de Mutacionismo, Design Inteligente e Darwinismo. Interessante.
Emmanuel volta a dizer:

Extraordinárias experiências foram realizadas pelos mensageiros do invisível. As pesquisas recentes da ciência sobre o tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado e outras descobertas interessantes da Paleontologia, quanto ao homem fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos a que procederam os prepostos de Jesus, até fixarem no primata as características aproximadas do homem futuro. Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessa criatura de braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível, operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual pré-existente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações. Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, tendendo à elegância dos tempos do porvir.


A evolução espiritual
Quanto à origem dos Espíritos, quase nada se sabe. Allan Kardec diz: "Desconhecemos a origem e o modo de criação dos Espíritos; apenas sabemos que eles são criados simples e ignorantes, isto é, sem ciência e sem conhecimento, porém perfectíveis e com igual aptidão para tudo adquirirem e tudo conhecerem. Na opinião de alguns filósofos espiritualistas, o princípio inteligente, distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelos diversos graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria, por assim dizer, o período de incubação. Haveria assim filiação espiritual do animal para o homem, como há filiação corporal."
Hoje não resta mais dúvida de que os Espíritos, em sua longa trajetória, têm percorrido os diversos reinos da natureza. O pensamento de Léon Denis, de que "a alma dorme na pedra, sonha na planta, move-se no animal e desperta no homem", está plenamente incorporado ao corpo doutrinário do Espiritismo.
André Luiz, no livro "Mecanismos da Mediunidade" explica que "Temos, hoje, o Espírito por viajante do Cosmo, respirando em diversas faixas de evolução, condicionados nas suas percepções, à escala do progresso que já alcançou". E que tal progresso, estampado no campo mental de cada alma, vai ser condicionado por duas variantes: "o tempo de evolução, ou seja, aquilo que a vida já lhe deu, e o tempo de esforço pessoal na construção do destino, ou seja, aquilo que ele próprio já deu à vida".
 
No livro "No mundo Maior", André Luiz completa o seu pensamento: "Não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio".
Assim, no reino mineral, o princípio espiritual refletiria a sua presença nas manifestações das forças de atração e coesão com que as moléculas se ajuntam em característicos sistemas cristalográficos.
No reino vegetal, mostraria maiores aquisições pelo fenômeno de sensibilidade celular.
No reino animal, o princípio inteligente somaria novas aquisições refletidas nos instintos.
No reino hominal, todo esse cabedal de experiências estaria ampliado pelos novos lastros da concientização, a carregar consigo, raciocínio, afetividade, responsabilidade e outras tantas condições que caracterizam esta fase.
_____________________________ Princípio Inteligente
mineral - atração
vegetal - sensação
animal - instinto
hominal - razão
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Reino Mineral
Acredita-se que antes de unir-se ao elemento material primitivo do planeta, (o "protoplasma", na expressão de Emmanuel), dando início a vida no orbe, o princípio inteligente encontrava-se nos cristais, completando seu estágio de individualização em longuíssimo processo de auto-fixação, ensaiando, aos poucos, os primeiros movimentos internos de organização e crescimento volumétrico.
Até hoje constitui fato pouco explicado pela ciência acadêmica, de determinadas substâncias arranjarem-se sob a forma de cristais perfeitamente arrumados segundo linhas geométricas definidas, o que não deixa de ser uma organização, ainda que não um organismo.
"O cristal é quase um ser vivente", disse Gabriel Delanne. Naturalmente que não iremos pensar numa inteligência própria da matéria. Todavia, o cientista Jean Emille Charon declarou que "o comportamento das partículas interatômicas revela vida incipiente".

Reino Vegetal e Animal
Após adquirir a capacidade de aglutinar os diversos elementos da matéria em sua peregrinação pelos minerais, o princípio espiritual vai iniciar outra etapa de sua longa carreira evolutiva. Identifica-se com os vírus, logo a seguir com as bactérias rudimentares, as algas unicelulares e, sucedendo-as, com as algas pluricelulares. O princípio inteligente passa então a vivenciar as experiências nos vegetais mais complexos, melhor estruturados, onde ele vai adquirir a capacidade de reagir direta ou indiretamente a qualquer mudança exterior (irritabilidade) e depois a faculdade de sentir, captar e registrar as alterações do meio que o cerca (sensação) - conquistas do princípio espiritual em seu percurso pelo reino vegetal.
Mais tarde, assinala-se o ingresso da "energia pensante", no reino animal. O princípio inteligente vai desdobrar-se entre os espongiários, os celenterados, os equinodermos e crustáceos, anfíbios, répteis, os peixes e as aves, até chegar aos mamíferos. Neste imenso percurso, o elemento espiritual estará enriquecendo a sua estrutura energética, aprimorando o seu psiquismo rudimentar e assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, da auto-preservação, enfim, dos diversos instintos, preparando-se para a sublime conquista da razão.
Afirma-se que a conquista maior do princípio inteligente em sua passagem pelos animais foi o instinto.
Denomina-se instinto às formas de comportamento dos organismos que não são adquiridas durante a vida, mas herdadas. São impulsos naturais involuntários pelo qual os seres executam certos atos de forma mecânica, sem conhecer o fim ou o porquê desses atos (como o gato enterrar suas fezes e urina, ou certos pássaros fazerem seus ninhos de certa forma).
No entanto, em muitos animais, especialmente nos animais superiores (macaco, cão, gato, cavalo, muar e o elefante), já identifica-se uma inteligência rudimentar. Além dos atos instintivos, observa-se, às vezes, atitudes que demandam certo grau de perspicácia e lucidez. Seria uma forma primitiva de inteligência relacionada apenas a coisas que importam à auto-preservação do animal.
André Luiz diz que nos animais superiores observa-se um pensamento descontínuo e fragmentário, a partir do qual vai desenvolver-se o pensamento contínuo do reino honimal.
_____________________________ Conquistas do Princípio Inteligente
Atração: capacidade de aglutinar os elementos da matéria;
Sensação: faculdade de reagir aos estímulos do meio;
Instinto: atitudes espontâneas, involuntárias, reflexas, características da espécie;
Razão: consciência que o indivíduo tem de si mesmo e do meio que o cerca.
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Reino Hominal
Afirma André Luiz que, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser automatizado em seus impulsos, no caminho para o reino angélico, despendeu nada menos que um bilhão e meio de anos.
Com a conquista da razão, aparece o raciocínio, a lucidez, o livre-arbítrio e o pensamento contínuo. Até então, o progresso tinha uma orientação centrípeta, ou seja, de fora para dentro; o ser crescia pela força das coisas, já que não tinha consciência de sua realidade, nem tampouco liberdade de escolha. Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente - agora sim, Espírito - está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga (de dentro para fora).
Mas a conquista da inteligência é apenas o primeiro passo que o Espírito vai dar em sua estadia no reino hominal. Ele deverá agora iniciar-se na valorosa luta para conquistar os valores superiores da alma: a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos.

Ler em espanhol (por Teresa)

Bibliografia:
Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier - Waldo Vieira
No Mundo Maior - Cap. IV - André Luiz/Chico Xavier
Mecanismos da Mediunidade - André Luiz/Chico Xavier
Morte Vida Renascimento - Hernani Guimarães Andrade
Impulsos Criativos da Evolução - Jorge Andréa
A Caminho da Luz - Emmanuel/Chico Xavier
Evolução Anímica - Gabriel Delanne
Biologia - Helena Curtis